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Ótimo Jogo, Péssimo Gameplay

Por Eric Fraga.

Todos nós temos aquele jogo favorito que, numa rodinha de jogadores, no meio daquele gostoso papo de qual o melhor jogo que cada um acha, dá aquela vergonha de admitir. Por que não conseguimos assumir? Excluindo o caso de quando o game se chama “Cho-Aniki”, qual o fator que te faz duvidar de sua própria sanidade (sexualidade, no caso do jogo supra-citado…) ao escolher um videogame tão ruim e coroá-lo como um favorito pessoal?

Amigos, acredito seriamente que a resposta está no gameplay. Um péssimo gameplay. Aliado a uma ótima idéia. Que combinação!

Vou começar por um não tão desconhecido e que, inclusive, irá demonstrar minhas fenomenais capacidades de atuação no cinema, na TV e no YouTube. Nosso terceiro vídeo da série Cosmic Cast, falamos sobre o ótimo Bioforge. Abrimos com o Danilo jogando um beat’em up, primariamente conhecido pelos seus péssimos controles – o que, aliado à falta de música durante um jogo em plena era 16 bit, garante momentos bem ruins com o controle do Mega Drive na mão. Esta foi minha linha de diálogo, ao ver Danilo jogando: “Sword of Sodan do Mega Drive? Não tinha nada melhor não???”. Sim, pessoal: eu estava mentindo.

Adoro Sword of Sodan. Na época, aprendi a apreciá-lo pelo “desafio da dificuldade” (apesar de não ser nada impossível), pelos personagens grandes e detalhados e, principalmente, pelo uso de poções, que podiam ser combinadas gerando efeitos diversos – positivos ou negativos – durante as batalhas. Quando joguei um dos melhores RPGs ocidentais já feito, Oblivion, imediatamente lembrei de Sodan (quem diria) quando comecei a fazer poções – claro que em Oblivion a coisa tem muito mais profundidade.

Adoro Cyber-Cop. É um FPS com estratégia para Mega Drive, que lembra muito Deus Ex – você leu corretamente. Original de MS-DOS, Amiga e Atari ST – ou seja, só computadores. O único port para console é justamente este para Mega Drive, única versão que conheci. A jogabilidade é bem complexa: inclui o controle em primeira pessoa do personagem e uso de itens/objetos no cenário bem no estilo adventure. Eu era louco por jogos de MS-DOS, mas ainda não tinha um PC – Cyber-Cop me lembrava os “jogos de computador” da época, justamente por sua complexidade e o jeitão sério. No console da SEGA os gráficos também são 3D, numa janela pequena. Até os objetos do cenário e inimigos são modelos vetoriais, o que deixa o jogo com slowdowns incríveis.

Mas o game apresenta elementos de stealth e espionagem muito interessantes – você é um agente infiltrado numa empresa suspeita de desenvolver robôs para uso ilegal. A partir desta premissa, o gameplay ganhou as características que o tornam similares com Deus Ex, como citado – só que estamos falando de um game de 1990. Dificílimo e desafiador, muito por conta do “painful gameplay” (é o título de um vídeo que achei para demonstrar para vocês, melhor impossível). Na época, terminei várias vezes, locava para o final de semana e jogava todinho. Ah, como tínhamos tempo livre e poucos jogos naquela época…

Adoro Heavy Nova. Este é um jogo para Mega Drive de luta entre robôs – ou melhor, organismos cibernéticos, para não ferir os sentimentos dos bichinhos. Meio beat’em up, meio fighting game – porque no final de cada fase tem um boss com uma luta mais longa. O jogo é muito bem-feito: os personagens são grandes, os cenários são bonitos, a abertura é bem legal e as animações são detalhadas.

Muito detalhadas. A ponto de estragar os controles, pois o seu robô não “desliza”, como é o padrão neste tipo de jogo; cada passo é animado e o controle se torna terrivelmente duro. Virar para o outro lado demora mais do que  nos melhores survival horror. O estrago está feito. Ah, mencionei que as músicas são ótimas? :)

Gosto de E.T. do Atari 2600. Mas não vou entrar em detalhes :)

Torturei* Danilo, Euler e Andrey e eles escaparam com vida do meu interrogatório porque decidiram falar no último instante quais os jogos “favoritos” deles.

Danilo foi o primeiro a confessar:

“Chega, chega, eu falo!!! Too Human, para Xbox 360! Esse jogo veio com meu videogame, fui obrigado a gostar dos controles meio esquisitos e dos gráficos ruins para next-gen! Eu não tive escolha!!! Joguei por meses e acabei gostando, até queria uma continuação! Agora pare de me dar choque!!!”

Euler resistiu um pouco mais, mas eventualmente começou a falar:

“Não aguento mais, tá bom!!! Jet Li: Rise to Honor, para PlayStation 2! É um beat’em up repetitivo demais, mas eu gostava da ambientação, fazia você achar que estava num filme B de kung fu! Me solta, eu já falei tudo que tinha pra falar!!!

Andrey cedeu rápido e me deu dois nomes, mas pediu alto em troca:

“É contra minha vontade, mas admito que Last Ninja 2, do TK90, estragava quase tudo pois em momentos cruciais da ação, era necessário uma volta no teclado para selecionar itens. Rambo II, para MSX, é doloroso jogar porque não usa a diagonal para controlar, como em Ikari Warriors. Ok? Falei tudo. Agora, quero minha imunidade assinada pelo presidente da Tec Toy.”

Danilo, ao escutar o acordo feito por Andrey, grita:

“Ei, ei! Eu quero imunidade também! Er… Nightmare on Elm Street, do NES!!! O jogo não explica o que você tem de fazer, os controles são “moles demais” mas se você colocar ele em minha frente, eu jogo até morrer! Agora… ONDE EU ASSINO???”

Vivemos a sétima geração dos videogames. Como nós do Cosmic Effect jogamos os jogos de ontem e hoje, para fazer jus ao banner do blog, percebemos que os games atuais, quando são ruins, não os são por conta de jogabilidade péssima (com exceção de Too Human?). Eles estão tão polidos neste ponto, os desenvolvedores tentam facilitar a jogatina para “aumentar a quantidade de gamers” que o gameplay acaba sendo fluido e amigável quase o tempo todo. Dá pra arriscar dizer que, as maiores pérolas neste sentido, estão no nosso querido mundo retrogamer. Mais um motivo que enriquece ainda mais e estimula a continuar desbravando o interminável universo dos jogos antigos, caros amigos.

E você, admita para nós: qual jogo você adora e que não tem com quem conversar? AGORA!

* * *

*Nenhum retrogamer sofreu injúrias durante a confecção deste post.

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26 Respostas

  1. Bela lista, acho que vou pegar emprestada pra elaborar meu próximo Retro-Challenge heheheheh!

    Desses aí só joguei marromeno o Cybercop ae, muito ruim, lento, travante e….. ruim.

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    • Que legal que você jogou Cyber-Cop também, pena que já vi que não há muito o que conversar porque sua opinião condiz com o jogo mesmo :) Mas é aquele negócio, gostei muito na época porque ele trazia os elementos de estratégia e até de hacking bem legais, tornando-o um jogo ‘sério’.

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  2. O Rambo do MSX foi o primeiro que eu joguei que se enquadra neste esquema de “jogos travados”. Era legalzinho, mas o esforço pra fazer as coisas era sobrehumano e tirava a magia do jogo… rsrsrssrs

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  3. Acho que
    Legal o post Eric!
    As vezes surpreende a jogabilidade de um retro-retro.. diante de um mal feito sucesso do momento!

    Valeu!

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  4. Pô, eu também gosto do Rambo II :)

    E ando curioso com o Jaguar, tava todo empolgado em conhecer esse shooter aí… agora deu medo.

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    • Esse Trevor McFur é algo impressionante mesmo Gagá. É o único shooter chato, muito chato que já foi feito. Acho que vocês concordam que um schmupzinho, mesmo quando é ruim, você se diverte. A Atari conseguiu o impossível. Engraçado que, por ser no Jaguar que tinha paleta de cor 24 bit, os degradês de fundo são lindos. A única coisa que salva nesse game: os degradês.

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  5. Sempre fui da tese de que muita gente, inclusive a molecada de hoje em dia, diz que esse ou aquele jogo é difícil só pela jogabilidade ruim.

    Fantasia, game de Mega, por exemplo, tem uma jogabilidade horrorosa, fruto de pressa no lançamento do game, mas tem um som e gráficos fantásticos. No saldo geral, um bom jogo.

    Idem Heavy Nova (OST, gráficos e introdução maravilhosas), Sword of Sodan, Missão Impossível do Psx, etc.

    Não, não gosto de Cho Aniki! Bleargh!

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    • Poxa, eu consegui terminar Fantasia, mas é impressionante como Mickey é travado neste jogo, ainda mais quem tava acostusmado com Casttle of Illusion.

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    • Puxa, Fantasia se enquadra perfeitamente nesta categoria, muito bem lembrado. Concordo 100% sobre o que falou sobre Fantasia, gostava dele justamente pela primazia técnica que era no Mega Drive, mas a jogabilidade sofreu absurdamente por conta do realismo incrível das animações, diferente de Castle Of Illusion. Lembro que foi um daqueles que era terminar por conta do desafio – e de fato, a molecada como você falou hoje não conhece essa realidade porque nos jogos atuais “sempre tem jeito”. Valeu pela lembrança de Fantasia. Só deu Mega Drive com jogabilidade ruim, sacanagem :D

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  6. Sword of Sodan?
    Sword of Sodan?
    Sword of Sodan?
    BR? BR?

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  7. Acho que sou o mais sádico de todos, eu gostava muito de My Hero (Master System), o meu tinha até o nome de Gang’s Fighter, eu gostava o desafio que o jogo proporcionava, lembro que tinha 4 ou 5 fases e ao passar da ultima o jogo voltava pra primeira fase mas com uma velocidade e dificuldade ainda mais absurdal.

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    • haha, é o único jogo em cartão que possuo por sinal, rs

      No Master tem alguns jogos que são mais difíceis do que no Mega: Castle of Illusion por exemplo, ou Altered Beast. Este último, justamente por sofrer com os controles “duros”.

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  8. James Pond, Mega Drive.

    Jogo tosco, chato, repetitivo… mas eu gosto! hehehe

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  9. Coincidentemente hoje, enquanto deixava a minha namorada no trabalho e depois prosseguia pro meu, estava escutando as músicas do Heavy Nova do Mega CD. E confesso que eu adoro esse game, acho os movimentos bem suaves e “elegantes” ;-), e a jogabilidade só precisa de um pouco de treino para assimilar.

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    • Puxa, Souza, não escutei até hoje as músicas da versão do Mega CD. Devem ser versões em áudio das do cartucho, não? Se for, não sei o que estou fazendo aqui…

      Valeu pela informação!

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      • Assim como no caso do Earnest Evans, já jogou? Já escutou…?

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        • Os dois! (jogou/escutou) – Boa demais a de Ernest Evans, eu curtia até a animação esquisitinha do personagem.

          Valeu e ah! Só pra lembrar que está em andamento mais uma versão de Phantasy Star :-)

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          • Opa! Vou ficar aguardando por mais uma obra prima do Phantasy Star…
            Outra coisa, eu gostaria muito de saber qual a sua opinião em relação as musicas do Heavy Nova do MEGA CD… Eu pessoalmente adoro, mas é porque, além de ser vidrado em musicas estilo eletrônico, eu gosto do estilo do Heavy.

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  10. Gostei muito da matéria! Infelizmente, não consigo me lembrar agora de nenhum jogo obscuro que tenha sido execrado por todos, mas que eu somente adoro!

    Acho que o mais próximo que minha memória masoquista consegue imaginar é Altered Beast. Conhvenhamos, aquilo é um horror, né? ;D

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  11. O interessante é que nunca joguei nenhum dos jogos citados… e como a jogabilidade é o principal fator em um game para que eu possa gostar dele, acho que me dei bem… hehehehehe… 8)

    Estou pensando aqui… e no momento não consigo lembrar de nenhum game que eu gosto “que eu não tenha com quem conversar”. Normalmente quando um game tem uma jogabilidade muito ruim, eu logo o descarto e vou jogar outra coisa.

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    • haha, olha lá hein, deve ter aquele patinho feio em seus jogos favoritos… :)

      Mas você está certo, se a jogabilidade não agrada e você tiver outra opção de jogo, a gente acaba trocando logo mesmo. Isso não acontecia na época em que locávamos aquele único cartucho para passar o final de semana com ele – somente ele. Então o negócio era procurar minerar naquele game ruinzinho alguma coisa que garantisse nossa diversão.

      Hoje em dia… são muitas opções boas por conta do acesso fácil, só joga jogo ruim quem quer mesmo :)

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  12. E para o J.F. Souza: vou providenciar escutar as músicas de Heavy Nova do Mega CD, mas de antemão se forem versões das do cartucho, provavelmente serão sensacionais… A gente se fala por aqui.

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  13. Olha, desses citados somente nightmare on elm street e cyber cop consideros injogavel, ao menos para mim, de resto não são ruins!

    grande revelação! hahaha

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  14. Para mim, um jogo de que acabei gostando (mesmo que pouco), mas é lembrado pela sua péssima jogabilidade, é o Ghostbusters, do Nintendinho (sim, o primeiro). Embora muitos consideram como um dos piores títulos do Nintendinho, ele não me parece tão ruim. É jogável e chega até a ser divertido, com um pouco de treino e muita paciência.

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