Vídeo “Loucos Por Jogo Justo”

Amigos do Cosmic Effect, quem a essa altura não conhece o Moacyr Alves Jr., grande colecionador de videogames e “o cara” do Projeto Jogo Justo? O responsável maior por acender as esperanças dos gamers brasileiros sonharem com algum tipo de respeito por parte das autoridades para com nossa diversão (mais que) predileta e que cada vez mais toma conta da sociedade?

Sem mais delongas, apresentamos o vídeo de apenas 2 minutinhos para contribuir com a divulgação do projeto Internet afora. Espero que gostem, está bem “Cosmic Effect”: retrogaming com uma pitadinha de next-gen para dar gosto ;-)

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Game Music > Zanac – Zanac Effect

Amigos do Cosmic Effect, mais uma versão de game music pra vocês. Dessa vez fui bem longe na memória e brinquei um pouco com a música da primeira fase de Zanac (Compile) do MSX/NES. Joguei este game no MSX do Euler Vicente, mais de 20 anos atrás. Quando Euler carregava Zanac acho que eu mais olhava e curtia o visual e a música do que jogava. Era sempre fascinante ver o MSX pois, como era dono de um Atari 2600, a distância nos quesitos gráfico e sonoro era abismal entre as duas plataformas. Ver qualquer game de MSX era o mesmo que entrar numa máquina do tempo rumo ao futuro…

Enfim, 100% de minhas lembranças deste computador são através do Euler, e tenho um apreço especial pelo micro dos anos 80 porque quando o Master System apareceu, deu pra ver de cara a similaridade entre os dois; ôpa, é a chance de ter um “MSX” – constatei. E foi o que aconteceu… No Master deu até pra jogar Power Strike (Aleste) que é da mesma Compile e lembrava Zanac na hora.

Enfim, aqui está a versão batizada de “Zanac Effect”. A música é curta, simples e muito empolgante. Minha versão é igualmente pequena (apenas 2:39) e começa com a abertura original de Zanac. Não encontrei o crédito da música do original do MSX; a versão do Famicom Disk System é creditada ao Miyamo Shant. Como elas são praticamente idênticas e ambas versões foram lançadas no mesmo dia (28 de novembro de 1986), certamente ele é o compositor. Se alguém tiver essa informação, por favor nos avise nos comentários.

Espero que os fãs de MSX curtam!

Escute agora (clique em ▼ para baixar):

A versão do FDS/NES:

Zanac – Zanac Effect (by Cosmonal)
Versão por (c) 2010 Eric Fraga.

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Cosmic Cast #8 – Game & Music II

Com a ótima e inesperada recepção da nossa comunidade de retrogamers brasileiros ao Cosmic Cast #5 – Game & Music, nós do Cosmic Effect decidimos brincar mais uma vez com a história de juntar um jogo antigo com uma música de preferência igualmente velhinha. O objetivo é brindar a relação deliciosa que bons jogos de videogame possuem com a boa música.

Só que desta vez, convidamos 7 blogueiros que admiramos e um ilustre leitor dos nossos blogs de videogame, para que eles selecionassem e nos contassem uma historinha acerca de cada jogo/música escolhidos. Recebi emails maravilhosos com histórias empolgantes e até emocionantes, com material suficiente para umas 3 horas de vídeo (calma, o vídeo ficou bem menor do que isso!).

Além de ótimos escolhas em jogos, as escolhas musicais me fizeram concluir de uma vez por todas: retrogamer tem um gosto muito requintado pra música. Para minha grata surpresa, OITO das 37 (!) músicas que os amigos retrogamers escolheram são favoritíssimas do meu repertório – isso garantiu um prazer adicional durante a edição do vídeo. Pareciam escolhas pessoais. A música que fecha o vídeo é uma delas… mas vou deixar vocês assistirem, não é? :) Pra terminar, músicas de bandas que eu tinha algum preconceito me foram gratas surpresas e alguns artistas desconhecidos citados por alguns blogueiros me fizeram procurar pela discografia inteira…

Será que a boa música que cultivamos ao longo do tempo influencia até mesmo nas nossas boas escolhas de jogos eletrônicos? O contrário também poderia ser verdade? De qualquer maneira, faço questão de fazer um último pedido: aumente o volume do seu notebook, iPad, iPhone ou de preferência daquele seu desktop com aquelas caixas de som turbinadas antes de clicar no play. Não ouça esta seleção com volume baixo. E preste bastante atenção nas divertidas, inusitadas e emocionantes histórias que os amigos retrogamers compartilharam conosco.

Enfim, o Cosmic Effect orgulhosamente apresenta:

Cosmic Cast

Episódio #8: Game & Music II

No YouTube, a reprodução das músicas foi desabilitada por violação de copyright :(

O Cosmic Effect é imensamente grato a:

Orakio Rob, “O Gagá”
André Breder “Andremcleod”
Thiago Cruz “O Senil”
Gagá Games (www.gagagames.com.br)

Marcos Valverde “mcs”
Rafael Fernandes “Rafael00Agent”
Passagem Secreta (passagemsecreta.wordpress.com)

Manoel Soares “Manogamesenior”
Reinaldo Ferreira “OldGameMaster”
Revista Game Sênior (revistagamesenior.wordpress.com)

E o ilustre leitor Douglas Oliveira “Sephrox”.

Nossos canais somente com os vídeos da série Cosmic Cast:

No YouTube
http://www.youtube.com/user/CosmicEffectGaming

No Vimeo
http://www.vimeo.com/user4397129

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Toxic Crusaders (NES)

Por Danilo Viana

Muitos de nós que vivemos e jogamos entre a década de 80 e 90 contávamos com as locadoras para ter acesso à maioria de nossos jogos. Alguns clássicos como Sonic, Contra, Super Mario Bros, Alex Kidd e outros só eram jogados dessa forma, já que não tinhamos dinheiro para comprar tantos cartuchos.

Mas apesar de jogarmos muitos sucessos dessa forma, algumas vezes os melhores cartuchos já estavam alugados e tínhamos de nos contentar com algum jogo menos conhecido – às vezes resultando em uma ótima experiência; outras nem tanto. Contudo, pode acontecer do game ficar no meio do caminho, pois não é um daqueles jogos que se tornaria sucesso e, ao mesmo tempo, não é ruim o suficiente para merecer a fúria do jogador – que gastou sua mesada inteirinha no aluguel e agora tem de aturar aquela chatice o fim de semana inteiro.

Toxic Crusaders é um destes jogos: lembro que o aluguei em um fim de semana em que TMNT 2 The Arcade Game para Nintendo não estava disponível. A capa era similar, as fotos me faziam ver que era jogo “de porrada”. Arrisquei e levei o coitado para casa, abandonado que estava na prateleira da Alameda Vídeo. Quando começo a jogar, minha clássica primeira reação ao achar o jogo ruim foi que m**** é essa? Mas com o tempo acabei acostumando com o jogo e até que foi divertido – nem precisei fingir que o cartucho “não pegou” em meu Phantom System pra trocar por outro.

Toxic Crusaders foi lançado em 1991 pela Bandai e é, acreditem, baseado em um desenho animado de mesmo nome. O desenho, por sua vez, era baseado em um filme chamado Toxic Avenger – acha que adaptações de filmes para jogos são uma má idéia? Que tal uma adaptação de filme para desenho seguida de uma de desenho para jogo?

A trama do filme é uma cópia barata de Tartarugas Ninja, um nerd chamado Melvin é constantemente atormentado por uma turma da pesada. Um dia, durante uma fuga, ele acaba caindo em um latão de lixo tóxico e sofre uma mutação que o deixa desfigurado e super-forte. Ele resolve se vingar de seus malfeitores – e de quebra desmembrar uma rede de crime que ronda Nova Jersey.

O filme é bastante violento (nas cenas iniciais Melvin, já transformado em monstro, esmaga os testículos de um dos bandidos) além de conter cenas com forte apelo sexual, coisa típica de filme B. Já o desenho não segue nada disso e adota a postura de bom moço dos anos 90, usando alienígenas sem nada melhor pra fazer que resolvem poluir nosso mundo só porque é divertido – ou seja: o desenho é uma versão pobre do Capitão Planeta.

Portanto, o game segue o desenho e sua missão é destruir os planos do Dr. Killemoff (algo como Dr. MateATodos). O estilo é beat’em up à la Double Dragon, mas infelizmente não se compara em nada ao seu inspirador, sofrendo alguns problemas que o rebaixam à categoria de medíocre.

Seu personagem usa um esfregão para acertar os inimigos, mas se ele for acertado uma única vez, perde o esfregão só lhe restando usar as mãos, tornando o esfregão inútil pois será difícil conseguir chegar ao fim de uma fase sem ser atingido. Outro problema é que o jogo é bem difícil: os inimigos vem em grupos e sua movimentação não é suficiente para se desviar, além do fato que a maioria dos inimigos lhe acerta de longe com pedradas e tiros e você só tem os punhos e o tal esfregão inútil para se defender.

Estes problemas impedem Toxic Crusaders de ser considerado um jogo bom. É uma pena pois basta jogar alguns minutos para perceber o potencial para um game bem bacana – a música é interessante, a animação do personagem não é tão ruim e a história é tão cafajeste que se torna divertida. Se a dificuldade fosse moderada e você possuísse alguma forma mais eficiente de ataque além dos punhos e o esfregão, ele poderia até se passar como um daqueles games cult.

Apesar dos problemas, Toxic Crusaders acaba acidentalmente sendo muito melhor que várias adaptações de filmes e desenhos que vemos por aí – mesmo sendo baseado em um filme e um desenho que não tem nenhuma pretenção além de ser tosco do início ao fim. Acredito que não haviam muitas direções para o jogo seguir, além de para cima.

Se você é aventureiro e gosta de umas tosqueiras de vez em quando, recomendo que tente experimentar Toxic Crusaders – não terá muito a perder, nem tempo, e pode até dar umas gargalhadas. Já se você gosta apenas de jogos refinados ao extremo, verdadeiras obras literárias em formato digital, digo: mantenha distância.

SCORE

GAMEPLAY: Uma arma inútil e inimigos mais rápidos que você denigrem a experiência 2/5
GRÁFICOS: Interessantes para a época, não são nenhuma obra prima mas já vi piores 3/5
SOM: Os efeitos sonoros são apenas genéricos, não são ruins mas nada se sobressai 3/5
TRILHA SONORA: A música até que é bacaninha, um dos aspectos que salvam o jogo 4/5
DIFICULDADE: Muito alta pelos motivos errados, os inimigos são melhor armados e mais rápidos que você 2/5

DADOS

NOME: Toxic Crusaders
PLATAFORMA(S): NES, Gameboy, Mega Drive (versões de Gameboy e Mega Drive são totalmente diferentes)
DISPONÍVEL EM: Cartucho, PC via emuladores
ANO: 1991
DESENVOLVEDORA: Bandai

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Ótimo Jogo, Péssimo Gameplay

Por Eric Fraga.

Todos nós temos aquele jogo favorito que, numa rodinha de jogadores, no meio daquele gostoso papo de qual o melhor jogo que cada um acha, dá aquela vergonha de admitir. Por que não conseguimos assumir? Excluindo o caso de quando o game se chama “Cho-Aniki”, qual o fator que te faz duvidar de sua própria sanidade (sexualidade, no caso do jogo supra-citado…) ao escolher um videogame tão ruim e coroá-lo como um favorito pessoal?

Amigos, acredito seriamente que a resposta está no gameplay. Um péssimo gameplay. Aliado a uma ótima idéia. Que combinação!

Vou começar por um não tão desconhecido e que, inclusive, irá demonstrar minhas fenomenais capacidades de atuação no cinema, na TV e no YouTube. Nosso terceiro vídeo da série Cosmic Cast, falamos sobre o ótimo Bioforge. Abrimos com o Danilo jogando um beat’em up, primariamente conhecido pelos seus péssimos controles – o que, aliado à falta de música durante um jogo em plena era 16 bit, garante momentos bem ruins com o controle do Mega Drive na mão. Esta foi minha linha de diálogo, ao ver Danilo jogando: “Sword of Sodan do Mega Drive? Não tinha nada melhor não???”. Sim, pessoal: eu estava mentindo.

Adoro Sword of Sodan. Na época, aprendi a apreciá-lo pelo “desafio da dificuldade” (apesar de não ser nada impossível), pelos personagens grandes e detalhados e, principalmente, pelo uso de poções, que podiam ser combinadas gerando efeitos diversos – positivos ou negativos – durante as batalhas. Quando joguei um dos melhores RPGs ocidentais já feito, Oblivion, imediatamente lembrei de Sodan (quem diria) quando comecei a fazer poções – claro que em Oblivion a coisa tem muito mais profundidade.

Adoro Cyber-Cop. É um FPS com estratégia para Mega Drive, que lembra muito Deus Ex – você leu corretamente. Original de MS-DOS, Amiga e Atari ST – ou seja, só computadores. O único port para console é justamente este para Mega Drive, única versão que conheci. A jogabilidade é bem complexa: inclui o controle em primeira pessoa do personagem e uso de itens/objetos no cenário bem no estilo adventure. Eu era louco por jogos de MS-DOS, mas ainda não tinha um PC – Cyber-Cop me lembrava os “jogos de computador” da época, justamente por sua complexidade e o jeitão sério. No console da SEGA os gráficos também são 3D, numa janela pequena. Até os objetos do cenário e inimigos são modelos vetoriais, o que deixa o jogo com slowdowns incríveis.

Mas o game apresenta elementos de stealth e espionagem muito interessantes – você é um agente infiltrado numa empresa suspeita de desenvolver robôs para uso ilegal. A partir desta premissa, o gameplay ganhou as características que o tornam similares com Deus Ex, como citado – só que estamos falando de um game de 1990. Dificílimo e desafiador, muito por conta do “painful gameplay” (é o título de um vídeo que achei para demonstrar para vocês, melhor impossível). Na época, terminei várias vezes, locava para o final de semana e jogava todinho. Ah, como tínhamos tempo livre e poucos jogos naquela época…

Adoro Heavy Nova. Este é um jogo para Mega Drive de luta entre robôs – ou melhor, organismos cibernéticos, para não ferir os sentimentos dos bichinhos. Meio beat’em up, meio fighting game – porque no final de cada fase tem um boss com uma luta mais longa. O jogo é muito bem-feito: os personagens são grandes, os cenários são bonitos, a abertura é bem legal e as animações são detalhadas.

Muito detalhadas. A ponto de estragar os controles, pois o seu robô não “desliza”, como é o padrão neste tipo de jogo; cada passo é animado e o controle se torna terrivelmente duro. Virar para o outro lado demora mais do que  nos melhores survival horror. O estrago está feito. Ah, mencionei que as músicas são ótimas? :)

Gosto de E.T. do Atari 2600. Mas não vou entrar em detalhes :)

Torturei* Danilo, Euler e Andrey e eles escaparam com vida do meu interrogatório porque decidiram falar no último instante quais os jogos “favoritos” deles.

Danilo foi o primeiro a confessar:

“Chega, chega, eu falo!!! Too Human, para Xbox 360! Esse jogo veio com meu videogame, fui obrigado a gostar dos controles meio esquisitos e dos gráficos ruins para next-gen! Eu não tive escolha!!! Joguei por meses e acabei gostando, até queria uma continuação! Agora pare de me dar choque!!!”

Euler resistiu um pouco mais, mas eventualmente começou a falar:

“Não aguento mais, tá bom!!! Jet Li: Rise to Honor, para PlayStation 2! É um beat’em up repetitivo demais, mas eu gostava da ambientação, fazia você achar que estava num filme B de kung fu! Me solta, eu já falei tudo que tinha pra falar!!!

Andrey cedeu rápido e me deu dois nomes, mas pediu alto em troca:

“É contra minha vontade, mas admito que Last Ninja 2, do TK90, estragava quase tudo pois em momentos cruciais da ação, era necessário uma volta no teclado para selecionar itens. Rambo II, para MSX, é doloroso jogar porque não usa a diagonal para controlar, como em Ikari Warriors. Ok? Falei tudo. Agora, quero minha imunidade assinada pelo presidente da Tec Toy.”

Danilo, ao escutar o acordo feito por Andrey, grita:

“Ei, ei! Eu quero imunidade também! Er… Nightmare on Elm Street, do NES!!! O jogo não explica o que você tem de fazer, os controles são “moles demais” mas se você colocar ele em minha frente, eu jogo até morrer! Agora… ONDE EU ASSINO???”

Vivemos a sétima geração dos videogames. Como nós do Cosmic Effect jogamos os jogos de ontem e hoje, para fazer jus ao banner do blog, percebemos que os games atuais, quando são ruins, não os são por conta de jogabilidade péssima (com exceção de Too Human?). Eles estão tão polidos neste ponto, os desenvolvedores tentam facilitar a jogatina para “aumentar a quantidade de gamers” que o gameplay acaba sendo fluido e amigável quase o tempo todo. Dá pra arriscar dizer que, as maiores pérolas neste sentido, estão no nosso querido mundo retrogamer. Mais um motivo que enriquece ainda mais e estimula a continuar desbravando o interminável universo dos jogos antigos, caros amigos.

E você, admita para nós: qual jogo você adora e que não tem com quem conversar? AGORA!

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*Nenhum retrogamer sofreu injúrias durante a confecção deste post.