TheBoss 022 – Diablo III

Amigos, Diablo III está nos consoles. A Blizzard surpreende e traz o primeiro Diablo portado por ela mesma para videogame doméstico. Puristas estão curiosos com o resultado do mega-clássico do clique-clique-clique de mouse; mas quem nunca jogou no PC, também…

Este é um episódio especial da série TheBoss do Cosmic Effect. Conheça o Jogador Genérico #1…

O Que Você Jogou Em 2012?

Amigos do Cosmic Effect: este post faz parte de um meme entre vários sites que versam sobre videogames por aqui. Como o título do artigo explicita, iremos revisitar os jogos que jogamos neste ano de 2012, porém de forma rápida e sucinta.
Não há conexão entre os mini-reviews, portanto apenas escolha títulos os quais gostaria de ler um parágrafo sobre e aproveite. E o mais importante: compartilhe seus principais jogos que se aventurou este ano com a gente nos comentários!
Espero que gostem!


Cosmonal


The Binding Of Isaac

Edmund McMillen – PC (2011)

Jogos independentes. Antes meras tentativas de programadores sonhadores, agora são uma moda na indústria. The Binding Of Isaac mostra que independente sabe fazer até Zelda. E com um plus: dungeons geradas aleatoriamente. O negócio é uma delícia para quem gosta de se rastejar dentro de cavernas, como eu. Dizem que vai sair até para Wii U no futuro, imaginem só onde esses caras chegaram.


Solar Fox

Midway – Atari 2600 (1983)

Um Pac-Man espacial. Mais um port de arcade bem-sucedido no console da Atari, o jogo até esconde uma palavra secreta que o jogador deveria descobrir vencendo as telas de bônus. Como colecionador, possuo alguns cartuchos ainda não jogados por aqui e este foi uma grata surpresa este ano. Ah, e se quiser saber qual a palavra secreta, leia nosso artigo sobre Solar Fox aqui


Gauntlet IV

Tengen – Mega Drive (1993)

O Que Você Jogou Em 2012 - Gauntlet IV

Gauntlet IV. Torres. Chaves. Poções. Paredes mágicas. Escadas de um só destino. Tesouros que fogem. Elfos (e anéis, claro). Em tempos de grandes batalhas com dragões nas gerações atuais de videogame, Gauntlet IV traz dragões sem vetores, mas com muita personalidade, em um surpreendente dungeon crawler exclusivo do Mega Drive. Afinal, você pode matar dragões nos RPGs por aí; mas… e tornar-se um deles?


Star Fox 64

Nintendo – Nintendo 64 (1997)

Praticamente um remake do já incrível Star Fox do Super NES, a versão para o Nintendo 64 é um deleite para o fã de jogos arcade. A própria Nintendo, que nada produzira nos anos 90 nos fliperamas, caprichava nos consoles domésticos e deixava até os donos de computadores babando com Fox McCloud a 60 quadros por segundo. E com Miyamoto no comando, Star Fox 64 ganha aquele clima de aventura, cortesia do mestre. Fiz até um artigo com capturas de imagens diretas do meu Nintendo 64!


Mass Effect 3

Bioware – PC (2012)

O “Effect” do título deste site que você visita agora veio desta franquia. Uma ficção científica na forma videogame, inspirada no meu jogo favorito de Mega Drive — Starflight — finalmente chegou a uma conclusão. Talvez a trilogia Mass Effect seja, um dia, considerada o Star Wars dos videogames. E não seja um troll e fale do final “que não cumpriu o que foi prometido”: Mass Effect 3 tem um gameplay tão afinado com a ficção da sua história que Jack Sheppard poderia até ganhar um papel importante em Star Wars VII by Disney. Seria o máximo. A nossa série de vídeos TheBoss, que trata somente da next-gen, abriu com ME3.


Enslaved: Odyssey To The West

Ninja Theory – PS3 (2010)

O que me chamou a atenção em Enslaved: Odyssey To The West foram as cutscenes: as expressões facias dos personagens eram chocantes. Mas o jogo… meh. Um hack and slash com alguma plataforma, mas falhou em encantar este jogador que vos fala. Fizemos um episódio em vídeo sobre ele também: o jogo vale muito pelo seu visual e é aquela diversão “porto seguro” com o joystick do PS3 nas mãos.


Astal

SEGA – Saturn (1995)

Oh. Meu. Deus. Que jogo bonito é Astal! Se fosse só isso… mas não: que trilha sonora soberba, com músicas que vão da “game music clássica só que em CD” até alguns jazz-fusion super charmosos. E o gameplay, amigo? Plataforma, 2D, by SEGA. Não tinha como não fazer um Cosmic Cast sobre esta pérola esquecida, esse, amigo retrogamer, eu insisto: se não assistiu antes, não deixe de ver este vídeo antes do mundo acabar!


Resident Evil 4

Capcom – Wii (2007)

Resident Evil 4 trouxe boas lembranças com relação ao survival horror. Com um tiroteio equilibrado com soluções de enigmas, ele é um jogo moderninho — definiu as bases do combate em terceira pessoa da última década — mas que retém o “sabor Alone in The Dark”. Como o joguei por completo às vésperas do lançamento do RE6, fiquei triste ao perceber que a franquia correu para o tiroteio desenfreado depois do RE4… pra isso, temos os FPS, ora! Mas este aqui, especialmente no Wii, é uma delícia de experiência gamística — tanto que fizemos um vídeo em duas partes somente sobre a versão que usa o Wiimote.


Diablo

Blizzard – PC (1996)

Quando penso em Diablo, seja escrevendo para este meme, seja pensando sozinho enquanto dou uma caminhada… dá uma vontade incontrolável de voltar e sentir o tom daquele jogo. Entrar na dungeon, escutar o ruído das flechas das caveirinhas. Que RPG de ação é esse, rapaz? Como todo jogador de PC, já tinha passado por ele antes mas nunca com a profundidade deste ano, para escrever uma matéria para a revista OLD!Gamer junto com meu amigo Gagá. Jogamos até em co-op, o velhinho no Rio de Janeiro e eu aqui em Salvador. Até hoje não sabemos como matamos o Butcher, mas eu insisto: o Gagá amarelou quando aquela porta abriu. Diablo não precisa de remake, ele funciona nesse seu Windows 7 aí numa boa, mesmo o jogo sendo de 1996. Até nisso Diablo 1 é fora de série.


Halo 4

343 Industries – Xbox 360 (2012)

Nada contra aos outros FPS atuais, mas a gente precisa priorizar um só, certo? Senão não sobra tempo pros outros jogos, multiplayer toma um tempo danado… e minha escolha é Halo. É o jogo de “tiroteio descerebrado” que mais me lembra Doom e Quake, os eternos favoritos do gênero aqui em casa. Por sinal, há alguns anos eu andava desencantado com FPS de console — a precisão do mouse+teclado era uma obsessão — mas o Danilo me convenceu a entrar no multiplayer de Halo 3 sem preconceito com as alavancas analógicas do joystick. De lá pra cá… é só fanatismo. Halo 4 é tão bonito, mas tão bonito que você nem acredita que está rodando no Xbox 360 e sua placa de vídeo de 2005. Tanto que ganhou “Best Graphics” no VGA 2012 há poucos dias, o negócio é sério. E o multiplayer azeitou ainda mais o já maravilhoso multiplayer do Halo Reach. Resumo: é o disco default do Xbox 360 até Halo 5. Dancovich, já baixou os mapas novos aí?


Mais alguns títulos jogados pelo Cosmonal em 2012:

Deadlight (Xbox 360)
Hybrid (Xbox 360)
Super Star Shooter (Wii homebrew)
Double Dragon Neon (Xbox 360)
Dead Trigger (Android)
H.E.R.O. (Atari 2600/Game Room, Xbox 360)

Dancovich

Este ano foi o ano do PC para mim. No finalzinho de 2011 adquiri finalmente, depois de várias insistidas de Eric, um PC apto a jogar os jogos mais recentes. Não foi um convencimento muito difícil, já que no final de 2011 vários jogos fantásticos tinham acabado de sair que gritavam “me jogue em um PC”.

The Elder Scrolls V: Skyrim

Bethesda Softworks – PC (2011)

elder-scrolls-skyrim

O primeiro — e não me sinto constrangido em dizer, mais importante — jogo da lista é nada menos que The Elder Scrolls V: Skyrim. Quando terminei Oblivion fiquei simplesmente faminto por mais um jogo da franquia e, enquanto Fallout 3 e New Vegas foram ótimas férias no mundo moderno pós-apocaliptico, o anúncio de que finalmente o mundo aberto medieval da Bethesda ganharia mais uma continuação foi demais para meu pobre coração. Mais de cem horas depois este fica invicto como meu favorito de 2012.


Battlefield 3

DICE – PC (2011)

Battlefield-3

Mas ainda não acabou a farra do PC, já que meu recente cansaço da série Call of Duty me levou a experimentar Battlefield 3. O jogo foi recebido com elogios e críticas mas eu fiquei com a parte dos elogios mesmo. Infelizmente sou ruim de doer no jogo, mas me divirto mesmo assim e o jogo põe um pouco de cérebro na fórmula “corra-que-nem-louco-atire-no-que-se-mexer” de Call of Duty.


Diablo 3

Blizzard – PC (2012)

diablo3

Dois mil e doze foi o ano em que finalmente a Blizzard deu o ar da graça com seu aguardadíssimo Diablo III. Engraçado que em Diablo II eu não entrei na febre de jogá-lo por mais de 400 horas como muitos faziam (e fazem até hoje), mas achei que iria entrar na febre em Diablo III. O jogo é bom — ainda que eu tenha algumas ressalvas — e me diverti um bocado, mas não fui tão fiel assim e logo passei para o próximo. A fila anda.


XCOM: Enemy Unknown

2K Games – PC (2012)

XCOM_Enemy_Unknown_Game_Cover

Para fechar o PC com chave de ouro, adquiri o fantástico jogo de estratégia em turnos XCOM: Enemy Unknown. Quem jogou o original não se decepcionou de forma alguma: XCOM apresenta a mesma fórmula da série Civilization, que é a síndrome do “só mais um turno”. Só sei que cheguei no trabalho como um zumbi duas ou três vezes após ir dormir quatro da manhã esperando mais um turno terminar.


Chrono Trigger, H.E.R.O. e Final Fantasy 6

Square Enix (SNES, 1995), Activision (Atari 2600, 1984) & Square Enix (SNES, 1994)

game room

Nem só de PC foi meu ano. Na frente retrogamer rejoguei alguns velhos amigos como Chrono Trigger que foi lançado no Android, H.E.R.O. no Game Room do Xbox 360 e Final Fantasy 6 no Super Nintendo (emulado) mesmo. Retrogames sempre terão lugar especial em meu coração e agora que smartphones têm emuladores de tanta qualidade meu passatempo ocasional sempre é uma partidinha de Mario, Pitfall, etc.


Metal Gear Solid HD Collection

Konami – Xbox 360 (2011)

Graças ao Gagá (ah miserável) fiquei sabendo de uma verdadeira pérola no Xbox 360: Metal Gear Solid HD Collection, contendo MGS 2, MGS3 e MGS Peace Walker. Destes três jogos. o MGS3 era um desafio pessoal, pois o tinha começado ainda no PS2 umas 10 vezes… mas nunca tinha passado da primeira missão. Comprei este remake em HD e fui direto para o MGS3, com espírito de “agora vai”. E foi mesmo: finalmente o risquei da listinha, ao mesmo tempo feliz por ter terminado um jogo tão elegante da franquia. Arrependido de não tê-lo feito antes.


Halo-4

Chegando no final do ano, o 360 reconquistou meu interesse com Halo 4. Sou fã incondicional da série que tanto me lembra as partidas online de Quake, e esta versão está fantástica em absolutamente todos os sentidos. Escrevo meu relato enquanto baixa o primeiro pacote de mapas para ele, então se pareço apressado no texto é porque estou mesmo. Baixou. Eric, entra na Live aê. Volto já, amigos. E um ótimo 2013 para todos!


BONUS STAGE DO MEME!

O Cosmic Effect convida os amigos dos blogs participantes do meme a assistirem o primeiro episódio de nossa nova série em vídeo sobre retrogaming: Retrowave.
Neste  primeiro episódio: F-Zero do SNES, Senhor das Trevas do Odyssey e SpellCaster do Master System. Com imagens capturadas diretamente dos consoles!
Espero que gostem!

* * *

Blogs Participantes do Meme

“O Que Você Jogou Em 2012″

Diablo, BioForge e a Revista OLD!Gamer Edição 11

Amigos do Cosmic Effect: há uma revista impressa no Brasil que trata somente da apreciação dos jogos antigos. Claro que vocês a conhecem, ela é única: a OLD!Gamer, da Editora Europa.

Gostaria de apresentar-lhes a edição atual da revista, de número 11. Nela, tive o imenso prazer de compor, em parceria com o nosso amigo Orakio Rob, O Gagá (quem mais? ^_^), uma matéria sobre Diablo, o original para PC.

Com relação ao jogo, foi uma experiência gamística como poucas: jogamos por inteiro, tiramos fotos sombrias dos labirintos e fomos devidamente hipnotizados pelo gameplay mágico da Blizzard. Até criamos uma VPN e jogamos online “como se fosse 1996”. Tudo para a matéria da revista mas, confesso: foi extremamente divertido, afinal, estamos falando de videogame.

Não dá pra ver direito com tanta vermelhidão, mas o Gagá amarelou feio quando viu o Butcher.

Depois de tanto clicar com o mouse em Diablo, era hora de clicar no editor de textos. Nesta etapa, aprendi tremendamente com o Gagá no que se refere às preocupações com a normatização da “coisa toda”, com o andamento de um texto que seria promovido à artigo de revista impressa.

Obviamente, mesmo sendo para uma revista, tudo começa no Word (ou no Google Docs). É você e o teclado, exatamente como acontece com o texto “de blog”. Será mesmo?

Nem tanto. Desta vez, você precisa ser mais cuidadoso do que de costume. E qual seria o prêmio por este cuidado extra? Este: É possível aprofundar-se mais, praticamente até onde o autor desejar. Não amigos, eu não me perdi, estou me referindo ao conteúdo impresso mesmo. Parece contraditório, não?

Na Internet, quando produzimos um artigo sobre um determinado jogo, sua liberdade teoricamente é máxima. Pessoalmente, sempre acreditei no benefício da auto-imposição de limites a esta liberdade.

Seja aqui neste espaço de máxima democracia que compartilhamos, seja numa revista impressa, acredito muito na ideia de que o conteúdo seja normatizado, polido e equilibrado. Sem excessos de informações pessoais ou opiniões excessivamente contundentes — afinal, o foco, o astro… sempre serão eles: os videogames. Nunca o autor. A conclusão do conteúdo apresentado é sua, somente sua. Sempre.

Irrelevante é o nível de paixão ou desgosto de um autor por qualquer jogo abordado num post, vídeo ou artigo impresso — acredito. Importa, sim, a qualidade da informação apresentada a quem ofereceu seu precioso tempo e honra de abrir uma aba do navegador para consumir o seu blog, canal de YouTube ou… folhear a revista.

Além deste artigo que tomou conta da capa da revista, tive a oportunidade de escrever sobre um jogo à minha escolha, para uma outra matéria. O próprio redator-chefe da revista, Humberto Martinez, ofereceu a possibilidade de escolher o título. Aliás, praticamente o H.E.R.O. do Atari este cidadão representa, só por manter esta revista de pé. Quantos países possuem periódicos impressos sobre retrogaming, em pleno 2012?

Como marinheiro de primeira viagem — desta vez, sem um experiente marinheiro à bordo escrevendo comigo — logo procurei um porto seguro… e BioForge, um título de MS-DOS pertencente ao “Top 3 Pessoal” foi o escolhido. Completam esta tríade os jogos Starflight do Mega Drive e Out of This World, este revisitado brilhantemente pelo próprio Gagá na edição número 4 da revista.

É um daqueles jogos que, todo ano, em algum momento mais introspectivo de sua vida, você decide ter o prazer de jogá-lo novamente. Vocês reconhecem este sentimento, cada um sabe qual é aquele seu Top 3 inseparável.

A escolha de BioForge para a matéria da OLD!Gamer trouxe a liberdade de esticar o braço buscando tudo que o título tem de bom, médio e também que poderia ser diferente. Joguei-o inteiro, pela enésima vez em quase 20 anos de “relação”. Fazia anotações enquanto jogava. Capturei imagens do gameplay que, efetivamente, foram para a diagramação da matéria. Um sonho.

Falando em diagramação, ah… os prazeres do alto valor de produção! Um revista de uma grande editora nacional, puxa, não dá pra explicar o sentimento de felicidade quando você recebe o PDF com a matéria diagramada. O leitor de PDF vai abrir, atenção… são os 2 segundos mais demorados da sua vida.

Sério, ao ver a beleza do trabalho de diagramação, questionei se realmente fui eu quem escreveu aquilo. O texto “soa” mais interessante quando há um artista gráfico definindo um visual desprendido do template de um blog.

E eles, muito simpaticamente, ainda seguiram algumas sugestões de minha parte quanto à apresentação visual. Pedi ao Alexei, editor da OLD!Gamer e o Yoda das orquestras de game music: “se possível, evite usar a mão robótica na matéria. É que ela está em 10 entre 10 matérias de BioForge…” O pedido simbólico meu foi respeitosamente atendido, olha só que legal.

É isso amigos, perdoem este desejo incontido de felicidade ao compartilhar com vocês este momento. Afinal, depois de ler tantas Ação Games, Videogame, SuperGame e GamePower nessa vida… estar do outro lado das páginas foi uma grande descoberta.

Agradecimentos sinceros a todos citados neste artigo. Estendo estes cumprimentos aos amigos leitores que compartilham conosco suas emoções gamísticas por aqui. Este espaço vivo, repleto de textos, vídeos e o doce som das músicas dos jogos é o nosso eterno co-op.

* * *

Sidequest:
Veja Gagá distorcendo os fatos do nosso encontro com o Butcher
em seu post sobre a mesma edição da revista, aqui :)

Torchlight II (PC)

Este artigo faz parte da série “Indie no Cosmic Effect”

por Danilo Viana

Aceita um pouco da história do gênero?

Por volta de 1980, Michael Toy e Gleen Wichman criaram um jogo de PC chamado Rogue, um RPG com regras baseadas no jogo de mesa Dungeons & Dragons. O jogo fez sucesso e criou um gênero próprio, o roguelike, caracterizado por jogos em turnos com fases geradas aleatoriamente e morte permanente do personagem.

Em novembro de 1996, a Blizzard nos presenteia com Diablo, um título inspirado no gênero apresentado acima, porém, com alterações substanciais. Foi mantida a geração aleatória de fases e itens, mas removida a morte permanente.

Combates em turnos são trocados por tempo real. O sucesso de Diablo foi tamanho que, novamente,  cria-se um gênero próprio: o action RPG. E duas enormes sequências vieram, assim como inúmeros clones.

Após Diablo II em 2000, a popularização das placas de vídeo nos PCs e a chegada da sexta geração de consoles, outros gêneros ganhavam popularidade e o ARPG começou a decair. Nada de novos megahits como outrora.

Em 2006, o mais próximo que tivemos de um grande sucesso do gênero talvez tenha sido Titan Quest, da Iron Lore Entertainment — mesmo assim, foi algo momentâneo e, hoje, é pouco lembrado.

Eis que, em 2008, uma nova empresa — a Runic Games — anuncia o lançamento do seu novo ARPG. A notícia cairia no esquecimento, não fossem alguns dos componentes desta desenvolvedora: os irmãos Max e Erich Schaefer e o músico e compositor Matt Uelmen, respectivamente os designers e o compositor musical de Diablo 1 e 2.

Com este time da pesada é lançado, em outubro de 2009,  Torchlight.

A herança de Torchlight torna-se imediatamente aparente para qualquer um que tenha jogado o clássico ARPG da Blizzard. Sucesso inesperado e uma ardorosa legião de fãs surge em seguida. Sabe-se lá se isso até ajudou a dona de Warcraft a decidir acordar sua antiga série?

Mas, nem tudo era iluminado em Torchlight: a falta de um modo multiplayer causou estranheza, algo até embaraçoso para a época. Por este motivo, o título falhou em conquistar uma parcela de jogadores famintos pela jogatina cooperativa.

Procurando remediar a situação e continuar o inesperado sucesso do seu novo ARPG, a Runic Games lançou, em setembro último, a continuação. Torchlight II promete corrigir os problemas encontrados no primeiro e evoluir a fórmula básica. Pelo visto, a promessa foi totalmente cumprida.

A história (agora do jogo mesmo)

Torchlight II segue a filosofia do antecessor, onde a história é uma mera desculpa para cair na ação. Sabemos que o heroi do primeiro jogo se corrompeu e iniciou uma busca pelos guardiões mágicos dos seis elementos visando controlá-los, sem explicitar direito o objetivo.

Sua missão é segui-los e derrotá-los: isto é suficiente para preencher os 4 atos que o compõem.

A ambientação foge do velho e batido tema da fantasia medieval, apostando numa temática steampunk. Quem jogou o recente shmup Jamestown já tem uma ideia do que vai encontrar aqui: espadas convivendo com armas de fogo, robôs movidos a vapor e uma pseudo-magia baseada num material chamado Ember, uma espécie de mineral com propriedades mágicas capaz tanto de movimentar máquinas quanto de corromper seres orgânicos que fiquem muito expostos a ele.

Mais frequentes e melhores explicadas do que a história principal, as sidequests que o jogador encontra dão aquele sabor especial e garantem a durabilidade de Torchlight II. Uma dica: vasculhe todo o mapa atrás delas. Assim, seu personagem sempre estará bem equipado e com níveis suficientes de experiência — “grinding-free” ou o seu dinheiro de volta.

Leia o manual antes de acender a tocha

As classes de Torchlight II são totalmente novas em relação ao primeiro jogo e seguem o jeitão steampunk. O Engineer é um especialista no uso de canhões, machados e máquinas; o Berserker mata a pau no combate corpo-a-corpo e no uso da fúria para aumentar dano e resistência; se armas de fogo a distância for seu estilo, o Outlander é o especialista, além de ser escolado no uso de venenos e magias. Por fim, não despreze o Embermage, pois ele converte a energia do Ember em magias poderosas de ataque direto, baseadas nos seis elementos do jogo.

Seguindo no passeio pelo manual, descobrimos que cada classe conta com quatro atributos básicos: Força determina seu dano com qualquer arma física (até mesmo à distância); Destreza aumenta a chance de esquivar de ataques e efetuar acertos críticos.

O Foco aumenta a reserva de mana e determina o dano de qualquer magia ou habilidade não física e Vitalidade aumenta seus pontos de vida e concede um bônus a sua armadura.

A cada nível conquistado, recebe-se 5 pontos para distribuir entre os atributos. Como de costume, este é o momento em que o estilo de combate de quem está com as mãos sobre o teclado e mouse é definido.

Um Berserker, por exemplo, pode optar por investir em Força para seus ataques diretos e em Vitalidade visando maior durabilidade para enfrentar inimigos a curta distância.

Por outro lado, um Outlander deve investir em Força para melhorar o poder das armas de fogo ou em Foco, se desejar melhorar suas habilidades debilitantes.

Não há uma única forma de distribuir os pontos. Cada classe tem pelo menos três builds principais para o jogador optar e, além disso, há bastante variação em cada build para tornar cada personagem único e interessante.

Loot, loot e mais loot

Um bom ARPG nunca será completo sem equipamentos cada vez mais poderosos deixados por monstros de igual perigo e, neste quesito, Torchlight II é decepção zero.

A cada momento, um novo equipamento é deixado ao chão e o jogador logo estará implorando por uma nova espingarda — ou Shotgonne (juro que não me equivoquei) — que vai melhorar suas chances contra as hordas inimigas.

Pedaços do mineral Ember podem ser encaixados em armas ou armaduras com slots livres, concedendo a estes equipamentos novas propriedades mágicas. Além disso, existem NPCs que vão conferir a um equipamento — por um preço, claro — encantamentos aleatórios que melhoram suas chances de sobrevivência.

Às vezes, aquela espada fraca mas que oferece bônus em vitalidade pode ser transformada em uma excelente arma após receber pedaços de Ember e encantamentos extras…

Você tem um animal de estimação? Pelo menos aqui, tem. Este bichinho — que pode ser um cachorro ou até mesmo uma águia — é simplesmente seu melhor amigo no mundo de Torchlight. Dá até para alimentá-lo com comidas especiais, transformando-o momentaneamente num “gato guerreiro”.

Em Torchlight II, ele até faz compras para você, o que evita quebra no seu ritmo de jogo para ir a uma cidade comprar poções.

A quantidade de equipamentos encontrada em Torchilight II é soberba. O chato é que nem sempre é óbvio a qualidade de certos itens, com tantos modificadores envolvidos.

O melhor é deixar o equipamento novo com seu animal, que serve como uma bela bagagem extra. Na calmaria, você decide se vai ficar com o negócio — caso não, manda totó vender na cidade e pronto.

Um passeio no parque… ou não

Torchlight II tem quatro níveis de dificuldade: Easy, Normal, Veteran e Elite.

Para o veterando em ARPG, os dois primeiros poderiam se chamar Very Easy e Easy numa boa. O jogo até enfatiza que eles devem ser escolhidos apenas pelo novato no gênero ou se o amigo jogador tiver dificuldades em se entender nas cenas de ação frenética.

Uma boa ideia da Runic rumo a alçar Torchilight II às massas.

Amigos, não tenham medo: os níveis Veteran Elite são os que trazem a verdadeira emoção. Se seu tempo for limitado, prefira o Veteran. Mas não dê vacilo, ou será morte imediata em diversas situações.

O Elite definitivamente não é para cardíacos: pode esperar incontáveis mortes até para os menores e mais fracos dos oponentes. Alguns fracotes te matam com um único golpe, imagine só.

A sugestão para os destemidos que querem começar no nível Elite é optar inicialmente por um personagem baseado em sobrevivência, com várias skills de proteção e uma grande vitalidade.

Ah, e não tem aquele lance de destravar nível de dificuldade não. Está tudo disponível desde o início. Não está se sentindo desafiado o suficiente? Simplesmente troque de nível.

Décadas se passaram, mas as raízes do Rogue não foram totalmente abandonadas. Se você estiver no clima… há o modo Hardcore.

Lembra da morte permanente? Pois é, aqui é assim. Perdeu todos os seus pontos de vida? Já era, comece um novo personagem. Uma coisa é esta característica em um Binding of Isaac da vida, que é curtinho — é até bem-vindo.

Agora, 30 horas depois de esculpir seu personagem e perdê-lo num passe de mágica (do inimigo, claro), é bom que seus nervos estejam em dia ou o mouse fatalmente será arremessado no monitor.

Torchlight ou Tristam?

Recordações. Após 5 minutos de Torchlight II, o jogador vai imediatamente se perguntar se não está jogando o endiabrado da empresa dos ventos gelados. Claro, com o compositor do famoso Tema de Tristan à bordo do time, muito do estilo musical desconstrucionista da série Diablo se faz presente em Torchlight II.

A trilha sonora é, sim, excelente; mas, por vezes, a sonoridade pesada das músicas não combina com o estilo cartunesco. Será que estou no jogo errado? Calma, a sensação passa quando você começa a explorar masmorras mais profundas…

Como um sinal de boa fé e seguindo o espírito Indie de Torchlight II, a Runic Games disponibilizou a trilha sonora oficial gratuitamente no site. Inclui até capa e contracapa para aqueles que ainda curtem imprimir suas próprias capinhas.

Baixe aqui.

Recomendado até pra quem não curte o gênero.

Quero jogar

Depois de finalizar a quest principal, são apresentados os modos New Game+ e, mais tarde, o New Game++. O jogo reinicia com todos seus itens e níveis, e aumenta a dificuldade dos monstros de acordo. É possível também transportar seu personagem para um novo ato, chamado Mapworks.

Basicamente, são mais fases aleatórias, com suas respectivas quests que garantem sua longevidade. Arrisco dizer que este é um daqueles em que a duração é infinita, ainda mais com a Runic Games prometendo DLCs com novos mapas, no futuro.

E claro, há o multiplayer. Crie salas com espaço para até seis jogadores e, acredite: até o esquecido suporte à rede local ressurge das cinzas.

Ah, completamente desprovido de DRM: se você comprou uma única cópia, sinta-se à vontade para chamar sua velha turma dos tempos de Duke Nukem 3D e Quake. Lembre que cada um deve trazer seu computador “com placa de rede” (risos) e dinheiro para pedir uma pizza umas cinco horas mais tarde.

Durando cerca de 35 horas, Torchlight II pode até não ser o maior jogo da atualidade; No entanto, com suas inúmeras sidequests, fases aleatórias e diversos personagens para escolher, o título apresenta um enorme valor de replay.

Difícil o jogador se contentar em terminá-lo apenas uma vez. Com tantos modos extras e multiplayer até via LAN, com certeza este “roguelike” será sempre lembrado — e jogado — por muitos anos.

SCORE

GAMEPLAY: Clássico ARPG que vai agradar fãs novos e de longa data 5/5
GRÁFICOS: Visual leve e cartunesco pode não agradar alguns, mas as placas de vídeo agradeceram: o jogo é bem leve 4/5
SOM: A voz dos personagens e narração dos NPCs é insossa, no entanto o som das armas compensa passando uma bela sensação da potência 3/5
TRILHA SONORA: O fantástico trabalho de Matt Uelmen, por vezes deslocado ao estilo visual, é uma excelente trilha em seu próprio mérito 4/5
DIFICULDADE: Com quatro níveis de dificuldade, agrada desde o jogador casual até o mais aficionado no gênero ARPG 5/5

DADOS

NOME: Torchlight II
PLATAFORMA: PC
DISPONÍVEL EM: Download, Steam
ANO: 2012
DESENVOLVEDORA: Runic Games
DISTRIBUIDORA: Runic Games

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Todos os jogos da série “Indie no Cosmic Effect” (até este artigo)

Jamestown: Legend Of The Lost Colony (PC) por Heider Carlos
Outland (X360) por Danilo Viana
VVVVVV (PC) por Émerson Watanabe
Insanely Twisted Shadow Planet (X360) por Danilo Viana
The Binding Of Isaac (PC) por Heider Carlos
Terraria (PC) por Heider Carlos
Torchlight II (PC) por Danilo Viana

Primeira Edição Do Joga Brasil – Entrevista com “SLotman”

Joga Brasil mostrará no Rio os games feitos no país

Nos próximos dias 28 e 29 deste mês, acontece, no Rio de Janeiro, a primeira edição do Joga Brasil, evento dedicado aos games desenvolvidos no país. Além de conhecer as produções atuais feitas por estúdios brasileiros, os visitantes também poderão mergulhar em um túnel do tempo e conhecer clássicos criados no Brasil, como o adventure Amazônia, feito para o MSX.

O nosso retro repórter Mario Cavalcanti conversou brevemente com José Lucio Mattos da Gama, o SLotman, responsável pela empresa de desenvolvimento de jogos Icon Games e organizador do Joga Brasil. SLotman adiantou um pouco do que o público encontrará no evento. Acompanhem abaixo e anotem na agenda, pois o encontro é imperdível – e o Cosmic Effect estará por lá realizando aquela cobertura cósmica em vídeo que vocês já conhecem! ;-)

Cosmic Effect – Como surgiu a ideia de fazer um evento para divulgar a produção nacional de games e quais foram seus principais motivadores?

SLotman – Eu estou desde 2003 no mercado de jogos – com a Icon Games – e uma coisa que notei com o passar dos anos é que muita gente desconhece que sequer existe a produção de jogos no país. As empresas brasileiras na realidade atual, se querem sobreviver, têm duas saídas: trabalhar com advergames ou então fazer jogos voltados para exportação. Em certos casos, algo curioso acontece: um jogo brasileiro é distribuído por um publisher estrangeiro, e chega “de volta” no país através de portais; os brasileiros compram sem sequer se dar conta que o jogo foi desenvolvido no país. Para iniciar uma reversão nesse quadro, foi criado o Joga Brasil, onde a ideia é divulgar os jogos que foram ou são desenvolvidos no país.

Cosmic Effect – Quais as expectativas para esta primeira edição? O que o público pode esperar como atrações?

SLotman – As expectativas são grandes. Apesar de ser o primeiro evento somente com produtoras brasileiras, conseguimos reunir uma gama bem diversificada de expositores, com projetos de todos os portes. O público com certeza poderá experimentar estes jogos e até mesmo conversar com os próprios desenvolvedores por trás dessas produções; mas além disso, temos outras atrações: palestras e mesas redondas (quem é do ramo, estudantes e interessados podem assistir a palestras no evento, que falarão de diversos tópicos relacionados ao mercado e ao processo de desenvolvimento de jogos); exposição da história dos jogos brasileiros (uma exposição que mostrará jogos desenvolvidos desde os anos 80, em diversas plataformas, como Odyssey, MSX, Amiga, Master System, Mega Drive, PC etc., até produções mais atuais – mostrando a evolução do desenvolvimento de jogos no país).

Um convidado especial, o Renato Degiovani (autor do primeiro jogo 100% nacional – o Amazônia) fará uma “palestra interativa”, um bate papo informal sobre o mercado de jogos no passado e no presente. E teremos também uma parte voltada para reunião de negócios, onde empresas que não estão expondo no evento poderão se reunir, com hora marcada com as empresas expositoras. A parte de divulgação do evento é muito importante, mas tão importante quanto é a geração de novas parcerias para que as empresas possam criar produtos cada vez melhores e de maior valor agregado. A ideia geral é propiciar ao mercado de jogos, o mesmo que ocorreu com o mercado de filmes nacionais, que antes eram mal vistos por boa parte da população, mas que atualmente conseguem inclusive superar bilheteria de produções estrangeiras.

Cosmic Effect – Como você enxerga o atual cenário nacional de desenvolvimento de games?

SLotman – É um cenário promissor. O Brasil está despontando como uma nova potência no mundo, está atraindo as atenções do mercado mundial, e além disso, o povo brasileiro já possui uma cultura “gamer” enraizada. Tem-se um potencial enorme ainda não aproveitado neste país, e uma enorme quantidade de gente que simplesmente não tem acesso a jogos. Grandes empresas como a Microsoft, Sony, Nintendo, Blizzard, Ubisoft já se deram conta disso; e cada vez mais teremos a presença dessas empresas estrangeiras em solo nacional. É importante, neste momento, um evento como o Joga Brasil, para mostrar à população que existem jogos feitos no país, e que todos os envolvidos nesse mercado têm um profundo desejo de não só fazer jogos aqui, mas também de fazer jogos voltados para a realidade nacional. E isso não necessariamente quer dizer fazer um jogo que tenha o Pão de Açúcar como cenário, ou que tenha um Saci Pererê, mas sim que se use o jeito brasileiro, a cultura e a diversificação desse país para se criar algo que a pessoa ao jogar se identifique.

Cosmic Effect – Como já dito, entre as atrações estará uma exposição sobre produções nacionais antigas, que mostrará clássicos como o jogo Amazônia, para o MSX, e adaptações como Mônica e o Castelo do Dragão, para Master System. Na prática, como será essa área de exposição? Especificamente em termos de retrogames, o que mais o público poderá conhecer de perto?

SLotman – Teremos cartazes explicativos demonstrando vários jogos, em ordem cronológica, mas teremos também na exposição máquinas rodando alguns destes jogos. Além dos citados, teremos Em Busca dos Tesouros (TK-85), Zorax (MSX), Barravento (Amiga), Didi na Mina Encantada (Odyssey – esse apenas uma adaptação), Incidente em Varginha (PC – não muito retrogamer, mas antigo e importante do mesmo jeito), entre outros. É algo muito interessante, pois vendo jogo a jogo dá para entender a evolução do mercado nacional ao passar dos anos.

Cosmic Effect – Que mensagem você gostaria de passar para os visitantes ou pessoas que pensam em ingressar de alguma forma no mercado de games?

SLotman – Acho que melhor que qualquer mensagem, seja dar um conselho: venham ao Joga Brasil! Não existe oportunidade melhor para se conhecer quem já está no mercado, trocar experiências e ver de perto a realidade do desenvolvimento de jogos no país. Tanto nas palestras, como nas mesas redondas ou mesmo na área dos expositores – todo o evento é focado na realidade brasileira, coisa inédita até então.

SERVIÇO

Joga Brasil

Data: 28 e 29 de janeiro de 2012

Local: Faculdade CCAA

Horário: a partir das 10h

Endereço: Av. Marechal Rondon 1460 – Riachuelo – Rio de Janeiro, RJ

Site oficial: http://www.jogabrasil.com.br

Entrada franca!

* * *

WoW: Muito MMO, pouco RPG

Por Eric Fraga.

O gênero nem é tão novo assim: Ultima Online, de 1998, teria inaugurado a era dos MMORPGs, que buscava inserir jogadores reais em um mundo aberto, onde a exploração e a história têm mais importância do que a ação. Jogar World Of Warcraft por quase 1 ano requer um esforço gamístico tremendo: é impossível jogar outros games, caso você deseje aproveitar (mesmo que razoavelmente) sua mensalidade de 15 dólares.

Sim, impossível.

Principalmente se você deseja participar das Raids, que são as “dungeons maiores e mais importantes” cujas visitas em busca de itens acontecem em grupos de 10 ou 25 pessoas.

Joguei World of Warcraft entre junho de 2009 e março de 2010. Não havia jogado MMOs antes, mas tinha uma boa idéia do que esperar por estar sempre lendo a respeito. Porém, procurava ignorar quando se tratava de algo mais detalhado sobre jogos que terminam com “craft” ou “world”, costumeiramente virando a página da revista ou apertando vários page down. Suspeitava que eles me fariam jogar menos jogos, que acabariam com a variedade das sessões de jogatinas. E eu estava…

…100% correto.

Como toda novidade, uma hora vamos nos sentir compelidos a experimentar: vide óculos 3D (do Master), Move e Kinect. Gostando de RPGs em single player, será que um role-playing game online seria a próxima etapa na escala evolutiva? Estaria eu perdendo a chance de estar participando de uma experiência mais densa em RPG eletrônico?

No início, parece mesmo um RPG single player. Você precisa subir de nível através de quests simples, distribuídas na vila ou cidade da classe escolhida. Quando percebe que o ponto do mapa onde seu jogo começa é de acordo com a classe, sente uma sensação muito gostosa de “mundo virtual” mesmo – único. Não sei dizer se isso é padrão entre todos os MMORPGs.

De qualquer maneira, jogá-lo no início, ainda sozinho, é um RPG sem novidades, old-school inclusive: quests descritas às pressas pelos NPCs e grinding por pontos de experiência, moedinhas e quem sabe uma armadura. Enxague e repita. O mapa indica tudo e onde você precisa fazer (isso sem falar nos inúmeros plugins  da comunidade que praticamente fazem seu personagem andar sozinho).

Não há condições de fazer nada em grupo com outros jogadores nos níveis iniciais do seu personagem. Ok, é bom para ir se familiarizando com interface, com a mecânica. Mas, fora isso, com exceção da  trilha sonora excelente, não há muito para ver: as batalhas, neste estágio inicial, são praticamente “Ys” (onde lutas são baseadas no ato de esbarrar no inimigo) uma vez que os inimigos apresentam uma AI muito simplória.

Mais tarde no jogo, nas dungeons e raids que são feitas em grupo, as batalhas ficam densas e ganham complexidade de RTS, exigindo realmente uma grande coordenação entre os jogadores e isoladamente.  Não vou tocar no assunto dos gráficos, pois é um “mixed bag”: tecnicamente é um jogo de PS1 renderizado no PC, porém o conceito artístico é muito bom mesmo.

De qualquer maneira, certamente WoW não teria o mesmo sucesso como single player: é muito fraco para um jogo de 2004. Mas claro que não é esta a proposta, tudo bem aí.

Apesar disso, o mundo é realmente grande e variado. Na época eu tinha acabado de sair de 160 horas The Elder Scrolls IV: Oblivion e a comparação era inevitável no que se refere ao tamanho do ambiente de jogo. Ambos são enormes, mas naturalmente a riqueza de Oblivion é incomparável à WoW, uma vez que o primeiro é desenvolvido apenas para um jogador; então, tudo que o cerca tem um teor mais aprofundado (ambientação, NPCs, batalhas solo e modo de contar a história).

Não me entenda mal: o “Mundo de Warcraft” é um belíssimo jogo, cheio de oportunidades e recompensador. A questão é que é um belíssimo JOGO; eu esperava um belíssimo RPG eletrônico, só que acompanhado de múltiplos jogadores. Não joguei The Secret Of Mana, mas os relatos da experiência cooperativa num RPG são sempre carregados de boas lembranças.

World of Warcraft poderia ser o que esperava, numa escala absurdamente maior. Mas uma cultura, contrária às minhas expectativas, se formou na comunidade do MMO: a cultura do “upar” e “raidar por loot”.

Pelo menos até o lançamento de Cataclysm, WoW completo possuía 80 níveis. Ao chegar no 60, você é “convidado” a fazer grinding na expansão “Burning Crusade”. Lá, um jogador da guilda que eu fazia parte, de nick “Spancation”, estava com seu Tauren no mesmo nível, então me convidou para fazer quests juntos – que é algo bem divertido.

Mesmo quests criadas para serem feitas solo podem ser feitas por uma party, naturalmente facilitando bastante. Os XPs são divididos, para compensar. Ao receber uma quest, eu realmente  lia o texto da mesma, exibida pelo NPC; me preocupava em entender a historinha por trás da minha pequena missão.

E a Blizzard capricha nos textos, por sinal, enriquecendo muito este lado. Mas meu companheiro de quests recebia a missão, cancelava o texto e saía correndo matar (vide o nick do rapaz…). Ele me perguntou: “Cara, você está com ping muito alto? Toda vez que a gente pega quest, tu fica aí parado!”

Não precisa dizer o tamanho do “LOL” que ele me mandou após ler minha resposta que dizia que a latência de minha conexão era baixa, e que aquele tempo era dedicado à leitura e entendimento da quest (para quem não conhece, é coisa rápida, 10 a 20 segundos apenas). Mas qualquer momento de WoW em que o jogador pré-80 não esteja “upando”, é perda de tempo – na cultura dos jogadores.

A coisa piora, amigos. O mapa de Warcraft online é dividido em zonas, como os jogadores costumam se referir às áreas relevantes do MMO. Cada zona normalmente possui um ou mais locais com NPCs distribuindo quests encadeadas.

Em um determinado momento, os XPs obtidos já não são satisfatórios matematicamente: a partir daí, o típico jogador do MMO larga as quests no meio e se manda daquela zona para outra mais recompensadora em pontos de experiência.

Sou daqueles jogadores de RPG eletrônico que gosta de snifar cada cantinho (maioria de nós, acredito). Terminar as quests de uma zona dá aquela sensação de missão cumprida, além de você deixar os NPCs “numa boa”. Isso não é loucura, é só role-play, não é mesmo? Spancation dizia: “Pronto, Cosmonal, já viu que as quests mudaram de cor? Vamos pra outra zona, dropa tuas quests aê!”. Puxa – disse eu – gosto de fazer todas antes de partir pra outro lugar. Mais risada digitada tive de escutar.

Ao completar o nível 80, começa um novo jogo: XP deixa de existir. Agora vai ser legal, não tem mais essa neurose de pontos de experiência a qualquer custo – pensava com minhas teclas. Vai dar pra explorar os tantos lugares que deixei de ir, as quests continuam recompensando com dinheiro e itens. Que nada. A palavra de ordem agora é “raidar”.

Com o tempo, você percebe que a neurose só mudou de mecânica: obter os emblemas, que na prática são outra moeda corrente, disponíveis somente ao completar dungeons ou salpicadas nas raids. Os emblemas permitem que se adquiria melhores armamentos, necessários para dar condições ao jogador de raidar com sucesso.

Meu problema com isso é que, pelo menos na época em que joguei, a “raid do momento” era a Icecrown Citatel – ou apenas ICC. Todos os domingos, o mesmo grupo de 10 jogadores repetia a mesma dungeon. Durante uns 3 meses seguidos. Porque em ICC tem a melhor gear. Ok, entende-se. Mas se arrisque a convidá-los a fazer uma outra raid, uma de níveis abaixo mas que você não conseguiu fazer no seu tempo porque ninguém queria – não fique para ouvir a resposta.

O trecho seguinte da coluna do Desslock tem minha total simpatia:

World of Warcraft é um belíssimo jogo da Blizzard, que nos trouxe o ótimo Black Thorne anos atrás. Mas ele “encoraja certos comportamentos que não conduzem ao roleplaying” como enfatiza o colunista da PC Gamer. Por mim, tudo bem. Mas só não chame de de “RPG online”. Parece que não estou mais sozinho.

Minha primeira e única experiência concreta com MMORPG foi com o WoW. Mas em 2003 foi lançado Star Wars Galaxies e, como qualquer fã de Star Wars & videogames, fiquei louco para jogar. Mas, na época, não estava “disposto” a pagar assinatura e não tive sucesso com os servidores alternativos.

O MMO não fez muito sucesso de qualquer maneira, apesar de estar ainda ativo, porém com servidores diminuindo a cada ano. Mas, uma luz no fim do (meu) túnel para o gênero de roleplaying game online se acendeu recentemente: Star Wars: The Old Republic, será lançado em 2011 pela Bioware, que dispensa apresentações em RPGs single player.

Ele promete ser o primeiro MMO que procura manter os elementos dos RPGs eletrônicos solo: NPCs serão ricos em história e será possível recrutá-los, na falta de jogadores reais para explorar seja o que você quiser explorar. Um curtíssimo preview que confirma as promessas aqui. Por este MMORPG, estou salivando. Se não estou enganado, até os diálogos dos NPCs são 100% falados.

“Ah, fica jogando single player mesmo, Eric, é o que você quer”. Provavelmente é uma preferência sim, mas que não me impediu de jogar World of Warcraft durante 1 ano inteiro e só ter terminado míseros dois jogos durante este período (Shadow of the Colossus e Ikaruga) – minha meta pessoal é jogar por completo a maior quantidade de jogos possíveis e anotar num caderninho a data em que vi o final, desde os tempos do Master System.

Quero dizer com isso que me dediquei bastante a WoW, a ponto de sacrificar o que me dá mais prazer com videogames. Claro que não foi uma tortura não, tive meus momentos memoráveis: a “primeira dungeon de 5 pessoas”, a “primeira battleground” e – claro – a primeira montaria púrpura, er, não, nunca me importei muito com color swaps.

Mas, no final, você olha o arco de suas realizações, digita o comando “/played” e descubre que 40 dias, 12 horas e 34 minutos foram dedicados ao jogo, em alguns meses. Minha “campanha” durou 972 horas, amigos.

No final, após já ter decidido que ia voltar a ser um jogador de videogame e computadores, eu estava apenas infiltrado na guilda que participava, que incluía meu amigo Danilo (que jogou quase o mesmo tanto e na mesma época – e que compartilha uma opinião similar).

Cheguei a ir para alguns encontros sociais do guilda. Meu objetivo naquele momento era sondar o perfil das pessoas com quem eu jogava e ouvia a voz no skype muito raramente (somente nas raids) para, um dia, compartilhar no nosso bloguinho. Juro que era por isso.

Alguns rodízios de carne e de pizza depois, descobri: World of Warcraft é “The Sims para gamer que foi hardcore”. Este “wowgamer” 1) passa a não falar de outros jogos, muito menos experimentá-los; 2) tudo é comparável à mecânica de WoW; e – por fim – 3) ele considera WoW o “ultimate challenge” dos jogos eletrônicos. I rest my case.

Será que é só um ataque hater de um retrogamer rabugento? Pelo menos  deu pra compartilhar  a experiência com vocês, amigos retrogamers, que me dão a impressão que percorrem um caminho mais completo e prazeroso jogando jogos variados não somente em gêneros, mas também em épocas. Claro que  existem 12 milhões que discordam de tudo exposto acima; mas isso é apenas WoW sob minha perspectiva. Missão cumprida e game over – em um MMO!

Nunca gostei de The Sims mesmo…

* * *

WoW – Depois do level 80

Por Marcelo Araújo

Iniciando a seção “World of Warcraft” do blog, falarei um pouco sobre os 2 jogos dentro de WoW. Assim como o nosso calendário se divide em “Antes de Cristo” e “Depois de Cristo”, WoW se divide em “Antes do 80” e “Depois do 80”. Isso levando em consideração que Cataclysm não saiu ainda, pois quando essa expansão sair, o level máximo será o 85. Para quem ainda não chegou no 80, não há muito mistério: apenas upar, de preferência fazendo instâncias e ganhando experiência (as duas: o xp e a prática), sem se preocupar com gear, apenas em ter o mínimo necessário para conseguir se virar durante o caminho. É muito útil também para aprender “wowtiqueta”: saber no que você pode dar need / greed, interação direta com outros players, etc. Mas, o foco desse post não é falar muito do jogo antes do 80, e sim quando você chega nele. Certamente, você já ouviu alguém falar que “WoW começa quando se chega no 80”. Desculpe-me, mas é a pura verdade. É comum, quando se chega neste nível, alguns players sentirem um “vazio”, achando que não há mais nada a se fazer, que o jogo “acabou”, etc. Ora, mas estamos falando de um MMO. A última coisa que a Blizzard quer é que você fique sem ter o que fazer :-) Então, a idéia aqui é apresentar uma “receita de bolo” do básico que você tem que fazer caso queira começar a raidar e aproveitar o conteúdo end game. Vamos a ela:

a) Você chegou hoje ao 80 ? Abra seu Dungeon Finder e faça sua primeira random para pegar logo seus emblemas de Frost;

b) Mas o que são emblemas de Frost e para que servem ? Aliás, para que servem emblemas ? Os emblemas de Frost são um tipo de moeda do jogo. Com eles você “compra” gear, (e mais outros itens, tais como gemas, materiais, etc) podendo trocá-los também por emblemas mais antigos, como Triumph, Conquest, Valor e Heroism;

c) Agora fiquei confuso. Para que servem tantos emblemas ? Cada gear disponível nos vendors tem um item level. As gears mais antigas são compradas com emblemas de sua respectiva época. O emblema mais valioso é o Frost, e com ele se compra gear Tier 10;

d) O que são Tiers ? Digamos que Tier é um tipo de gear diferente das demais. Cada classe tem seu set de Tier e ele dá 2 bônus para quem os usa: o de 2 e o de 4 peças. Quando se usa, pelo menos, 2 peças do Tier você ativa o bônus 2p dele. O mesmo vale para as 4 peças. A grande vantagem de se usar o Tier é o bônus. Como apenas 4 peças bastam para ativar os 2 bônus dele, é indicado que a 5a peça pega não seja Tier, pois essa peça extra, que é vendida no mesmo NPC que vende o Tier, geralmente é melhor do que sua correspondente no Tier. Os bônus do tier melhoram algumas habilidades de sua classe, seja com aumento de dano, armor, etc. Existem tiers para cada tipo de papel que você desempenhe: healer, tank ou dps. O tier a ser comprado com emblemas de Frost é o 10;

e) Já fez a random e ganhou seus primeiros frosts ? Faça mais randoms e vá juntando emblemas de Triumph para comprar gear T9;

f) Agora que você já é 80, vale a pena investir em enchants e gemas. Alguns dos melhores enchants do jogo só podem ser comprados em uma facção específica. Para isso, é necessário estar Exalted com ela. Falarei sobre as principais facções em um post futuro. Mas, para começar, você pode farmar reputação com Kirin Tor, que é a facção à qual Dalaran pertence. Para isso, vá em Violet Citadel, dentro de Dalaran, e compre a Tabard de Kirin Tor com o quartermaster de lá. Estando com ela equipada, cada mob morto em uma dungeon de level 80 que você fizer lhe dará uma quantidade de reputação. Quando ficar Exalted, é hora de trocar a Tabard;

g) Habilite os canais “General”, “Trade” e “Looking for groups”. 99% das coisas mais interessantes do jogo você vai aproveitar através desses canais, como invites para raids, eventos, dailies, etc;

h) Agora que você chegou ao 80, vai precisar mais do que nunca de gold. Uma ótima forma de farmar gold é fazendo quests dailies. Para habilitar as melhores dailies do jogo sugiro que você vá para Icecrown e faça todas as quests de lá, principalmente as do torneio e de Shadow Vault;

i) Quase tudo referente ao jogo pode ser encontrado no http://www.wowhead.com.

Por enquanto, é isso! Até o próximo post.

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