Gamesfera 001 – Não Dá Pra Confiar Num Humano Renderizado

Amigos do Cosmic Effect: conheçam a série Gamesfera, onde Arnaldo nos trará bits de conhecimento técnico-gamístico a cada novo episódio para um posterior co-op com todos nós.

No primeiro vídeo: um pouco de reflexão acerca da validade das cutscenes na atualidade dos games. De Monkey Island até The Last of Us, estamos andando pra frente ou perdemos a referência?

TheBoss 013 – DeathSpank: Thongs Of Virtue

DeathSpank: Thongs Of Virtue é um adventure que pega emprestado as mecânicas de MMO, confunde-se com RPG de ação e tem Ron Gilbert no comando. Palavra-chave: Guybrush Threepwood…

TheBoss Informa 08/04/2013 – Fim da LucasArts? Xbox 720? Far Cry? Doom 4? Minecraft?

TheBoss Informa, seu resumo semanal de notícias relevantes e irrelevantes sobre games.

Nesta edição, choramos copiosamente no dia em que a música e a LucasArts morreram, ficamos na dúvida se preferimos Minecraft ou Terraria, cruzamos os dedos por Doom 4, geramos um “WTF” coletivo com novidades sobre Far Cry 3: Blood Dragon, damos mais munição para os sonystas detonarem o novo Xbox e mostramos um pouquinho de Fuse para vocês irem se animando.

Assistam, comentem, e por favor, cliquem no botão “Curtir” do YouTube para ajudar a equipe do TheBoss a financiar o desenvolvimento do primeiro RPG com piratas motoqueiros da história!

TheBoss Informa 08/04/2013

 


Game Music Original > Eternal – Batalha Do Cérebro

Amigos, continuando com a insistência em busca de espaço nas playlists de vocês (risos): hoje temos a música que foi composta para a batalha com chefe do shmup imaginário “Eternal”.

O primeiro artigo desta série trouxe justamente a música da abertura deste jogo (que não existiu). Mais agitada do que a anterior — mas não muito — apresento-lhes a música que poderia se chamar “SOUND TEST…STAGE 1 BOSS [PRESS A TO PLAY, B TO STOP]“.

Enquanto sigo sonhando em fazer parte de um sound test um dia, cliquem play abaixo e escutem a tentativa de uma VGM mais “moderninha”. O trecho mais tenso e mais interessante da música fica no meio.

Talvez combinaria bem com uma batalha de jogo de nave — nunca saberemos. Detalhe: se fosse realmente a versão para o game, a música entraria em loop. Aqui é a versão, digamos, da “OST” do jogo imaginário; portanto, ela tem um final.

“Eternal – Batalha do Cérebro (by Cosmonal) [2010]”

E na Bonus Track totalmente empoeirada, uma música curiosa. Ela não está no sound test de Flashback (do Mega Drive, pelo menos).

O clima cinemático inesquecível deste clássico deve-se muito ao fato de haver alternância entre momentos com trilha sonora e completo silêncio musical. Como em um filme, certos momentos ganhavam temas bem curtinhos. Não conhecia um jogo de console com esta característica até ali, somente adventures da LucasArts com sua poderosa tecnologia iMUSE.

Curiosamente, nenhuma destas músicas estão no sound test do jogo; portanto, não entram nas coletâneas de OST que costumamos baixar em tempos de Internet. Portanto, amigos, é possível afirmar com segurança: essa é obscura, MESMO (risos). Afinal, para ouvi-la, só jogando.

Muitos de nós jogaram Flashback uma dezena de vezes, seja no Super NES, Mega Drive ou no MS-DOS (ou Amiga, claro). Em uma tarde de sábado, decidi jogar fazendo “role-play” enquanto controlava Conrad, gravando e editando em VHS. “Editando” = pressionar PAUSE e manter o REC aguardando até o próximo momento interessante ou cutscene (risos).

Aquelas animações eram incríveis: bastava o jogador ser caprichoso no joystick que as cenas pareciam cinema na tela da sua TV. Ou, pelo menos, um bom desenho animado. Um Zillion mais americanizado, se você me permite. Ainda que o jogo seja francês: Flashback é basicamente o enredo de O Vingador do Futuro. Uma delícia :-)

Caso alguém tenha curiosidade, pode dar uma olhadinha neste playthru digitalizado da fita de vídeo aqui. Seria este o primeiro Cosmic Cast, em 1993? (risos)

E, no dia seguinte à “gravação do Let’s Play sem narração”, fiz a versão de uma destas músicas rápidas de Flashback do Mega Drive, no teclado. Como ela não é mencionada no sound test… ficou Flashback – Battle Theme (1993) mesmo.

Compartilho mais uma vez com vocês, amigos, a empolgação de um adolescente e seu teclado ao lado do videogame…

“Flashback – Battle Theme (by Cosmonal) [1993]”

Como acredito que mesmo os que jogaram provavelmente não vão lembrar (toca esporadicamente, afinal) aqui está a original (link para um ponto do jogo exato onde ela é reproduzida ).

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Full Throttle (PC)

Este post faz parte da série “Adventure no Cosmic Effect”

“Sempre que sinto cheiro de asfalto,
penso em
Maureen.”

Com essas palavras, em 30 de abril de 1995, surge o adventure mais rock and roll de todos os tempos: Full Throttle, mais um produto da mente imaginativa de Tim Schafer, patrocinado pela LucasArts. Aqui, o que vale é a atitude de Ben Whatsisname – um personagem marcante, seja nos trejeitos de coçar a densa barba, seja ao deixar mulheres no rastro de fogo do potente motor de sua motocicleta ou, ainda, mostrar a barmans punks a devida função de um piercing no nariz.

Situado num futuro industrialista não muito distante da nossa realidade, as motocicletas estão acabando no mundo e só existe um grande fabricante das clássicas – a Corley Motors (em clara referência a Harley Davidson). O braço direito do apaixonado dono deste império de motos está tramando transformar tudo num conglomerado de minivans. Cabe a você na pele de Ben, o líder da gangue Polecats, enfiar o pé na porta e proteger o seu estilo de vida.

O velho Corley e seu executivo maquiavélico Rip Burger conhecem os Polecats na estrada, após Ben arrancar uma estatueta de metal da ponta da limosine com sua Moto. Corley se empolga ao ver a vida “livre” que ele havia idealizado para si mesmo, antes de transformar sua paixão num grande negócio. Assim, ordena que parem o carro num pub mais a frente, onde acaba por beber e confraternizar com a gangue.

Logo fica claro, até pelo tom de voz de Rip Burger, seu desprezo por tudo que aqueles motoqueiros representam. A partir deste personagem, é possível elogiar toda a dublagem do game, de altíssima qualidade. Mark Hammil – o eterno Luke Skywalker – dá o tom vilanesco necessário para o jogador sentir desprezo por Burger, na mesma medida que a voz de Ben (Roy Conrad) dá a segurança do protagonista “durão”.

A interface de interação do Full Throttle já rompe com o estilo clássico da LucasArts, baseado na tabela de verbos. O “puzzle solving” ocorre a partir das escolhas feitas num painel que surge ao a pressionar o botão esquerdo do mouse.  Nesta divertida interface, estão presentes os ícones que permitem usar a boca, os olhos, a mão e o pé, além do tradicional e indispensável inventário. A agressividade inerente ao universo que o personagem está inserido é representada, inclusive, na arte desta ferramenta de interação – um verdadeiro trunfo de design. A mão em formato de esganar alguém, a bota pronta para chutar o que estiver no caminho e a caveira dando o tom rock’n roll – têm tudo a ver com o estilo de vida do personagem.

Full Throttle deixa claro, durante toda a aventura, que sua essência é a de acompanhar um homem que resolve as coisas da maneira mais direta possível. Ben é um anti-herói que não vai hesitar em derrubar uma porta só porque tem alguém atrás dela. Nas palavras do personagem: “Posso roubar e posso até machucar algumas pessoas de vez em quando; mas tudo por uma boa causa: autopreservação”.

A última imagem retrata precisamente essa idéia: o barrigudo caído (Todd) possuía em sua oficina uma ferramenta que Ben precisava. O motoqueiro, com toda sua educação, adentra da maneira mais convencional possível. Bate na porta, aguarda o preenchimento do olho mágico, e solta um belo chute. O jogador não pensou muito para resolver esse puzzle, mas a sensação é impagável.

Graficamente, o clássico da LucasArts tem algumas peculiaridades que merecem destaque. Além dos cenários com horizonte amplo, que contribuem para a sensação de aventura “on the road”, todos os personagens têm animações interessantes, cujo maior mérito é dar a impressão de vida ao ambiente.

Full Throttle conta com um sistema de filme interativo quando você cai na estrada com a motocicleta: dá pra trocar de pista com o mouse e clicar quando avistar a placa equivalente ao lugar que deseja ir. Uma adição interessante ao ritmo típico dos adventures, contribuindo com a imersão do biker e sua moto. Por sinal, esta é quase uma extensão do próprio corpo de Ben, como ele mesmo gosta de dizer se o jogador tentar andar em direção à estrada: “ I don’t walk” (não ando a pé).

Ainda se referindo aos trechos filme interativo/ação de Full Throttle: a princípio, muitos podem estranhar um adventure da LucasArts com alguma ação de verdade; no entanto, é mais um “hit” da genialidade do Tim Schafer.

A ação aqui não é um fim, mas sim meio para uma maneira pecular de solucionar charadas. Ao colocar o pé na estrada, você vai conhecer as diversas gangues através das figuras dos hostis motoqueiros. Cada biker apresenta uma arma diferente que poderá ser adquirida por Ben, sendo que alguns vão precisar do uso especifico de determinadas armas para serem vencidos. Ou, ainda, vencê-los pode significar conseguirmos o que for necessário à continuação da aventura.

Em determinado ponto do jogo, por exemplo, é necessário conseguir dois itens para avançar: o turbo, que deve ser adicionado à moto e que um dos motoqueiros que encontramos possui – sempre tirando com a cara de Ben ao cair fora em super velocidade – e os óculos especiais usados pelos Cavefish, gangue com visual baseado no povo da areia de Star Wars. Ambos oponentes só podem ser vencidos com armas específicas.

A partir da peculiaridade de como derrubar esses oponentes de suas motos, de modo a adquirir os seus respectivos itens, surge o puzzle. Nenhuma arma além da corrente vai te fazer vencer o dono do turbo: pelo raciocínio “adventuresco”, somente esta poderia enrolar e segurar o individuo em disparada. Na mesma linha, a paulada que deve ser dada com uma tábua de madeira nos Cavefish: se eles autodestroem-se antes de ceder sua tecnologia, que outra melhor maneira de colocar alguém para dormir que uma bela cacetada na cabeça?

Olhando por cima, Full Throttle é um game sério com altas doses de sarcarmo (bem adultas) e repleto de referências que fazem rir os apreciadores da cultura pop.

A fotógrafa Miranda, que tem importante participação na trama, chega ao ponto de mandar um “Help me Ben, you’re my only hope” – referência à frase da Princesa Léia direcionada a Obi Wan Kenobi (também chamado de Ben Kenobi no filme) em Star Wars Episódio IV.

Como não citar o velho dono da loja de Souvenirs? Encontra-se nas imediações do estádio de “Demolition Derby” da Corley Motors: o personagem possue um chapéu de refrigerante, e pede para que Ben não roube nada de sua loja – mas isso é exatamente o que o jogador pretende fazer lá.

Além dos personagens pitorescos, o game trás também situações emblemáticas funcionando como verdadeiros clímax na história. A apresentação das Minivans, por exemplo, é quase como um daqueles momentos em filmes no qual o expectador acha que tudo está perdido. A sensação é de “oh não, vão extinguir os motoqueiros”. De repente, um mundo sem motoqueiros seria um lugar sem graça.

Full Throttle tem grande importância para mim e muitos jogadores de PC dos anos 90, não só por ser um grande adventure, mas por ter sido o primeiro que joguei, quando ainda era uma criança.

Meu pai havia jogado e, então, apresentou-o para mim – uma vez que, na época, já havia sido legendado em português pela Brasoft. Já terminei várias vezes (tudo bem que é curto) e lembro de bastante coisa, mas se a memória ou o raciocínio falharem… posso me valer do walkthru elaborado pelo meu velho, que vou homenagear na figura do “Father Torque” – mentor do Ben que não fica claro se realmente é seu pai no game. Enfim, gostaria de disponibilizar, à título de curiosidade para os amigos do Cosmic Effect, o link para quem quiser fazer o download deste hintbook de origem baiana, no melhor estilo “formatação arquivo .NFO dos anos 90” incluindo FILE_ID.DIZ e arte ASCII no TXT! Recomendação adicional para os aficionados pelos bons tempos do MS-DOS e BBS :)

Download hintbook (com saves) de Full Throttle

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Todos os jogos da série “Adventure no Cosmic Effect”

The Secret Of Monkey Island (PC) por Sérgio Oliveira
Full Throttle (PC) por Sérgio Oliveira