Gamix 009 – Full Throttle

Mini-Reviews: Catherine (Xbox 360)

Análises com um máximo de 1.000 caracteres para você ler enquanto toma um café

Este puzzle da Atlus vendeu 500 mil cópias. Metade deve ter ido parar nas mãos de adolescentes virgens em busca de um pouco de “sacanagem animética”. Mas se você pretende comprar o jogo só por causa do “boob factor”, pense duas vezes!

Catherine é sim meio safadinho, mas é um PUZZLE safadinho. E um puzzle daqueles infernais, descabelantes. Durante o dia, o herói enche a cara no bar com os amigos e tenta “gerenciar” duas garotas: a namorada que quer casar e uma fogosa e desinibida amante. Mas toda noite, um pesadelo o leva a uma enorme torre que ele deve escalar movendo blocos. É frenético, viciante e exige o domínio de várias estratégias.

A trama sobrenatural, que mistura sexo, horror e medo de compromisso, vai ter mais impacto sobre quem é casado ou já sente a pressão. Nos intervalos entre as fases, as decisões do jogador conduzem o protagonista para os braços da namorada ou para os seios da amante. Não vi os oito finais, mas adorei o louco destino que dei ao meu personagem.


TheBoss NewGame 006 – Warp

Conheça Warp, jogo com jeitão “indie-retrô” mas publicado pela Electronic Arts e que faz uso da Unreal Engine 3. Com visão “quase isométrica” e jogabilidade 2D, o título se mostra um excelente jogo de ação, plataforma e stealth, com muitos enigmas para serem resolvidos pelo jogador.

Com uma curiosa mecânica de poder entrar em objetos (e pessoas!), Warp é uma excelente pedida para fãs de jogos como Portal, onde toda a trama e o cenário é uma grande desculpa para resolvermos puzzles e mais puzzles.

TheBoss NewGame 006

Warp

 

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Metroid Prime Trilogy (Wii)

Olá pessoal! Para quem não me conhece, eu sou o Gagá, do Gagá Games, um blog especializado em jogos velhos. Acontece que volta e meia jogo coisas mais recentes e muito bacanas, mas que não se encaixam na proposta do Gagá Games. Por isso, pedi ao Eric um espacinho aqui no Cosmic Effect para falar sobre esses jogos. Espero que curtam os posts!

Por muitos anos, a franquia Metroid reinou suprema em um subgênero mais sombrio e sério dos títulos de plataforma. Há um consenso de que o ponto alto desse gênero foi o clássico Super Metroid (Super Nintendo, 1994), onde a mistura de saltos, tiros e exploração por cenários bidimensionais atingiu um patamar bastante elevado e difícil de ser superado.

Mas a Nintendo tinha uma surpresa para os jogadores. Em um momento de rara ousadia, a empresa entregou os rumos de Metroid ao Retro Studios, uma equipe ocidental até então desconhecida. Esses talentosos desenvolvedores resolveram sonhar tudo de novo, recriando a franquia com gráficos tridimensionais e ação em primeira pessoa. Nascia Metroid Prime (Gamecube, 2002).

O enorme sucesso de público e crítica abriu caminho para uma trilogia, com Metroid Prime: Echoes (Gamecube, 2004) e Metroid Prime: Corruption (Wii, 2007). Este último teve como maior atrativo os controles com sensores de movimentos do Wii. Dois anos depois, a Nintendo juntou os três títulos em uma edição especial, Metroid Prime Trilogy (Wii, 2009), que dentre outras coisas levou os excelentes controles de Corruption aos dois primeiros títulos. Foi justamente através dessa trilogia que eu conheci a série Prime.

Metroid Prime

O primeiro Metroid Prime veio com a difícil missão de convencer os antigos fãs da franquia de que era possível criar um jogo em primeira pessoa com a alma da série Metroid. Todo mundo ficou com a pulga atrás da orelha na época, porque era difícil imaginar Samus saltando e explorando mapas complexos com visão em primeira pessoa. Esse tipo de visão é mais usado em títulos com ênfase nos tiros, e não nos saltos.

Felizmente o Retro Studios operou um pequeno milagre, e a jogabilidade de Super Metroid parece ter sido transportada diretamente para Metroid Prime. Você escala árvores gigantes, pula de plataforma em plataforma e realiza acrobacias ousadas a grandes alturas. E o melhor de tudo é que em momento algum a visão em primeira pessoa prejudica a precisão dos saltos, tudo funciona incrivelmente bem.

A ambientação não fica atrás. O jogo apresenta a mesma estrutura de “salas” separadas por portas dos títulos anteriores, mas essas “salas” variam enormemente em tamanho e formato. Um longo e estreito corredor pode levar a um grande desfiladeiro, e em amplas áreas árticas você pode mergulhar em rios gélidos e adentrar túneis submersos. Isso faz com que cada tela perca o aspecto de “caixa de sapato” e contribui para convencer o jogador de que o mundo de Metroid Prime é real.

Além de belíssimos, os cenários exigem soluções criativas para serem transpostos. É como se cada sala fosse um puzzle. Nas cavernas de lava, um míssel certeiro em uma formação rochosa no teto faz com que ela desabe e forme uma pequena ilha. Nas ruínas, uma sala apresenta um engenhoso mecanismo que, quando acionado, abre passagens ocultas. É difícil não lembrar de Samus virando morph ball nas mãos de uma estátua dos Chozo para realizar uma tarefa parecida em Super Metroid. Aliás, Samus continua “virando bolinha”; nesses momentos, a câmera salta para trás da personagem, e somos presenteados com sequências vertiginosas de Samus rolando por túneis em alta velocidade.

Obviamente não falta ação, e você vai usar várias armas diferentes para travar combates com as criaturas alienígenas enquanto salta loucamente. É ação pesada e “acrobática”, com Samus saltando enquanto atira e tenta se esquivar do fogo inimigo. E não faltam momentos de tensão: quando as portas se fecham, as luzes se apagam e espectros alienígenas surgem diante de você, a adrenalina dispara.

O prazer em explorar o mundo de Tallon IV ganha força com o visor especial de Samus. Quando acionado, ele permite examinar criaturas, plantas e computadores. É justamente através dos registros coletados nos computadores dos piratas espaciais que a história vai sendo contada, e não por meio de longas sequências animadas com diálogo, tornando a sensação de exploração ainda mais real. Todas as informações coletadas vão parar no banco de dados de Samus, organizadas por categorias. No fim do jogo, você vai ter uma bela biblioteca digital sobre Tallon IV e se sentir um verdadeiro pesquisador espacial, coletando informações sobre as bizarras criaturas e vegetações do mundo alienígena.

A trilha sonora atmosférica e assustadora cai como uma luva, com músicas que grudam nos ouvidos (coisa rara em trilhas desse tipo). Os bizarros ruídos emitidos pelos alienígenas completam um pacote praticamente perfeito. Metroid Prime é um dos jogos mais fantásticos que eu já joguei, e podem me chamar de herege, mas na minha opinião ele não fica devendo nadinha ao clássico Super Metroid. É pau a pau.

Metroid Prime: Echoes

O segundo jogo da trilogia é o título “maldito” da série. Há quem o ame loucamente e quem o odeie com todas as forças, ambos com bons motivos.

A jogabilidade é basicamente a mesma, com equipamentos novos que trazem alguma variedade, mas você tem basicamente mais do mesmo em relação ao título anterior. E isso não é nem um pouco ruim, visto que tudo funcionava com perfeição no primeiro jogo, e continua funcionando aqui. A grande diferença está na ambientação.

Em Echoes, Samus vai parar no planeta Aether, onde uma equipe inteira da federação galáctica foi brutalmente assassinada por estranhos alienígenas. Logo Samus descobre uma estranha anomalia que dividiu Aether em dois planetas gêmeos, que ocupam o mesmo lugar, porém em dimensões diferentes. Aether é um planeta comum, com cenários variados, enquanto Dark Aether é uma réplica negra, com cenários em tons de roxo e preto.

Ao longo do jogo, Samus precisa alternar entre um planeta e outro através de portais, e as visitas a Dark Aether não são nada agradáveis. Além de estar repleto de criatuas negras assustadoras, que se movem pelo chão e pelas paredes como grandes poças de piche e ganham forma subitamente para atacar, Dark Aether tem uma atmosfera letal a Samus. A cada segundo em Dark Aether, Samus perde energia. Há algumas “ilhas de luz” que permitem recuperar a energia perdida, mas você acaba tendo que se afastar delas mais cedo ou mais tarde para explorar o planeta mais a fundo, e aí a tensão é constante: será que você vai alcançar a próxima “ilha” antes de sua energia acabar? Se alienígenas o cercarem, você vai ter que se preocupar com os danos causados por seus golpes e também com o tempo que está perdendo ali: quanto mais tempo durar o combate, menores serão suas chances.

Dark Aether é o ponto central dos elogios e das críticas a Echoes. Seus cenários são muito pouco variados, e a combinação de roxo e preto predominante em seus cenários é um tanto pesada e deprimente, cansando rápido. Some a isso o fato de que os inimigos aqui só caem depois de levar MUITOS tiros mesmo no modo easy, e você logo estará odiando cada jornada a esse planeta maldito com todas as suas forças. É fato que o design dos cenários não é tão variado e inspirado como o do jogo anterior, mas esse clima pesadão e odioso de Dark Aether, reforçado por criaturas que parecem se transformar em nuvens de enxofre e chefes monstruosos e arrepiantes, dá a Echoes uma atmosfera de terror que casa maravilhosamente bem com a temática de ficção científica do jogo. Eu, particularmente, acho que o ódio que eu sentia a cada visita a Dark Aether me aproximava da protagonista. Aposto que, se Samus fosse real, se sentiria exatamente como eu ao pisar naquele lugar sombrio.

Críticas à parte, há muitos pontos de interesse em Aether. O pântano de Torvus Bog, por exemplo, é um estouro. Nada como estar caminhando lentamente debaixo d’água e ser subitamente surpreendido por velozes… sei lá, cães alienígenas superdesenvolvidos e bastante adaptados à vida submarina. É assustador. travar combate ali, em clara desvantagem. Mas Samus já deve estar acostumada a esse tipo de situação, não é mesmo?

Com sua alta dificuldade e sua ambientação de pesadelo, misturando máquinas e criaturas horripilantes em cenários sombrios, Metroid Prime: Echoes não é para os fracos. Os novatos provavelmente vão detestá-lo, especialmente no final, onde só quem prestar muita atenção a todos os registros que coletar durante o jogo vai conseguir localizar as chaves do templo sem ajuda. Mas os veteranos que estiverem interessados em viver uma experiência envolvente e arrepiante como poucas vão enfrentar o tédio das paisagens de Dark Aether e se sentir incrivelmente recomepensados no final.

Metroid Prime: Corruption

A grande novidade de Corruption foi a adoção do sistema de controles do Wii, tido como um grande avanço sobre o controle dos dois primeiros títulos no Gamecube. Porém, como só fui conhecer Prime e Echoes já com os controles adaptados no Wii, vou comentar sobre Corruption sem levar em conta esse trunfo que ele teve sobre os outros na época de seu lançamento original.

Corruption talvez seja o mais ousado dos três jogos, porque abre mão de várias marcas registradas da franquia. Ele é bem mais linear do que quase todos os outros títulos Metroid, com a possível exceção de Metroid Fusion (Game Boy Advance, 2002). Sempre que você cumpre um objetivo, recebe um chamado do computador principal ou de alguma outra pessoa que indica para onde você deve seguir. Se você gosta de se perder pelos mundos alienígenas de Metroid, vai odiar isso. Eu confesso que não gostei, especialmente quando, lá pela metade da aventura, o jogo chega ao extremo de indicar no mapa a localização de todos os powerups escondidos, heresia total para os fãs mais tradicionais da franquia.

Por outro lado, a linearidade permitiu que o Retro Studios abandonasse os mapas enormes e investisse em variedade, espalhando a ação por vários planetas e ambientes menores e diferentes, porém com mais conteúdo e variedade, deixando o jogo mais denso. Ao contrário dos outros títulos, que apresentam longos períodos de exploração separando os eventos, sempre há alguma coisa bacana acontecendo em Corruption.

Outra quebra com a tradição está na equipe que trabalha com Samus. Esqueça os dias de jornada em completa solidão típicos da franquia: aqui Samus encontra e conversa com um monte de gente e toda hora alguém “liga para ela” para dizer alguma coisa. Some a isso o grupinho “Liga da Justiça” que atua ao longo da aventura… sabem aquela coisa de mulher que muda de forma, homem de gelo… achei uma presepada. Na verdade eu estava achando o falatório todo uma chatice até mais ou menos a metade do jogo, quando as coisas realmente começaram a melhorar. Algumas missões interessantes começaram a surgir, com ótimas sequências de ação muito bem roteirizadas. A cena em que Samus lidera uma equipe de soldados pelos túneis repletos de alienígenas perto do final, por exemplo, foi muito empolgante, e valeu o jogo inteiro. Pena o último chefe ser meio anticlimático, o encerramento poderia ter sido melhor.

A verdade é que, mesmo com alguns tropeços, Corruption é um excelente título. Por ser mais orientado à ação e confundir menos, acaba sendo mais light para jogar, parecendo quase uma massagem nos pés depois da pauleira que foi Echoes. Quem jogar até o final certamente não vai se arrepender.

Enfim…

Se você nunca jogou a trilogia Prime, tem um Wii e está com grana no bolso, vá voando comprar o seu Metroid Prime Trilogy. É um delírio completo. Quando comecei o primeiro jogo fiquei fascinado, e só de pensar que eu ainda tinha mais dois títulos para jogar em seguida eu já tremia de prazer. É um dos melhores investimentos gamers que já fiz na minha vida, e recomendo fortemente a todos. Os três jogos têm uma qualidade extrema e não podem deixar de constar no seu currículo.

Quem já jogou os dois primeiros Primes no Gamecube também deveria conferir. Com certeza os controles do Wii vão acrescentar uma nova dimensão à experiência toda, e você vai se sentir jogando pela primeira vez. O único porém é que a coletânea do Wii foi lançada em esquema de edição limitada (que já esgotou faz tempo), e atinge preços consideráveis no eBay (usada a partir de 60 dólares, lacrada a partir de 100). Mas acredite, vale cada centavo do seu suado dinheirinho.

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The Secret Of Monkey Island (PC)

Amigos do Cosmic Effect: estamos iniciando uma série com posts sobre jogos do gênero adventure. É sempre gostoso relembrar os clássicos que nos contavam divertidas histórias através (principalmente) do clique do mouse. Estamos vivendo um modesto revival do gênero, com relançamentos de antigas franquias em novas plataformas e alguns jogos inéditos, principalmente para os computadores. Mas a nata mesmo está no final dos anos 80 até meados dos 90… Quem nunca jogou um adventure hilário e deu gargalhadas incríveis, sozinho, de frente para o monitor? Ou quebrou a cabeça com um puzzle, mesmo quando não estava jogando? Se você ainda não teve este prazer gamístico, tomara que nossa série o estimule! :)
Nosso post de estréia é do Sérgio Oliveira, que é mais um baiano participando conosco neste blog. Conhecemos o Sérgio numa convenção de Star Wars que aconteceu em Salvador recentemente — um fã de carteirinha dos adventures, consome o gênero como se não houvesse amanhã jogando os retrogames que não conhecia, assim como os novos títulos que são produzidos.
Espero que gostem!

Por Sérgio Oliveira

Preparem-se cães sarnentos, pois neste grande clássico do gênero adventure, criado pelo mago Ron Gilbert e produzido pela mítica LucasArts, auxiliado pelas lendas Tim Schafer (Full Throttle) e Steve Purcell (Sam and Max), começa a maior saga bucaneira dos games. The Secret of Monkey Island é um daqueles jogos que atestam a beleza de ser retrogamer.

Você se locomove e interage através do “revolucionário” Point and Click; os puzzles são lógicos ou ilógicos, porém consistentes com a fantasia do universo. Há total despreocupação com o fator morrer, deixando o jogador experimentar à vontade. O soundtrack original esbanjava charme e era divertido até pra quem não tinha placa de som. O gráfico desenhado de rostos “estouradinhos” quadriculados era impagável, assim como espiar o inventário carregados de itens. E as árvores de diálogo que muitas vezes não te levam a nenhum lugar além de uma piada? Sem falar na mística ambientação do caribe, cercada por voodos, piratas, lendas incoerentes e o nascimento de um arqui-inimigo. Tudo isso representa praticamente um espelho da série de filmes Piratas do Caribe, com certeza o maior paralelo que se pode traçar para os não conhecedores deste título genial que, importa informar, precede – e muito – a trilogia de Hollywood.

A LucasArts, na chamada era de ouro dos games do gênero, cria nesta obra uma referência absoluta que passa a ser parâmetro de qualidade a todos os futuros adventures. Piadas que te fazem até parar de jogar… mas, devido a melhor das razões: rir, gargalhar até. Tudo isso na frente do monitor de um micro-computador. Não é raro o jogador parar um pouquinho e pensar alto “ Que tirada genial”.

Para situar o amigo leitor na trama: você joga com Guybrush Threepwood, um jovem que decidiu dar um rumo em sua vida com uma simples sentença: “I want to be a pirate!”. Com essa aspiração, perfeitamente comum a qualquer pessoa, ele ruma ao seu primeiro destino: o SCUMM™ Bar. Lá, o simpático e ingênuo herói encontra os mais conhecidos e embriagados piratas do Caribe, enchendo a cara de “Grog”: uma bebida tão ácida que tem de ser consumida antes que o barril derreta.

Das grandes figuras da pirataria, Guybrush recebe um teste dividido em três objetivos, que é tido como condição para alguém poder se intitular pirata. No entanto, o verdadeiro desafio a ser enfrentado é a nova ameaça do Caribe representada pelo Pirata Fantasma Le Chuck, um capitão que se tornou um amaldiçoado depois de zarpar para descobrir o segredo de Monkey Island. Esta descoberta seria um presente que pretendia dar ao seu amor platônico, a encantadora governadora Elaine Marley.

O game é cercado pelo cômico e criativo. As ilhas, por si só, são atração à parte: é como se cada uma tivesse uma ideologia própria que se reflete no visual e no estilo de vida dos habitantes e comércios.

Sobreviva nesse ambiente sarcasticamente hostil, seja na arte de aprender como um duelo de espadas entre piratas é, na realidade, vencido pela qualidade dos insultos verbais (e não por habilidades espadachins), quanto descobrir que nem no Caribe as pessoas estão livres dos maliciosos revendedores de veículos usados. No caso, navios…

Há um personagem dentro tantos incríveis que vale destaque: na figura de revendedor de navios usados no primeiro capítulo da série, conhecemos Stan, um dos indivíduos mais articulados dos games. Um homem que se adapta bem as mudanças de tendência dos consumidores. No segundo game é um revendedor de caixões usados. “Stan’s Previously-Owned Coffins”, um bom negócio já que “os clientes nunca retornam para reclamar” segundo ele próprio; no terceiro, já como corretor de seguros de vida, Guybrush o encontra após soltá-lo de um dos caixões que vendia no game anterior (Sim, nós o prendemos num caixão…).

Não posso deixar passar o fato de que no quarto título ele veio a se tornar um fabuloso corretor de imóveis e, finalmente no último, Tales of Monkey Island, vende souvenirs de um julgamento de grande projeção que está ocorrendo. Stan fala gesticulando como o mais “nobre” dos políticos mentirosos, sempre com um sorriso branco cristal que “inspira a melhor das confianças”. É um esteriótipo do capitalismo selvagem em pleno ambiente caribenho.

Outra passagem genial de Monkey Island é a luta de espadas com insulto, o “Insult Sword Fighting”. O oponente insulta Guybrush, e este insulto deverá ser devolvido com a resposta equivalente a aquela ofensa. Depois de uma quantidade de “lutas”, o jogador assimila as respostas pré-moldadas a serem selecionadas nas opções de diálogo e a coisa flui deliciosamente.

O sistema por si só é genial no contexto do jogo: é como se os designers do game tivessem conseguido trazer a luta de espadas típicas dos contos de pirata para um “adventure”, sem torná-lo uma peça de ação. No que diz respeito ao humor, é hilário perceber como os bucaneiros se ofendem infantilmente, remetendo aos bate-bocas de crianças na escola. ”You make me want to puke”. Resposta: “You make me think somebody already did. (“Você me faz querer vomitar” ,  “Você me faz pensar que alguém já o fez”).

Não dá mais para abordar esta franquia sem citar o remake, batizado de The Secret of Monkey Island Special Edition. Com a repaginada, o clássico ganhou gráficos renderizados em HD que caricaturam um pouco mais os personagens e ambientes sem estragar o espiríto original. O 2D foi mantido, a trilha sonora foi remasterizada e os diálogos foram totalmente dublados. O antigo quadro de verbos foi substituído por um simples clique do mouse com a opção mais adequada ao pixel clicado.

Foi adicionado um “botão nostalgia” sensacional: através dele, temos acesso imediato aos gráficos e sons do original, em qualquer instante. Tudo como deveria ser — tornando o remake uma experiência completa.  Quem é fã da série não resiste em trocar o visual a cada ambiente novo, apenas para embriagar-se na nostalgia. Ah, é válido informar que é sempre possível rodar a versão original através do programa intitulado ScummVM (nítida homenagem) encontrado no site http://www.scummvm.org/.

Só fiquei sentido com o fato de a LucasArts não ter lançado a edição especial em caixa, para nenhuma das plataformas (ele está disponível também para PSN, XBLA e Mac). Quem é colecionador adora ter os seus games favoritos na estante, ainda mais quando se trata da melhor saga de adventure de todos os tempos…

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Todos os jogos da série “Adventure no Cosmic Effect”

The Secret Of Monkey Island (PC) por Sérgio Oliveira