Cosmic Fast #10 – MSXRio’2011

MSX. O microcomputador de muito brasileiro marmanjo que hoje trabalha no ramo da computação.

MSX. O microcomputador que era considerado um “videogame de luxo”.

MSX. O microcomputador que…

…foi tanta coisa, pra tanta gente. Aqui no Brasil, foi um sucesso nos anos 80, e alguns dizem que ele até salvou o país do crash dos jogos eletrônicos, que acontecia nos EUA. Mas o MSX foi muito mais do que isso: é motivo de paixão de micreiros de várias partes do mundo, especialmente no Brasil. O Mario Cavalcanti, nosso correspondente do Rio de Janeiro, foi até o encontro MSXRio’2011, organizado pela comunidade de MSX mais antiga em atividade no Brasil. O encontro, que acontece anualmente desde 1996, é um negócio super-divertido: imagina um “fliperama com todo mundo só jogando MSX”. Ou seja, uma espécie de variante do paraíso.

Mais do que a cobertura do encontro, este Cosmic Fast é um convite à celebração do computador mais videogame que já existiu. Sem mais delongas, prepare-se para curtir o MSX em Full HD no…

Cosmic Fast

Edição #10: MSXRio’2011

Canais somente com vídeos produzidos pelo Cosmic Effect

* * *

Cosmic Fast #9 – Guinness & E3 2011

Você sabia que os seios avantajados de Lara Croft foram aumentados em 150% por acaso, enquanto o artista Toby Gard brincava com seus vetores? Sabia que os membros da equipe viram o que ele fez e disseram “ficou bom, deixa assim, Toby”?

Ou então que o jogo mais curto oficialmente lançado é o Jack In The Dark, um spin-off criado para promover Alone In The Dark 2?

Que tal esta: sabia que o programa de TV que mais provocou ataques de epilepsias é um episódio de Pokémon veiculado em dezembro de 1997, desencadeando 635 ataques epilépticos?

Ou esta: sabia que o maior funeral para um objeto fictício que já aconteceu foi no dia 23 de novembro de 2006, onde 80 pessoas de luto se reuniram no lançamento de Guitar Hero II em Londres, honrando a morte definitiva da… air guitar?

Essas e outras informações, úteis ou não, mas certamente curiosas para os amantes da cultura gamística, serão exibidas numa sessão de leitura da primeira publicação oficial do Guinness somente com recordes relacionados aos jogos eletrônicos: o Guinness World Records Games 2008. O livro conta com a parceria de nada menos do que a Twin Galaxies,  autoridade mundial em estatísticas de videogames desde 1981.

Além disso, o momento é propício: a E3 2011 acontece nesta semana e já é uma das mais esperadas de todos os tempos: com a indústria dos videogames exercendo o papel de “I’m the king of the world” do entretenimento, algumas conversas sobre uma possível bolha estar se formando e de que ela estouraria a qualquer momento surgiram por aí. Eis que vem a Nintendo e anuncia que uma nova geração esta por vir – surpreendendo desde o simples dono de Wii até os maiores colunistas do assunto, pondo um fim nessa conversa de crash. Mais recordes para o Guinness dos games? Veremos em breve. Enquanto isso…

…viaje conosco nos recordes oficiais do passado da indústria que já tem idade suficiente pra ter muita história para contar. Este Cosmic Fast pretende passear com vocês, amigos apaixonados pela indústria dos jogos eletrônicos, nas páginas do livro conhecido como “Bíblia dos Games”. O vídeo é um grande amálgama de assuntos abordando literalmente desde o Magnavox Odyssey até jogos da geração atual – tem para todos os gostos neste episódio. Como de costume, uma bela trilha sonora gamística com músicas finas que vão de Vampire Killer a Mass Effect…

A última: sabe quem foi eleita pelo Guinness a mais sexy personagem de jogos de luta?

Já já, no…

Cosmic Fast

Edição #9: Guinness & E3 2011

Deseja conhecer mais e mais recordes e
curiosidades da indústria dos videogames?
Seus problemas acabaram:

Cosmic Fast

Edição #9: Guinness & E3 2011 (Edição Estendida)

(mais conteúdo, mais footages, trilha sonora de fundo mais variada e
bônus especial, exclusivo do Cosmic Effect, no final da Edição Estendida)

Canais somente com vídeos produzidos pelo Cosmic Effect

* * *

Fatman (MD)

Muita água rolou por debaixo da ponte, antes de Street Fighter II revolucionar os jogos de luta um-a-um. Heavyweight Champ, da SEGA, de 1976, é creditado como o primeiro jogo de luta deste estilo tão duradouro, mas não teve impacto até por conta da época. Karate Champ do arcade teria sido o primeiro a experimentar com sucesso a visão lateral, em 1984. Em 1989, um jogo de luta, conhecido pelos fãs do Mega Drive, com certeza detém pelo menos este título: o jogo com maior quantidade de nomes diferentes.

Fatman, como aparentemente ficou mais conhecido, é um jogo de luta obscuro portado para o Mega Drive japonês em 1990. Original de PC (Tongue Of The Fatman), no Commodore 64 e Amiga foi rebatizado para “Mondu’s Fight Palace” e, finalmente, no Genesis tascaram um “Slaughter Sport”. A desenvolvedora Sanritsu é a mesma que portou James Buster Douglas para o Genesis, aquele dos lutadores do tamanho da tela… Já no Genesis, a produtora Razorsoft, notadamente conhecida por lançar jogos controversos (Technocop, Death Duel), comprou os direitos da Activision (que era a publisher) justamente tentando aproveitar o liberarismo da SEGA of America dessa época.

Logo de cara, vemos uma versão lite de Jabba The Hut proferindo “Welcome to the Fight Palace” abrindo o maior bocão e mostrando a língua. O problema é que a boca do gordo está na barriga (Star Wars com… Kuato de O Vingador do Futuro?) e você já entra no clima fanfarrão de Fatman. É um joguinho de luta que não dá pra levar a sério, tanto que seu primeiro batismo foi “A Língua do Gordo” e não um “Combate Mortal” ou “Lutador de Rua” da vida, né?

Se você ainda estiver comigo, vai notar que o Fatman do Mega Drive, mesmo com essa aparente pegada mais leve, brincalhona, é aquele jogo que você precisa jogar bastante se quiser encontrar a diversão. Seu personagem, o Rex, é um dos poucos humanos que lutam no palácio. Seu desafio é lutar por dinheiro, enfrentando o Mondu The Fat Lord no final. O primeiro oponente é seu próprio color swap – numa luta para introduzí-lo ao jogo. E, também, responsável por afastar muitos jogadores, normalmente dando sensação de arrependimento de ter comprado, alugado ou mesmo trocado emprestado o cartucho.

Fatman é um daqueles casos em que o artista colocou um sonífero no cafezinho do game designer e, sorrateiramente, foi encher o jogo com quadros de animação. Sabe como é: se você assistir uma luta pré-gravada e o cara for um bom jogador, o negócio pode parecer um desenho animado. Estou exagerando um pouco, mas os personagens são muito criativos (destaque para o Bonapart, que é um esqueleto com o coração como único órgão) e realmente bem animados. Esse é o problema, e sem solução: um soco do seu personagem demora demais, e o pior, virar para o lado oposto leva aquela eternidade. “Tongue Of The Fatman” é anterior à era dourada dos jogos de luta e traz um detalhe curioso: a versão para Genesis ganhou a possibilidade de escolha de qualquer personagem (9 no total, sem contar os color swaps) no modo 2 jogadores e há alguns relatos de que seria algo inédito até então.

Voltando aos problemas de Fatman: ele é um jogo difícil, mas pelas razões erradas. A princípio, a impressão é de que os controles são ruins, muito ruins. A causa principal é realmente o fato das animações serem detalhadas demais, forçando o jogador a “assistir” todos os quadros ao realizar os movimentos. Isso não é novidade: Fantasia, também do Mega Drive, sofre do mesmo problema, por exemplo. Tanto que, logo na primeira luta, o jogador naturalmente “descobre” que deve focar-se em acertar voadoras no oponente, justamente pelo pulo ser rápido, sem uma animação mais elaborada – é possível, inclusive, pular em sequência apenas segurando a diagnonal. Tornou-se a estratégia mais natural para mim, pelo menos foi assim que consegui terminá-lo na época em que aluguei. Sim, passava o jogo inteiro pulando, tentando acertar voadoras, até o último chefe.

Os oponentes são o charme: uma mulher punk, uma galinha cibernética, uma gárgula (com um ataque chamado de “gas cloud”, no mínimo desagradável, se é que você me entende), “Bonapart”  (um mutante que “sobreviveu a um ataque químico”), “Buff” (irmão do Slimer do filme Ghostbusters) – dentre outros. Eles possuem ataques diferentes, como era de se esperar, mas até onde sei, a estratégia básica para vencê-los é sua voadora no tempo certo…

Existem habilidades especiais, meio “mágicas”, que podem ser compradas entre cada luta pelo seu personagem, exceto na primeira. A idéia não é muito comum, até onde sei, em jogos de luta deste tipo; dá pra considerar uma ótima adição, poderia trazer alguma estratégia. Pena que, por conta da dificuldade dos controles, quando o jogador solta um destes poderes, é necessário atacar o inimigo rapidamente; é frustrante quando você não consegue em tempo hábil e o efeito passa. A habilidade que considero mais útil é a cama de pregos (daquelas de faquir) que fica sobre a cabeça do oponente: ele não pode pular enquanto o efeito não passa. Ah, os oponentes também se utilizam dessas habilidades. Outra curiosidade: seu life não é renovado ao fim da luta; você deve comprar, através de dinheiro obtido a cada golpe desferido, energia e força de ataque extra, além de até 4 habilidades. Por exemplo: se terminar uma luta com o life no final e não comprar energia, seu personagem inicia a nova luta a um golpe da morte. Uma boa idéia do titulo, eclipsada pelos problemas já citados.

A trilha sonora não chama a atenção, são loops curtinhos e praticamente sem bateria. Alguns efeitos sonoros são ótimos, principalmente as (poucas) vozes – são bem claras, nem sempre era assim no Mega Drive. Bom… pessoalmente, acho algumas músicas muito boas, principalmente o tema que chamaria de “Mondu The Fat Lord Theme” – toca na tela em que o Fatman aparece em seu trono, com uma bela moça e uma sereia – que fica exatamente no mesmo local da Princesa Léia quando escravizada por Jabba em O Retorno de Jedi…

Acho a musiquinha bem climática, até bonitinha. Mas, hey, that’s just me :)

No final das contas, Fatman é um joguinho de luta com muito carisma e boas idéias, mas o elemento maior de atração num game deste tipo é a realização de controles eficientes, precisos, como Street Fighter II ensinou pouco depois. Talvez em um universo paralelo, sem o clássico da Capcom como parâmetro, Fatman poderia funcionar.

De qualquer maneira, se você gosta de um lance bem underground e jogos de luta… “Welcome to the Fight Palace”!

* * *

Game Music > Altered Beast – Rise From Your Grave (Unintended Piano Version)

Amigos, esta é uma rápida versão da música lindíssima da primeira fase de Altered Beast. Na verdade, é mais uma performance “ao vivo”, e seria um teaser do que pretendo ainda fazer com esta canção em breve. O tema da primeira fase de Altered Beast do Mega Drive, composta pelo Tohru Nakabayashi (obrigado pela informação, Rafael00Agent) – mesmo compositor da trilha de Golden Axe — é meio que “tema do Mega Drive”, lá do seu início.

O motivo óbvio era o fato do cartucho ser incluído na embalagem das versões iniciais do Mega Drive dos principais mercados. Mesmo antes de Sonic, o 16-bit teve muito sucesso com as conversões de arcade, como sabemos. E Altered Beast era um dos beat’em up de sucesso da SEGA, que foi convertido com perfeição para o console doméstico.

Já no Altered Beast do Master System, onde conheci o jogo, havia tido uma queda por essa música em especial. Mas quando finalmente escutei no Mega Drive… foi um sonho, a canção havia sido elevada à décima potência (só encontrei um arcade do AB alguns anos mais tarde). Antes de ter o MD, eu parava quase que diariamente numa certa loja de um shopping center apenas para olhar o demo do Altered Beast, showcase do Mega Drive.

E, no horário que aparecia por lá (meio-dia, após a escola), o local era vazio e era possível escutar muito, mas muito bem a música. A loja era de departamentos, a sessão de videogames era misturada com a área das roupas — que garantiam uma ótima acústica ao local :)

Pouco tempo depois, comprei meu primeiro teclado (por volta de 1992) e uma das primeiras músicas que tentei tirar de ouvido foi Rise From Your Grave. Até hoje, quando vejo um piano (real), uma das músicas que obrigatoriamente executo é esta clássica de Altered Beast.

Por conta de tocá-la muito, durante quase duas décadas, passei a improvisar bastante em cima da original. Às vezes, passava (passo) meia hora ou mais somente tocando a mesma música… viajando nos arranjos e improvisando… Power up!

Apesar da história toda, esta faixa que lhes apresento é somente, repetindo, um pequeno (1 min.) teaser (somente piano e algumas cordas) do que pretendo realizar em breve, com uma versão “full featured” da Rise From Your Grave, que deve ser a game music que mais performei desde que me entendo por “gamer músico” (risos) e que me traz tão intensamente a nostalgia do início da era 16-bit.

É isso amigos, espero que curtam esta “rapidinha” da…

“Rise From Your Grave (Unintended Piano Version)”
(clique em ▼ no player para baixar a MP3)

Altered Beast – Rise From Your Grave (Unintended Piano Version) (by Cosmonal)
Versão por (c) 2011 Eric Fraga

* * *

Game Music > Phantasy Star – New Motavia

Amigos, apresento para vocês “New Motavia”, versão do tema do planeta Motavia de Phantasy Star composta por Tokuhiko Uwabo, o “BO”. Considero a trilha deste jogo a melhor já feita para o Master System. Todas as músicas que tocam em Phantasy Star (que são muitas, para os padrões de um único jogo da época), são acima da média, emocionam das mais variadas maneiras. O trato sonoro daqueles tempos é nostálgico para nós que jogamos, mas injusto com as melodias e as harmonias propostas nessas músicas. Eles merecem mais, muito mais. E foi isso que tentamos trazer para vocês nesta versão.

Convidei meu irmão Elmo Fraga que toca baixo elétrico para trazer a pegada deste instrumento para essa música. Ele não é jogador de videogame, mas curte a boa música e é fã de uma banda chamada Casiopea. Como ele é “meu irmão mais velho” muitas das minhas influências musicais partiram dele. Antes da era 8-bit existir para nós brasileiros, eu já escutava com regularidade a música japonesa do Casiopea – que, para quem não sabe, é basicamente game music sem o game e tocado por um guitarrista, baixista, baterista e tecladista. Até um show da banda japonesa que, por um acaso do destino, ocorreu em Salvador no ano de 1988, meu irmão foi assistir – daí, virou fã da “música diferente, melódica e organizada” do Casiopea. De lambuja, o irmão menor também passou a curtir as músicas.

Apesar de aparentemente simples e com apenas duas partes pequenas, a música de Motavia, como de costume entre os compositores japoneses, esconde momentos de genialidade rítmica de difícil execução ao instrumento. Na linguagem coloquial de músico de estúdio, seriam os “tempos quebrados”, durações de nota que se alternam rapidamente e outros problemas para os músicos do ocidente executarem. Mas no fear, nada que muito treinamento e repetições durante as gravações não resolva. Para casar bem com o som do baixo elétrico, concebi os arranjos de bateria utilizando samples de bateria real, com o objetivo de trazer um ar de “banda” à música. Lembrando sempre que não uso loops ou trechos prontos nessas versões que produzo para vocês – “what you hear is what you get” :) e os arranjos oitentistas synth pop de costume continuam presentes, sem muita distração do show de verdade, que é a melodia original do genial e simples BO.

As dunas de Motavia estavam no screenshot do folheto que acompanhava o Master System da Tec Toy. Eu olhava para aquela foto e não me cansava de admirá-la, ainda na inocência de um garoto que não percebe que a imagem de baixa resolução dos videogames da época, quando exibidas pequenas, ficam melhores. Mas, quando finalmente pude pôr as mãos num cartucho de Phantasy Star, entender o que estava acontecendo e como jogar (primeiro RPG, todo mundo sabe como foi, rs) e finalmente viajar para Motavia… sair de Paseo e… opa, aquela música nova, diferente… uma batalha e… vejo o cenário que tanto sonhei… e o mais incrível: tem algo a mais nessa simples imagem, as sombras tão bem feitas, o céu escaldante, o senso de perspectiva… O screenshot do folheto ganhou vida na televisão, não haviam poucos pixels ali: só muita arte.

Bom amigos, espero que tenha conseguido transmitir estes sentimentos na versão de minha música favorita de Phantasy Star: Motavia!

Tema “New Motavia” (clique em ▼ no player para baixar a MP3)

Phantasy Star – New Motavia (by Cosmonal)
Versão por (c) 2011 Eric Fraga

* * *