Bully (PS2)

Antes de mais nada, gostaria de falar sem medo que não sou muito fã dos games da Rockstar: sim, e eu estou me referindo aos jogos da famosa franquia GTA. Até hoje também não joguei muitos games desta série, tendo apenas jogado um pouco do San Andreas e mais recentemente do Vice City, sendo que este último eu curti mais, apesar do primeiro ter uma jogabilidade melhor.

Os meus motivos para eu não gostar tanto dos aclamados jogos da série GTA eu vou deixar para expor de forma mais “profunda”, quem sabe, numa próxima análise. Mas você que está lendo este texto deve estar se perguntando: “por que então você está falando sobre isso?” Acontece que por causa da minha não empolgação em relação aos GTAs, eu por muito tempo relutei em jogar um game da Rockstar que acabou se tornando um dos meus preferidos, entre todos os que já joguei no PlayStation 2: trata-se do polêmico Bully.

Bully é como se fosse “um filho” dos GTAs mas apesar disso, por causa de seu tema, eu acabei me familiarizando muito com este game e consequentemente gostei dele muito mais do que os GTAs que pude jogar até hoje.

Relembrando os tempos de escola!!!

Ao contrários dos games da série GTA, onde o jogador normalmente assume o papel de um criminoso, em Bully você entra na pele de Jimmy Hopkins, um garoto problema que está sendo mandado para sua milésima escola interna, após ser expulso de mais uma instituição de ensino por onde passou anteriormente. Agora ele deve viver (ou melhor, sobreviver) em “Bullworth Academy”, um lugar onde várias tribos de alunos buscam o controle do local, e portanto, vivem lutando entre si.

Quem nunca arrumou uma briga depois da aula? Ou colocou bombinhas no banheiro masculino do colégio? Ou mesmo passou a mão naquela aluna gostosa e saiu correndo? Bully dá a chance do jogador reviver tudo isso e muito mais.

Mesmo aqueles que só levavam a pior no seu tempo de estudante poderão se divertir muito ao jogar Bully: pois desta vez terão chance de se vingar, podendo dar uma verdadeira surra naquele valentão do colégio e ainda por cima humilhá-lo depois.

É melhor não matar as aulas!

Em Bully, Jimmy Hopkins poderá frequentar diversos tipos de aulas, mas para que o jogador possa cumprir as missões do game com mais facilidade, é aconselhável que ele não seja nenhum “matador” de aulas.

Se for bem nas provas de Química, por exemplo, Jimmy poderá fazer algumas “criações explosivas”; já o sucesso nas provas de Arte fará com que Jimmy possa se relacionar melhor com as garotas, e por aí vai. No game ao beijar uma garota a energia de Jimmy irá aumentar de acordo com seus progressos na aula de Arte, portanto ser um “bom aluno” em Bully é algo que recompensa, e muito, ao jogador.

Todo santo dia em “Bullworth Academy” o sinal irá tocar às 9:00 e às 13:00 horas, indicando que uma aula irá começar. No mapa do game as salas de aula são indicadas pela figura de um sino laranja, bastando então o jogador seguir esta indicação para encontrá-las.

Uma dica é que se o jogador ficar perdido e com dificuldades para encontrar a sala de aula da vez, bastará ficar andando pelos corredores a procura de um supervisor da escola, que pegará então Jimmy (com todo o “carinho” do mundo) e o levará automaticamente para a aula. Esta dica é ótima também para poupar tempo e a sola dos sapatos do jogador.

As missões de Jimmy!

A exemplo dos GTAs, Bully é um game que dá ao jogador liberdade para fazer praticamente o que quiser, mas há também o “Story Mode” com missões específicas que devem ser cumpridas para que se avance na trama do jogo.

Ao todo o jogo apresenta 6 capítulos, sendo que o último é um capítulo especial, onde o jogador já terá terminado todas as missões principais do game e então poderá jogá-lo somente para tentar atingir a porcentagem máxima de exploração do jogo, tendo que cumprir assim todas as missões secundárias e não obrigatórias que o game possui.

As missões em Bully inicialmente serão restristas ao espaço da “Bullworth Academy”, mas quando o jogador chegar ao segundo capítulo do game poderá então explorar a cidade onde a escola fica localizada, aumentando assim o número de missões não obrigatórias do jogo.

Gráficos e Sonoridade

Graficamente Bully é um jogo muito bonito, com cenários bem construídos e diversificados. O design dos personagens está muito bacana, onde se vê claramente detalhes que ajudam a dar vida e individualidade a cada um deles. De nerds dentuços a riquinhos com cortes de cabelo “mamãe sou gay”, Bully apresenta um grande número de personagens interessantes.

A tilha sonora é bacana, mesmo não podendo competir em pé de igualdade com as músicas encontradas nos games da série GTA: também pudera, pois nos GTAs encontramos os maiores hits de cada década.

Mas Bully, mesmo contando apenas com músicas que foram feitas exclusivamente para o game, ainda assim apresenta uma trilha cheia de temas interessantes que ajudam a ditar de forma perfeita todas as situações por qual o jogador irá passar no game.

Os efeitos sonoros não ficam atrás! Cada som presente em Bully é muito bem feito e ajuda a dar vida ao jogo. Destaque para a dublagem dos personagens, um quesito onde o time da Rockstar Games sempre faz um trabalho beirando a perfeição, e que em Bully não foi diferente. Cada personagem tem uma voz que encaixa de forma perfeita com sua personalidade, seja ele um mero nerd ou uma linda garota que chegou recentemente a puberdade.

Jogabilidade e Dificuldade

A jogabilidade de Bully é simples e precisa. Todos os movimentos de Jimmy podem ser executados de maneira praticamente imediata, sem atrasos, pelo jogador. Isso é totalmente necessário em vários momentos do game, portanto nenhum jogador poderá reclamar da jogabilidade por não estar conseguindo passar por determinada parte do jogo, pois ela é excelente.

Ao cumprir determinadas missões ou tarefas, Jimmy irá melhorando ainda mais suas habilidades, como o manejo de armas (não se assuste, as armas encontradas em Bully são mais “leves” do que normalmente encontramos em jogos do gênero, como bastões de baseball ou atiradeiras, nada de armas de fogo ou facas por aqui), ou na precisão que atira objetos, novos golpes de luta, etc.

Ou seja, a jogabilidade que já é excelente desde o início, ainda melhora mais a medida que o jogador vai tendo um bom desempenho nas missões e nas aulas de educação física do game.

A dificuldade do game é crescente, pois a medida que o jogador vai avançando no jogo mais difíceis vão ficando as missões, assim como as provas escolares. Como nos games da série GTA, pelo menos as missões podem ser repetidas a exaustão, até que o jogador possa se capaz de passar por elas. Agora haverá missões bem grandes, e se o jogador falhar no finalzinho delas, terá que começar tudo novamente, algo que pode frustrar jogadores menos habilidosos.

Em Bully existe a perfeita transição do dia para a noite, e isto afeta Jimmy como se ele fosse realmente um ser humano de verdade: se o jogador insistir em ficar acordo até tarde sem descanso, pode até mesmo acabar desmaiando de sono! E por falar em noite, o jogador ainda deve ficar atento com os inspetores da escola nestes períodos, pois eles estarão munidos de lanternas e farão vigília a madrugada inteira só para punir alunos que insistam em ter hábitos noturnos.

Conclusão

Bully pode até ser, para muitos, mais uma cópia de GTA. Já outros (onde eu me incluo) não consideram este game como uma mera cópia, e sim como uma evolução no gênero. Divertido ao extremo, este é um game daqueles que prendem o jogador durante horas e horas sem que ele perceba o tempo passando. Um jogo que deve ser apreciado sem nenhuma moderação, ainda mais por aqueles que tem saudade dos tempos de escola.

SCORE

GAMEPLAY: Comandos simples, com uma resposta precisa. Não poderiam ser melhores 5/5
GRÁFICOS: O jogo possui tanto cenários quanto personagens com um design bem bacana e caprichado, encaixando-se perfeitamente no clima juvenil do título 5/5
SOM: Efeitos sonoros muito bem feitos e caricatos. Dublagem bacana, ressaltando a personalidade de cada ser vivo do game de forma convincente 5/5
TRILHA SONORA: Músicas diversas para os diversos climas apresentados 4/5
DIFICULDADE: Crescente, mas nada que vá fazer o jogador arrancar os cabelos. A parte final pode ser um pouco complicada, mas nada que um pouco de treino não resolva 3/5

DADOS

NOME: Bully
PLATAFORMA: PS2
DISPONÍVEL EM: DVD
ANO: 2006
DESENVOLVEDORA: Rockstar Vancouver
DISTRIBUIDORA: Rockstar Games


TheBoss Informa 001 – Leilão Da THQ, Nintendo Direct E Novos Jogos Para O Wii U

Amigos do Cosmic Effect, apresentamos o TheBoss Informa, seu resumo semanal de notícias relevantes e irrelevantes sobre games.

Sob o comando jornalístico do Orakio Rob, o nosso Gagá (quem mais? ^_^), conceito visual do Andrey e eu me arriscando na locução, esperamos levar para vocês que nos acompanham um “compacto” dos acontecimentos da indústria dos videogames sem perder o nosso estilo cósmico.

Sem mais delongas, vamos ao primeiro TheBoss Informa, que traz a THQ e a Nintendo no centro das atenções. Esperamos que gostem e, por gentileza, divulguem o quanto puderem!

TheBoss Informa 001

 


TheBoss NewGame 009 – Dead Space 3

Retorne ao universo de Dead Space no terceiro (e último?) capítulo da série de survival horror inspirada na franquia de cinema Alien e desenvolvida pela venerável Electronic Arts.

Apresentando uma profundidade na personalização de armas e itens digna de Fallout New Vegas, Dead Space 3 até se arrisca a flertar com a tradicional mecânica de cover que existe por aí; mas, em DS3, o jogador continua solto, mesmo em cobertura… solto entre os necromorphs…

TheBoss NewGame 009

Dead Space 3

 


To The Moon (PC)

Este artigo faz parte da série “Indie no Cosmic Effect”

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Embarque numa jornada comovente pelas memórias de um homem

A premissa

Se você tivesse, no seu leito de morte, a chance de mudar suas memórias de forma a acreditar que teve uma vida diferente, você o faria? Baseado nessa premissa instigante o game indie To the Moon conduz o jogador a uma jornada pelas lembranças de um homem. Trata-se de um trabalho de praticamente uma pessoa: o canadense Kan Gao da Freebird Games.

Johnny Wiles é um senhor de idade que vive suas últimas horas, em estado de coma. Quando ainda gozava de melhor saúde Johnny contratou os serviços da Sigmund Corp., uma empresa que promete modificar memórias permanentemente de forma que o paciente acredite que levou uma vida diferente, sem arrependimentos. Devido ao alcance das mudanças a técnica só deve ser utilizada naqueles que estão prestes a morrer.

É aí que entram a Dra. Eva Rosalene e o Dr. Neil Watts. Empregados da Sigmund Corp., esses dois cientistas são os personagens jogáveis de To the Moon e logo no início do jogo eles chegam à casa de Johnny — localizada em um belo penhasco, com um farol de navegação marítima à frente – para realizar os procedimentos de reconstrução de memória.

A bela vista da casa de Johnny

Uma viagem rumo ao passado

Falar sobre To the Moon exige um cuidado especial, pois por se tratar de um jogo fortemente baseado em sua história é fácil ir longe demais e estragar a experiência. Serei cuidadoso para mencionar apenas o necessário para estabelecer o início do fio condutor da narrativa.

Antes de começar a operação é preciso obter mais informações sobre o cliente, e é nesse momento que somos levados a explorar um pouco a história e a casa de Johnny. A sua cuidadora — que tem dois filhos e mora com o ancião — nos conta que a esposa dele, chamada River, morreu há dois anos e também nos sugere que peçamos às crianças que nos mostrem a casa.

Os pequenos aceitam (não sem algum convencimento) e mencionam que há coisas estranhas no porão da residência. Inspecionando o local nos deparamos com uma grande quantidade de origamis de coelho, além de um ornitorrinco de pelúcia.

Ornitorrinco de pelúcia e origamis de coelho: que mistério eles encerram?

As crianças mencionam que no farol também há coisas estranhas. Chegando lá, mais origamis de coelho, sendo que um deles parece ser especial, pois possui duas cores: azul e amarelo. Nesse momento recebemos uma ligação telefônica do parceiro que ficou junto a Johnny, visando começar a operação.

Pois bem. Para fazer a reconstrução da memória há todo um procedimento: Eva e Neil utilizam capacetes interligados a um aparelho. Johnny, deitado na sua cama e inconsciente, também é conectado à máquina da mesma forma. Ligando o aparato os cientistas são levados à última memória acessível de Johnny, onde eles podem, invisíveis, assistir aos eventos, ou visíveis, interagir de forma seletiva com objetos ou pessoas.

Johnny em seu leito de morte. Eva e Neil se preparam para a missão

Nesse momento eles conversam com Johnny e descobrem como ele quer reescrever sua memória: seu desejo é ir até a Lua. O mais estranho é que Johnny não sabe porque quer fazer isso, mas tem certeza de suas intenções.

Para reescrever a memória de forma convincente é necessário que a vontade do cliente seja inserida quando ele ainda é bem jovem, ou seja, Eva e Neil devem saltar até as memórias de infância de Johnny e incutir nele o desejo de ser um astronauta, de forma que ele se prepare e faça o que é necessário ao longo da vida para ser selecionado pela NASA e, enfim, embarcar numa missão rumo ao nosso satélite natural.

Entretanto o salto não pode ser direto; é importante que eles passem gradativamente pelas fases da vida de Johnny, da velhice à infância. Em cada etapa eles precisam encontrar cinco mementos (objetos que representem lembranças) que façam uma ligação entre a fase atual e anterior. Também é necessário resolver um puzzle simples, virando ladrilhos de um mosaico que representa o objeto. Quando essas condições são satisfeitas, o salto rumo a fase anterior pode ser realizado.

Pouco jogo, muita história

Encontrar os mementos e resolver os puzzles são tarefas fáceis; não se qualificam como desafios típicos de um jogo. Nesse instante fica evidente o que provavelmente é o ponto fraco de To the Moon: se o jogador espera uma jogabilidade rica, certamente vai se frustrar. Trata-se praticamente de uma ficção interativa.

Por outro lado, se há interesse em uma história comovente e muito bem contada, então a satisfação é garantida. À medida que Eva e Neil vão avançando passo a passo rumo à infância de Johnny somos presenteados com uma narrativa que aborda com profundidade os relacionamentos humanos, o casamento, as memórias e o impacto que um evento pode ter ao longo de toda a vida.

Eva e Neil também se destacam, ficando evidente a longa parceria dos dois. Ela profissional mas respeitosa. Ele irônico e muitas vezes o alívio cômico da cena. É interessante notar os variados graus de envolvimento dos cientistas com a história de Johnny à medida que eles avançam na jornada.

Eva e Neil no início da missão, acompanhando uma memória mais recente de Johnny

Contar histórias de trás para a frente exige uma boa dose de habilidade. No caso desse game os mistérios vão sendo descortinados (ou não) de uma forma que valoriza a inteligência do jogador. Os diálogos são muito bem construídos e confesso que em alguns momentos não pude deixar de admirar que acompanhava algumas das cenas mais memoráveis que já vi nos games. Os personagens têm um desenvolvimento sólido e é muito improvável que ao fim do jogo o jogador não se importe com eles.

Na sua premiação Game of the Year, o site GameSpot elegeu To the Moon como o vencedor da categoria “Melhor História”. Ainda falando de roteiro, também foi indicado aos prêmios de “Momento Mais Memorável”, “Melhor Redação/Diálogos” e “Melhor Final”.

Uma apresentação retrô

Algo que chama a atenção ao nos depararmos com To the Moon são os seus gráficos. Trata-se de um jogo criado no RPG Maker XP, uma plataforma que visa facilitar o desenvolvimento de games no estilo típico 16-bit. Não à toa, a impressão é que estamos jogando um título da SquareSoft no SNES.

Trata-se de pixel art de qualidade, que consegue representar com beleza os diferentes cenários do jogo, inclusive os orgânicos. Há pequenos deslizes aqui e ali, uns poucos elementos com qualidade um pouco destoante do resto da cena, mas felizmente tais ocorrências são raras.

Música tocante

A trilha sonora de To the Moon atua decisivamente para realizar todo o potencial emocional do jogo. São composições de grande beleza, muitas delas executadas ao piano, que evocam os sentimentos de cada momento da vida de Johnny.

Vale a pena mencionar que o próprio Johnny toca piano e compõe um dos temas mais memoráveis: “For River”. Essa peça esteve entre as indicadas pelo site GameSpot como “Melhor Música” de  2011. Aliás, To the Moon também foi indicado ao prêmio de “Melhor Trilha Sonora”.

Johnny ao piano

As músicas inclusive podem ser adquiridas à parte e metade do lucro é direcionada a instituições de caridade.

Um avanço notável

Terminei To the Moon após pouco mais de quatro horas. De fato não se trata de um jogo longo, mas a experiência mais duradoura vem realmente depois de acabar a partida. Impossível não refletir bastante sobre a vida de Johnny e tudo o que gira em torno dela.

Sei que possivelmente não é um jogo que agrade à maioria, ainda assim, To the Moon foi o jogo mais bem avaliado pelos usuários do site Metacritic em 2011.

Sem dúvida ele representa um avanço no que diz respeito a que tipo de histórias um jogo pode contar, além da profundidade com que essas histórias são contadas. É uma pena que esse avanço não tenha sido acompanhado de uma jogabilidade à altura, mas de toda forma é importante que esses limites da mídia sejam explorados. Nada impede que alguém se inspire e produza uma obra com esse nível de storytelling e também um gameplay interessante. Fica a torcida.

Por que ir até a Lua?

To the Moon e sua trilha sonora estão disponíveis no Steam. Eu só evitaria ver todos os screenshots que a página disponibiliza; sou meio chato com spoilers e acho que eles mostram um pouco demais. Há também uma versão de demonstração que funciona por uma hora, disponível no site oficial.


Todos os jogos da série “Indie no Cosmic Effect” (até este artigo)

Jamestown: Legend Of The Lost Colony (PC) por Heider Carlos
Outland (X360) por Danilo Viana
VVVVVV (PC) por Émerson Watanabe
Insanely Twisted Shadow Planet (X360) por Danilo Viana
The Binding Of Isaac (PC) por Heider Carlos
Terraria (PC) por Heider Carlos
Torchlight II (PC) por Danilo Viana
To The Moon (PC) por Alan Freitas

Dragon Quest VIII (PS2)

Olá amigos leitores do Cosmic Effect! Aqui é o André Breder, o mais novo (não na questão da idade) integrante do blog que vocês tanto gostam. Alguns devem me conhecer do Gagá Games, blog que eu tive o prazer de participar até o ano passado. Com o fim do Gagá Games e com o surgimento de uma vontade de continuar escrevendo sobre games, mas títulos que fossem mais atuais do que estava habituado, pedi um espaço para o nosso amigo Eric Fraga aqui no blog e cá estou então “rabiscando” mais uma vez. Minha estréia aqui no Cosmic Effect é uma análise de um RPG que gosto muito.

Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King foi o primeiro (e até agora único) game desta lendária franquia que eu joguei. Mas acho que eu não poderia ter começado de forma melhor, pois trata-se de um RPG simplesmente fantástico!

Lançado em 2005, de forma exclusiva para o PlayStation 2, o game se mostra como é totalmente possível fazer um RPG bem nos moldes dos clássicos mas trazendo ao mesmo tempo gráficos e sonoridades de cair o queixo. É quase como se pegasse algum RPG da era dos consoles de 8 ou 16 Bits e fizessem um remake em 3D, pois Dragon Quest VIII é “descaradamente” um RPG tradicional tão bom quantos os que eram lançados antigamente.

A história do jogo

O enredo de Dragon Quest VIII mostra o pobre rei Trode, que foi transformando numa criatura horrenda (bem parecida com o Yoda de Star Wars) por Dolmaghus, um bobo-da-corte que acabou dominado por um cetro maligno, que deu ao mesmo imensos poderes.

Para piorar a situação a (antes bela) princesa Medea também sofreu uma transformação nada agradável por meio das mãos de Dolmaghus, passando a possuir a forma de uma égua!

Juntamente com Trode e Medea está o protagonista (cujo nome fica a cargo de cada jogador), que misteriosamente escapou ileso de ser atingido por qualquer maldição.

Os três partem para uma missão onde devem encontrar e desafiar o maldito Dolmaghus, pois esta parece ser a única maneira de livrar, tanto o rei quanto a pobre princesa, da maldição que os aflige.

Batalhas por turnos… totalmente tradicionais!

As batalhas de Dragon Quest VIII são por turnos, assim como foi nos games anteriores da franquia, e os produtores não tiveram intenção nenhuma em inovar tanto nesta questão.

Fãs dos RPGs mais antigos não terão nenhuma dificuldade em travar batalhas no jogo. Há habilidades e magias que podem ser usadas durante os combates com os inimigos, naturalmente, e fazer o uso certo de cada uma destas formas de batalha é necessário para sair vitorioso de maneira mais tranquila.

Mesmo que a príncipio a força bruta dos personagens pode dar conta do recado, a medida que o jogador vai avançando no jogo ele irá encontrar batalhas que exigem mais inteligência e sabedoria em utilizar os golpes certos, do que simplesmente ficar apertando os botões a esmo.

Para deixar os heróis mais aptos para sair vitoriosos nas batalhas, cada um deles possui 5 quesitos que podem ser melhorados à medida que se ganha experiência, e consequentemente, melhora seus níveis: 3 correspondem às armas que cada um pode utilizar, outro para o combate com as mãos nuas e um atributo exclusivo de cada personagem.

Agora pelo menos houve uma grata novidade em Dragon Quest VIII para incrementar o sistema de batalhas: trata-se do comando “psyche-up”, que faz com que os personagens possam acumular suas forças para posteriormente desferir ataques mais contundentes em seus inimigos. Este comando pode ser usado até quatro vezes seguidas, fazendo com que a “tensão” do personagem alcance o nível 100, podendo então mandar ver ataques literalmente devastadores em seus oponentes.

Gráficos

Os gráficos do game utilizam o efeito Cel Shading, que é um conjunto de técnicas empregadas na renderização de imagens 3D de modo que o resultado final se assemelhe ao de desenhos em 2D! Ou seja, ao jogar Dragon Quest VIII você tem a nítida sensação de estar controlando um desenho animado. A oitava versão foi o primeiro jogo da série totalmente em 3D, e os produtores não tiveram preguiça em criar um mundo vasto para ser explorado pelos jogadores! Até mesmo um simples vilarejo é enorme, cheios de locais para visitar! Os cenários do jogo são os mais variados possíveis: o jogador irá se aventurar em cavernas, castelos, desertos, florestas, áreas com neve, etc

A riqueza de detalhes é imensa! Você poderá, por exemplo, subir em uma montanha e de lá avistar locais que poderão ser explorados, graças a profundidade do mundo de Dragon Quest VIII.

O design dos personagens e monstros do jogo não poderiam ser melhores: todos foram feitos pelo talentoso desenhista Akira Toriyama (para quem não sabe o mesmo da série Dragon Ball) que trabalha na franquia desde o seu início e portanto, faz com que Dragon Quest VIII seja totalmente familiar aos olhos dos jogadores veteranos que acompanham a série desde épocas passadas.

Sonoridade

A trilha sonora de Dragon Quest VIII é fantástica! Só para se ter uma noção do cuidado que os produtores do jogo tiveram em relação aos temas musicais do game, basta citar que cada música foi tocada e gravada pela Orquestra Filarmônica de Tóquio, sob regência do compositor Koichi Sugiyama, que é outra figura lendária dentro da franquia Dragon Quest. Tudo é tão perfeito que os temas musicais passam ao jogador a gostosa sensação de estar no meio de um desses filmes medievais e épicos que todos estamos acostumados a assistir.

As músicas são bem variadas, indo de temas mais calmos e leves, até músicas agitadas e extremamente empolgantes (como os temas de batalhas)! Koichi Sugiyama é tido por muitos como um dos maiores compositores de video games de todos os tempos, sendo que até mesmo talentos como Nobuo Uematso, que compôs as trilhas dos games mais clássicos da franquia Final Fantasy, é fã declarado do mestre.

Os efeitos sonoros também estão totalmente condizentes com clima divertido do jogo, sendo que não há do que reclamar deles. Agora vale destacar o trabalho na dublagem dos personagens na versão americana de Dragon Quest VIII ( na versão do game lançada no Japão os personagens não tinham vozes) que ficou muito boa. Como o jogo se passa em um mundo medieval, foram escolhidos de forma proposital dubladores ingleses para que o sotaque dos personagens fosse algo totalmente perceptível. Ou você acha que alguém que tenha vivido na idade média tenha um inglês com sotaque americano?

Jogabilidade e Dificuldade

A jogabilidade do jogo é bem básica e simples, onde qualquer veterano em games do gênero não terá problema algum. Os menus, tantos os dos períodos de batalha quanto os dos períodos normais do jogo, são todos bem fáceis de mexer.

Mas agora vamos falar do que realmente pode ser uma dor de cabeça para jogadores mais impacientes: a dificuldade do jogo vai aumentado de forma considerável a medida que se avança na história de Dragon Quest VIII, fazendo com que cada nova etapa seja bem mais complicada do que a anterior, o que acaba obrigando o jogador a passar horas e horas lutando contra monstros para subir os níveis de seus personagens e então melhorar seus atributos.

Procurar comprar sempre as melhores armas e armaduras disponíveis também ajuda, mas o que faz a diferença entre a vitória ou derrota do jogador está mesmo na questão de sempre ter que elevar o nível dos personagens para que ele esteja pelo menos no mesmo nível dos inimigos de uma nova área do jogo. Vale citar também que em Dragon Quest VIII existe uma bacana passagem do dia para a noite, e vice-versa, sendo que nos períodos noturnos os monstros são ainda mais perigosos.

Conclusão

Dragon Quest VIII é um RPG tradicional que utilizou de maneira sábia todos os recursoso gráficos e sonoros do PlayStation 2, fazendo dele um dos melhores games do gênero no 128 bits da Sony. Se você que está lendo esta análise é um fã de RPGs das gerações passadas, principalmente da era 16 bits, e ainda não jogou Dragon Quest VIII, tem grandes chances de amá-lo eternamente após jogá-lo.

Nesta análise evitei ao máximo dar grandes detalhes sobre o jogo e o desenrolar de sua trama para evitar desagradáveis spoilers, que em um game de RPG onde a história é o fator principal, se torna algo totalmente impordoável. Por isso tenha certeza que Dragon Quest VIII é ainda um game muito mais grandioso e profundo do que é mostrado nesta análise.

SCORE

GAMEPLAY: O básico dos JRPGs. Os comandos do jogo não poderiam ser mais simples e eficientes. 5/5
GRÁFICOS: Tão bonitos que você vai achar estar controlando um desenho animado!5/5
SOM: Efeitos sonoros clássicos, que vão deixar os veteranos na série bem familiarizados. Dublagem bem feita dos personagens principais. 4/5
TRILHA SONORA: Soberba! Uma verdadeira obra de arte! 5/5
DIFICULDADE: Se não fortalecer seus personagens, prepare-se para ver seu grupo sendo dizimado até mesmo por monstros comuns. 5/5

DADOS

NOME: Dragon Quest VIII: Journey of the Cursed King
PLATAFORMA: PS2
DISPONÍVEL EM: DVD
ANO: 2005
DESENVOLVEDORA: Level 5
DISTRIBUIDORA: Square-Enix