Cosmic Cast #8 – Game & Music II

Com a ótima e inesperada recepção da nossa comunidade de retrogamers brasileiros ao Cosmic Cast #5 – Game & Music, nós do Cosmic Effect decidimos brincar mais uma vez com a história de juntar um jogo antigo com uma música de preferência igualmente velhinha. O objetivo é brindar a relação deliciosa que bons jogos de videogame possuem com a boa música.

Só que desta vez, convidamos 7 blogueiros que admiramos e um ilustre leitor dos nossos blogs de videogame, para que eles selecionassem e nos contassem uma historinha acerca de cada jogo/música escolhidos. Recebi emails maravilhosos com histórias empolgantes e até emocionantes, com material suficiente para umas 3 horas de vídeo (calma, o vídeo ficou bem menor do que isso!).

Além de ótimos escolhas em jogos, as escolhas musicais me fizeram concluir de uma vez por todas: retrogamer tem um gosto muito requintado pra música. Para minha grata surpresa, OITO das 37 (!) músicas que os amigos retrogamers escolheram são favoritíssimas do meu repertório – isso garantiu um prazer adicional durante a edição do vídeo. Pareciam escolhas pessoais. A música que fecha o vídeo é uma delas… mas vou deixar vocês assistirem, não é? :) Pra terminar, músicas de bandas que eu tinha algum preconceito me foram gratas surpresas e alguns artistas desconhecidos citados por alguns blogueiros me fizeram procurar pela discografia inteira…

Será que a boa música que cultivamos ao longo do tempo influencia até mesmo nas nossas boas escolhas de jogos eletrônicos? O contrário também poderia ser verdade? De qualquer maneira, faço questão de fazer um último pedido: aumente o volume do seu notebook, iPad, iPhone ou de preferência daquele seu desktop com aquelas caixas de som turbinadas antes de clicar no play. Não ouça esta seleção com volume baixo. E preste bastante atenção nas divertidas, inusitadas e emocionantes histórias que os amigos retrogamers compartilharam conosco.

Enfim, o Cosmic Effect orgulhosamente apresenta:

Cosmic Cast

Episódio #8: Game & Music II

No YouTube, a reprodução das músicas foi desabilitada por violação de copyright :(

O Cosmic Effect é imensamente grato a:

Orakio Rob, “O Gagá”
André Breder “Andremcleod”
Thiago Cruz “O Senil”
Gagá Games (www.gagagames.com.br)

Marcos Valverde “mcs”
Rafael Fernandes “Rafael00Agent”
Passagem Secreta (passagemsecreta.wordpress.com)

Manoel Soares “Manogamesenior”
Reinaldo Ferreira “OldGameMaster”
Revista Game Sênior (revistagamesenior.wordpress.com)

E o ilustre leitor Douglas Oliveira “Sephrox”.

Nossos canais somente com os vídeos da série Cosmic Cast:

No YouTube
http://www.youtube.com/user/CosmicEffectGaming

No Vimeo
http://www.vimeo.com/user4397129

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Sonic The Hedgehog 4 – Episode 1 (X360)

Por Danilo Viana.

É isso aí, Sonic 4 chegou e toda a blogosfera brasileira fez um review dele – cada um tecendo suas críticas e elogios a uma das sequências mais esperadas dos últimos 16 anos. Claro, nós não poderíamos ficar de fora: esperamos a poeira abaixar e vamos tentar trazer uma luz um pouco diferente à discussão acerca do novo jogo da série maior da SEGA.

Na primeira parte, revisitamos o game. Será que Sonic 4 traz a velocidade de volta aos nossos consoles (e telefones…) ou será que este é um jogo que vai correr pra dentro do baú? (ou será que essas comparações de início de review já encheram?)

Gráficos

Os gráficos de Sonic 4 estão ótimos, dão um toque muito moderno mantendo o espírito retrô. Eles são “2.5D”, ou seja, os gráficos são em 3D mas a câmera sempre mantém uma visão lateral em 2D, exceto por algumas partes onde Sonic se aproxima ou se afasta do cenário. Algumas zonas,   Splash Hill por exemplo, precisavam de um pouco mais de vida, dando a impressão que tem objetos de menos na cena, mas outras são muito bonitas de apreciar. Vi algumas críticas aos gráficos do jogo, comparando com alguns trabalhos de fãs que estariam mais bonitos (e concordo, estão), mas acho que o objetivo foi manter uma aparência retrô e não criar uma versão de Sonic Adventure do Dreamcast em 2D. E isso foi muito bem alcançado.

Som

O som é Sonic genuíno do início ao fim. Desde o som do spindash até o barulho que um inimigo faz ao explodir e soltar o animalzinho, todos os efeitos serão imediatamente reconhecidos pelos fãs da série. Até mesmo o barulho de “rocha se movendo”, que aparece toda vez ocorre um terremoto em algum jogo do Sonic, está do jeito que você se lembra dos outros jogos da série.

Música

Altos e baixos aqui. A música de Splash Hill Zone é ótima e abre bem o jogo, mas algumas músicas seguintes são pouco inspiradas, com algumas exceções como Mad Gear Zone que tem ótimas músicas. No geral a música segue o clima do jogo, mas carece de mais faixas que marcam na memória.

Jogabilidade

Várias mudanças nesse departamento. O básico ainda funciona: você pula girando em um inimigo ou dá um spindash nele. As novidades estão na movimentação e física do jogo – agora Sonic demora um pouco mais pra ganhar impulso na corrida e freia bem mais bruscamente – se você estiver correndo à toda e soltar o direcional Sonic para em menos de um segundo, o que leva algum tempo pra se acostumar; mas, ajuda a evitar algumas mortes bobas por estar correndo e um obstáculo surgir do nada.

Sonic agora ganhou um ataque chamado de Homing Attack (ou ataque teleguiado) – quando se está pulando próximo de um inimigo, mola ou outro objeto atingível, vai aparecer uma mira e se você apertar o botão de pulo Sonic avança para o alvo automaticamente. Esse ataque é muito legal e bem usado no jogo, inclusive servindo para passar abismos onde inimigos são postos em sequência para serem usados como “ponte”. Ele também permite que você se salve de situações de morte certa, onde você está quase caindo em um espinho ou abismo e usa o ataque para sair da situação. Por fim, o homing attack permite ganhar velocidade, se você der um pequeno pulo e usá-lo, Sonic avança e ganha velocidade bem mais rápido que se você simplesmente segurar o direcional.

As fases têm desafios bem variados, mas o design lembra muito a trilogia original. Aqui faltou um pouco de criatividade, já que até o nome lembra algum outro Sonic (Cassino Streets Zone? “Cópia” de Cassino Night Zone de Sonic 2). As fases de bônus são muito parecidas com as de Sonic 1, exceto pelo fato de você controlar o cenário e não Sonic, girando-o para se guiar pelo estágio. Até os chefões são parecidos com os jogos do passado, mas todos têm sempre uma reviravolta bem legal.

Bom, tá aí nosso review e nossas impressões do jogo, mas tudo isso foi uma preparação para a segunda parte das elocubrações: Afinal, porque tantas críticas ao jogo?

Sonic 4 não é Sonic 3, nem 2, muito menos o 1.

Fazendo um apanhado básico dos comentário que ouvimos por aí, podemos fazer uma lista bem resumida dos “problemas” de Sonic 4:

– A física de Sonic está errada;
– Os gráficos de Sonic estão diferentes do que eram antes;
– As músicas não são tão boas quanto antigamente;
– As fases são pouco criativas.

Com os dois últimos não posso discordar – eles realmente precisam trabalhar essas áreas no próximo episódio – mas as duas primeiras me fizeram rir. É sério? Estamos reclamando porque o “Sonic” de Sonic 4 não é identico ao Sonic dos jogos anteriores? Eu jurava que o nome disso era evoluir, mas aparentemente evolução não é muito bem vindo para o clube dos fãs do ouriço azul. Vamos dar uma olhada no primeiro quesito, a física. Muita gente literalmente odiou a nova física do Sonic, mas o que tem de errado nela? “Ah, ele para muito rápido” dizem uns – “Ele começa a andar muito lento”, comentam outros. Minha visão pessoal? O início lento é marca registrada de Sonic e sempre foi resolvida com o spindash introduzido em Sonic 2; curiosamente, temos até mais uma ferramenta para ganhar velocidade (o homing attack). Já sobre a parada rápida, não entendi: todo Sonic sofria do problema de mortes acidentais porque tudo estava muito rápido e você não tinha tempo de reagir; agora Sonic pode parar quase instantaneamente ao ver um obstáculo – e isso é ruim?

Quanto aos gráficos, as pessoas preferiam o Sonic gordinho e não gostaram do Sonic magrelo de pernão desta versão, mas o que tem de errado com isso? O Sonic corre o tempo todo, ele não devia ser magro? Nem mesmo é uma questão de gráficos ruins – Sonic está bem feito – as pessoas realmente não gostaram do Sonic magro por pura preferência pessoal, inclusive este assunto foi mencionado em reviews e o jogo perdeu pontos por isso – eu achava que reviews deveriam oferecer uma visão imparcial do jogo, desde quando “não gostei do Sonic magro” entra para a lista de defeitos que tiram pontos?

Vamos encarar nossa franquia rival favorita – Super Mario. Ao longo do tempo o encanador sofreu várias mudanças de jogabilidade e gráficos – até Luigi – antes um mero color swap de Mario – ganhou gráficos e personalidade próprios. Mario antes só pulava e soltava bolas de fogo, mas com o tempo até roupa de sapo ele vestiu. Reclamaram disso? Bom, com certeza alguém achou estranho mas é concenso que os jogos do Mario evoluiram para melhor ao longo do tempo. Então porque as mudanças de gráficos e jogabilidade de Sonic são tão mal vistas? Estamos nós fãs de Sonic fadados a ter sempre nosso ouriço azul barrigudo e levando duas horas para parar só porque do contrário “esse não é mais Sonic”? Será que Sonic 4 é tão criticado porque não é retrô o bastante?

Acredito que as mudanças de física e gráficos de Sonic 4 são, sim, muito bem vindas. Joguei este Sonic tendo muito mais controle sobre minhas ações e o novo Sonic mais alto, de pernas mais compridas, deu maior impressão de agilidade para ele. Se o Sonic do jeito que está difere dos outros da série: azar, este não é Sonic 2 Returns ou Sonic 3 HD Edition. É Sonic 4 – uma nova entrada na franquia e deve ser encarada como tal. Claro que não devemos engolir qualquer mudança só porque é “inovador”, mas criticar boas mudanças, que melhoram a jogabilidade, só porque é diferente do anterior no mínimo não é muito “polido”.

Gostei muito do resultado final do primeiro episódio. O jogo me deixou com vontade de quero mais e se os próximos episódios resolverem as questões do primeiro – a pouca criatividade das fases e músicas – posso dizer que a franquia do ouriço mais rápido do mundo está de volta e com força para durar outros 16 anos.

SCORE

GAMEPLAY: Nova física, incompreendida e inegavelmente mais eficiente 4/5
GRÁFICOS: Visual retrô garantido, poderia ter mais vida em algumas zonas 4/5
SOM: Efeitos sonoros diretos dos cartuchos do Mega Drive garantem a nostalgia 5/5
TRILHA SONORA: Com altos e baixos, faltou um tema marcante 3/5
DIFICULDADE: É uma orgia de vidas extras, mas o platforming garante bons momentos 3/5

DADOS

NOME: Sonic The Hedgehog 4 – Episode 1
PLATAFORMA(S): Xbox Live Arcade, PSN, Wiiware e iPhone.
DISPONÍVEL EM: Download
ANO: 2010
DESENVOLVEDORA: Dimps e Sonic Team (co-desenvolvedora)

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Dino Land (MD)

Por Eric Fraga.

Fliperama foi como batizamos, no Brasil, os Arcades. Para quem não sabe, os dois (ou mais) “flippers” são a nossa interface com as máquinas de pinball que, em meados dos anos 80, dividiam de igual para igual o espaço com os jogos totalmente eletrônicos.

Os jogadores de Atari 2600 conhecem Video Pinball, da própria Atari, para o console: provavelmente o mais famoso simulador doméstico de fliperama do seu tempo. Era um bom jogo, reunia os elementos principais de pinball – tinha até tilt; e numa única mesa (ou ‘playfield’), claro!

Claro?

Como sabemos, jogos adoram flertar com o ato de contar histórias. A Taito, uma das maiores do ramo,  criou máquinas temáticas muito charmosas como Cavaleiro Negro, Vortex e Rally – esta última eu era particularmente fissurado por conta dos efeitos sonoros dos carros :) Nos fliperamas, os jogadores das máquinas eletro-mecânicas costumavam ser mais velhos do que a garotada que preferia os jogos eletrônicos. Atento a esse mercado, algumas produtoras de jogos para os consoles domésticos e computadores passaram a criar jogos de pinball, que até se tornaram gênero próprio nos consoles. E, aproveitando as possibilidades da mídia, a idéia de máquinas temáticas ganharam muito mais energia neste aspecto.

Dino Land é um destes exemplares. Esquecido no Mega Drive (e logo ofuscado por Devil’s Crash), o primeiro pinball para o 16-bit da SEGA foi produzido pela Wolf Team – famosa entre os amantes deste console – e trouxe o charme de uma historinha para o campo de jogo: um casal de dinossauros pequenos vivia feliz até um dinossauro grande raptar a fêmea (a dinossaurinha rosa); seu personagem, o namorado, vai resgatá-la. Ainda bem que o rapaz pode se transformar exatamente numa bolinha de pinball, porque o campo de batalha conta com os elementos típicos dos fliperamas.

São três campos de jogo: terra, representando o playfield principal; água e ar são os dois outros cenários, além de uma tela com um boss distinto em cada um deles. O acesso a cada cenário é conseguido quando o jogador completa alguma “quest” no playfield: por exemplo, para lutar com o boss na terra, você precisa acertar seu dino-bola numa trava, 6 vezes, sem perder vida no processo. Quando o jogador consegue, ele vira dinossauro e sai da tela principal. As lutas são legais e fulminantes: não há scroll, você controla os dois flippers e pode se transformar em dinossauro por alguns instantes para “atacar” o ajudante do chefão. Quando ainda não se conhece o jogo, a luta não costuma durar nem 1 segundo: isso porque a bola começa no seu flipper esquerdo e, no reflexo, você o aciona mandando o dino direto no boss que o rebate para a caçapa…

A vitória contra o chefe garante 1.000.000 de pontos ao jogador. Estamos falando de um pinball, então a recompensa maior costuma ser o bom e velho score mesmo. Então, você retorna para o playfield de onde veio e tudo recomeça. Justo. Os dois cenários alternativos apresentam pouca variação no playfield relevante ao gameplay, mas o suficiente para lhe manter interessado. Um showzinho a parte são as músicas: enquanto que no playfield principal a trilha é apenas mediana, as duas músicas dos outros cenários são fantásticas. Graficamente, as fases alternativas são totalmente diferentes e até um parallax bem legal aparece na tela do ar. Certa feita, eu e meu irmão jogamos até a madrugada em busca de zerar (literalmente) o Dino Land, para ver, quem sabe, um final. Conseguimos um score muito alto, até porque nos mantemos vivos até a madrugada, mas não o suficiente para fazer os 99.999.999 desejados :)

Enfim, Dino Land não é nenhum Devil’s Crash ou, muito menos, qualquer um da fantástica série Pinball Dreams (PC/Amiga); nem tem uma física muito real, que costuma ser bem caprichada neste tipo de jogo. Mas, com seu ar inocente e músicas cativantes, garante boa diversão para os antigos fanáticos por Video Pinball…

Como Dino Land é pouco conhecido, se puder assista o videozinho a seguir, que mostra todos os cenários rapidamente. Curiosidade: a trilha sonora contém vários samples utilizados também nos jogos de Sonic da época – e até mesmo em Sonic 4. Observe, especialmente, a bela música da fase do ar e viaje nela…

SCORE

GAMEPLAY: Não tem física espetacular, mas os playfields são divertidos 3/5
GRÁFICOS: Bem cuidados, um parallax legal mas alguns framedrops inexplicáveis 3/5
SOM: Os dinos soltam uns ruídos engraçados, mas muito ruído branco fica feio 2/5
TRILHA SONORA: O tema é bonitinho; músicas dos playfields alternativos são pérolas 4/5
DIFICULDADE: Não é o seu típico pinball, não é tão difícil ficar muito tempo “vivo” 2/5

DADOS

NOME: Dino Land
PLATAFORMA(S): Mega Drive
DISPONÍVEL EM: Cartucho, PC via emuladores
ANO: 1991
DESENVOLVEDORA: Wolf Team

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Retrodia das Crianças 2010

Ok, este garoto não sou eu. Mas minha reação ao ganhar o primeiro videogame, O Atari 2600, foi até similar à do famoso “Nintendo 64 Kid”, como ficou conhecido o menino que vibrou com uma empolgação que supreende todo mundo que assiste o vídeo, exceto pessoas como nós, retrogamers de coração. Uso “retrogamer” aqui em especial, porque desejo expressar nosso apreço pelas maquininhas de sonhos que se realizam a cada novo jogo, desde o “início dos tempos”.

Dia das Crianças. Não somos mais uma delas, mas quem tem o espírito de jogador de videogame não perde (mesmo) a magia da infância. O nosso Gabriel do GLStoque, atento a este sentimento comum a todo retrogamer, convocou a blogosfera retrô para o meme Retrodia das Crianças. Contando com o apoio e a divulgação do Gagá Games, só poderíamos esperar a participação de todos os retroblogs que versam sobre o assunto.

Portanto, vamos lá.

Resolvi escolher um jogo que considero agradável às crianças da 2ª geração de consoles, outro da 3ª e, por último, um cartuchinho da quarta geração. A primeira geração achei melhor deixar de fora – afinal, todos eram fanáticos somente por Pong, vai entender :-)

Atari 2600

Sneak ‘n Peek (U.S. Games)

Para crianças de até 8 anos ou retrogamers de 30+

Quem quando criança nunca brincou de Esconde-Esconde? A brincadeira mundialmente popular (o tópico do Wikipedia é disponibilizado em 33 línguas) significava diversão garantida. E era possível brincar até com apenas 2 pessoas, numa boa. Um dos primeiros cartuchos que pedi para meu pai comprar para o Atari 2600 foi justamente o “Esconde-Esconde”, da CCE. Soube da existência dele vendo a embalagem numa loja – e o vendedor espertamente explicando: “esse jogo é de esconde-esconde!”.

Quem jogava Odyssey e Atari nessa época deve se lembrar que grande parte das sessões de jogatina era com os amiguinhos. De fato, o videogame já foi concebido como uma diversão para um grupo de pessoas; praticamente todos os jogos dessa geração tinham modos para 2 ou até mais jogadores. Sneak ‘n Peek (ou “Peak”, como saiu impresso no label do cartucho da CCE) parecia um sonho de uma brincadeira materializada num cartucho, principalmente pela ilustração do rótulo –  hoje, nem acho lá essas coisas, mas na época… Até que o joguinho era bem legal: tinha música quase todo o tempo (meio desafinada às vezes, mas tudo bem), dava pra se esconder em umas dezenas de lugares na casa e – o mais legal – o seu amiguinho tinha realmente de fechar os olhos enquanto você se escondia!

Enfim, sempre que a turma estava reunida e o braço não aguentava mais Decathlon, Sneak ‘n Peak era uma boa pedida – levando em conta as limitações do Atari 2600, o joguinho conseguia simular até bem a brincadeira. A vista de fora da casa até hoje me enche a memória de fantasias, achava a imagem linda! :-)

Master System

Fantasy Zone: The Maze (SEGA)

Para crianças de até 10 anos ou retrogamers de 25+

Depois da Atari, vieram Nintendo e SEGA com máquinas poderosíssimas que permitiram novas modalidades de jogos; por sinal, estes foram os responsáveis pela base do que jogamos até os dias atuais. Mas, um joguinho muito particular, perdido na então crescente biblioteca do Master System, era uma diversão fantástica quando jogado com um amiguinho: Fantasy Zone: The Maze foi o terceiro da série no Master, e era um reminiscente de Pac-Man, que muitos de nós adorávamos no Atari! (Nem venha com aquele papo de que a versão doméstica da Atari era inferior à dos arcades que eu sei que você jogava mesmo era no console :)

Na época, achava que The Maze era o primeiro da série, uma vez que Fantasy Zone 1 e 2 eram shoot’em up (ou “cute’em up” porque eram muito bonitinhos) que claramente tinha um valor de produção bem maior do que o The Maze. Só muito mais tarde descobri que este seria o último Fantasy Zone a ser produzido no 8-bit da SEGA.

Dificílimo quando jogado sozinho, e divertidíssimo quando jogado de duas pessoas. Com certeza um excelente presente para uma criança que tem ainda pouco contato com o mundo dos videogames. Um joguinho simples, que herda o visual surreal dos antecessores combinado com a jogabilidade que remonta aos primórdios dos jogos eletrônicos: um labirinto, um personagem carismático (assim como Pac-Man, Opa-Opa é muito legal e ainda soa natural em português :) e pontos a coletar. Do que mais uma criança precisa? De quebra, conta com belíssimas músicas do Hiroshi Miyauchi, mago da game music da SEGA. Infelizmente, é o único dos Fantasy Zone que ainda não está disponível no Virtual Console do Wii.

Mega Drive

Wonder Boy In Monster World (SEGA e Wetstone Co. Ltd.)

Para crianças de até 12 anos e retrogamers de 20+
Também disponível no Virtual Console (Wii)

Fechando nossas sugestões de bons jogos para crianças que ainda não foram poluídas com os GTAs e Counter Strikes da vida (adulta): Wonder Boy In Monster World, no Mega Drive. Este já é para os “maiorzinhos”: temos um jogo de plataforma, com elementos de RPG e beat’em up para esquentar. Gráficos inspiradíssimos e “fofíssimos”, músicas marcantes e um jogo em que o garotinho ou garotinha vão poder salvar para continuar mais tarde.

Este é o quinto game da série Wonder Boy, que se inicia no Arcade/Master System com o jogo homônimo. É o terceiro da sub-série “Monster World”, agregando elementos de RPG à jogabilidade somente plataforma neste e em outros dois títulos (Monster Land no Master e Monster World IV no Mega, este último somente no Japão). É uma série muito popular entre os fãs da SEGA e, de fato, carrega o charme dos jogos da empresa deste período. Foi lançado nos EUA em 1992, ano em que o Genesis gozava do seu período de extrema popularidade entre os jogadores americanos, com o sucesso de Sonic dividindo as atenções com o recém-lançado Super Nintendo.

Para mim, foram os anos iniciais nos RPGs eletrônicos, quando jogava muito os adventures/RPGs dos PCs e a biblioteca não muito extensa do gênero nos consoles da SEGA. Wonder Boy In Monster World era cativante pois, apesar de primariamente ser um platformer (o gênero estava até um pouco saturado nesta época), realmente agregava elementos do RPG típico: várias “locações”, conversar com pessoas para dar seguimento a história, troca de armas, armaduras, mágicas diversas, itens para comprar e… Inn para salvar e restaurar o life. Grindind também marcava presença, uma vez que as moedinhas típicas soltavam de cada monstro abatido. Algum backtracking para completar e aí está, o role-playing game bem disfarçado.

Um belo jogo, com um ar de infância em cada cenário, em cada música e efeito sonoro. Um prato cheio para aquela criança bem no início da adolescência, que ainda tem muito intensos o espírito de fantasia e imaginação – que sente um prazer inigualável no simples ato de entrar numa casinha de um vilarejo para conversar com um personagem, enquanto aprecia a mobília colorida e imagina a paisagem vista daquela janelinha :)

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Blogs participantes do Retrodia das Crianças 2010:

GLStoque > “Retrodia das Crianças: Kirby Super Star”

Passagem Secreta > “Retrodia das Crianças: Vídeo-Análise de World Of Illusion”

Gagá Games > “Retrodia das crianças: Lunar The Silver Star Story Complete”

O Gamer > “Meme Retrodia das Crianças: Super Mario Kart”

The Four on > “Mega Drive – Dodge Ball Kuy Kid – Retrodia das crianças”

Vão Jogar! > “Game & Watch E O Dia Das Crianças”

Retroplayers > “RetroReview especial Retro Dia das Crianças: Little Nemo: the Dream Master”

Santuário do Mestre Ryu > “Retrodia das Crianças na Blogsfera Gamer: Retrolândia para a Criançada – Jogos Clássicos do Mega Drive”

Dimensão X > Retro-Dia das Crianças: Super Mario Kart

Gamesportmania > Retrodia das crianças – Crystal’s Pony Tale

Macho Gamer > Jogos pra Pequenos Machos: Yo! Noid

Museum dos Games > Retrodia das Crianças

NZ Games > Retrodia das Crianças – Goof Troop (SNES)

Puff Puff Room > Zombies Ate My Neighbors

Tecnicamente > Retrodia das Crianças! Miracle Girls

The Twosday Code > Retrodia das Crianças – Kirby’s Dream Land (Game Boy)

Ziro Video Game Nerd > Retro dia das crianças 2010

Cosmic Cast #5 – Game & Music

Seguimos fazendo vídeos sobre a cultura dos videogames. Desta vez, iremos tocar num assunto delicado da nossa infância. Lembra quando você acabava de chegar em casa da locadora, sábado à tarde, encontrava seu irmão escutando música bem alto e você estava louco pra começar a jogar? “Pode jogar seu joguinho” – dizia o primogênito. “Mas tira o som da TV, meu filho”.

Ou ainda: você se cansou da música de três notas em loop eterno de Ghostbusters do Nintendo e aproveitou aquele vinil no toca-discos pra servir de trilha sonora e fazer você relaxar pra conseguir terminar o game antes da devolução?

Convidamos os retrogamers a assistirem o quinto episódio do Cosmic Cast: “Game & Music”. É um vídeo que celebra alguns jogos clássicos, despretensiosamente, mais do que qualquer coisa.

Aumentem o volume e se não gostarem das músicas, é só jogar os tomates nos comentários :)

Cosmic Cast

Episódio #5: Game & Music

Nossos canais somente com os vídeos da série Cosmic Cast:

No YouTube
http://www.youtube.com/user/CosmicEffectGaming

No Vimeo
http://www.vimeo.com/user4397129

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