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1984 Está Chegando…

Pessoal, uma mensagem do amigo Marcus Garret,
autor dos livros retrô mais legais do Brasil :)

Olá amigos,

Está começando hoje a pré-venda de meu novo livro “1984: A Febre dos Videogames Continua”. Devido a algumas mudanças que julgo positivas, infelizmente, não consegui segurar o preço. O valor ficou em R$ 55,00 com envio incluso para qualquer parte do país – contra os R$ 45,00 originais do primeiro. No caso de retirada pessoalmente, o valor fica em R$ 50,00 redondos.

Porém, “1984” tem praticamente 50 páginas a mais (tem 156 páginas) e virá em papel couché com maior gramatura, isto é, as páginas serão “brilhantes” e mais encorpadas, o que dará mais destaque para as fotos. Aliás, o livro está RECHEADO de fotos muito bacanas. Estou certo de que vocês vão adorar. Além disso, como exemplo do primeiro, todos os livros seguem assinados.

Faço uma promoção de lançamento em que venderei ambos os livros por R$ 80,00 já com envio, sendo que o valor normal seria de R$ 90,00 mais o correio; promoção está que vale até que acabem os estoques, he he he. O preço normal do primeiro livro continua sendo R$ 45,00 com envio.

Caso queiram encomendar os de vocês, agradeço. Só enviar e-mail para o mesmo endereço do primeiro: euquero1983@gmail.com. Peço, por favor, que coloquem a palavra 1984 no título.

Repetindo:

– 1983: O Ano dos Videogames no Brasil (108 páginas) = R$ 45,00 (envio incluso).
– 1984: A Febre dos Videogames Continua (156 páginas) = R$ 55,00 (envio incluso).
– Ambos os livros na promoção de lançamento = R$ 80,00 (envio incluso).

O novo livro deve ficar pronto na segunda quinzena de março e será despachado para os compradores da pré-venda imediatamente.

Obrigado por prestigiarem!

Abraços,

Marcus

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1984: A Febre Dos Videogames Continua

Pessoal, há algum tempo entrevistamos o Marcus Garret, autor do excelente 1983: O Ano Dos Videogames No Brasil. O livro, lançado em agosto de 2011 é, sem exageros, leitura obrigatória para todos os retrogamers brazucas. Comprei minha cópia pelo email do Marcus e posso assegurar: cada página é uma viagem no tempo, principalmente aos olhos de quem por acaso viveu aquela época: propagandas animadas com os preços em cruzeiros, os clones de cartuchos/consoles cheios de criatividade e, até mesmo, jogos que só foram lançados aqui no Brasil, em cartucho. Tudo isso e muito mais foi abordado no 1983.

Agora… chegou “a mais alta patente em videogame” ;-)

Marcus Garret nos levará ao ano seguinte da nossa particular história gamística, em um novo livro intitulado 1984: A Febre Dos Videogames Continua. E como continua! Como dá pra ver no pequeno teasing acima da capa do livro (poderá sofrer alterações até o lançamento), há um Onyx Jr adornando o fundo. Para quem não conhece, o Onyx Jr foi um amado clone brasileiro do Atari 2600, de design mais compacto e muito charmoso, com linhas e cores inspiradas na estética do exército.

Lembro de um amiguinho que o possuía e, apesar de acompanhar um joystick meio desajeitado, ele realmente era mais poderoso — sabe por que? Porque só o Onyx Jr tinha um botão de… pausa! Imagina só, o poder de pausar em Megamania durante o ataque daqueles sanduíches amarelos, traçar a melhor “estratégia” com calma e seguir em frente… Certamente, muitas curiosidades e fatos da época serão parte do novo livro do Marcus, que, nas próprias palavras do autor, é uma continuação direta do 1983:

Saiu bastante coisa em 1984, principalmente acessórios e “periféricos” (se é que podemos chamar assim). A guerra dos preços e a competição entre os consoles só aumentou também. Há muitas curiosidades bacanas que, creio, serão de interesse do pessoal que adora a Era Atari.

Este livro será bem mais visual que o primeiro, terá bem mais fotos e detalhes. Pretendo fazê-lo em papel brilhante também, dar um outro acabamento, mas tentar preservar – ao máximo – o preço do primeiro.

A “Era Atari”. Como não adorá-la? :)

Na época da entrevista que fizemos aqui no CFX sobre o 1983, o Marcus estava montando uma lista de interessados através de email. O mesmo acontece agora, com o novo livro: aproveitando o mesmo endereço, o euquero1983@gmail.com, os interessados já podem enviar mensagem informando seu desejo de adquirir um exemplar e incluindo seu endereço para envio (é uma pré-venda). Marcus acredita que o livro estará 100% pronto por volta de 20 de março, seu preço deverá girar em torno de R$ 50,00 (incluindo frete) e ele pretende fazer um descontão para eventuais interessados em adquirir os dois livros de uma vez.

Para os residentes de São Paulo, o Marcus pretende realizar (ainda não confirmado) um lançamento oficial no Game World 2012 que acontecerá entre os dias 30 de março e 1º de abril, no stand da ACI Games (do Moacyr Alves, do Jogo Justo). Neste dia, ele estará autografando exemplares.

Mas não feche esta aba agora!

O Cosmic Effect estará sorteando dois exemplares autografados cedidos gentilmente pelo Marcus para o nosso blog! Assim que o livro sair, teremos um novo post abordando o sorteio, aguardem.

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Solar Fox (Atari 2600)

A Atari anda chateada com alguns desenvolvedores atuais. A companhia tem removido das lojas de aplicativos qualquer jogo que tenha a menor semelhança com seus títulos antigos. A popularidade do iPhone e Android como plataforma de games tem chamado a atenção da empresa que criou a indústria dos videogames. Assim como a música pop mostrou-se ser um movimento de estilos cíclicos, os jogos eletrônicos também têm demonstrado esta característica. Talvez, exatamente agora, estejamos justamente vicenciando a completude do seu primeiro ciclo.

Afinal, o que jogávamos no início dos anos 80? Qual era a mecânica predominante? Se você pensou nos assim chamados “jogos casuais”, estamos em pleno acordo. Outro dia saiu na loja de aplicativos da Apple um jogo intitulado Vector Tanks. Sim, Battlezone… “reimaginado” para os smartphones branquelos. Pois é amigos, quem diria: o Atari Flashback é muito mais do que o nome daquele console retrô sucesso de vendas nos EUA…

E ainda há muito terreno para peregrinação, especialmente no Atari 2600. Com seu hardware inspirador para engenheiros e programadores da época, não há como negar a genialidade eterna de certos títulos. Sem mencionar os Pitfalls e H.E.R.O.s da vida, temos ainda em sua biblioteca centenas de jogos de mecânica cativante, viciante e rápidos de compreender: a originalidade, para uns tão difícil de ser encontrada na indústria dos jogos, pode ser vista de camarote por aqueles que continuam jogando este console até os dias do hoje; até o final dos tempos…

Solar Fox pode vir a ser um bom exemplo. Um port relativamente fiel ao original de arcade da Midway, é um dos cartuchos desconhecidos que tem muito a oferecer no terreno da jogatina rápida, gratificante e — como estamos falando de retrogaming e não de jogos de smartphone — desafiadora.

Alguma coisa relacionada com o nosso planeta necessitando obter células de energia fora do nosso sistema solar por conta dos “séculos de desperdício” dos humanos e… ah, ora, onde é que eu atiro?

Em Solar Fox, o jogador controla uma espaçonave com movimentos limitados a uma grade não-visível, devendo comer quadradinhos (as “células solares”) em 20 fases diferentes, mais 6 de bônus. A nave nunca deixa de se movimentar na tela e, ao manter pressionado o botão do joystick, voa mais rapidamente. Há dois sentinelas protegendo as células, disparando bolas de fogo. E não, você não atira.

O negócio é rapidamente desviar-se das bolas de fogo e tentar comer os quadradinhos o mais rápido possível. Comeu todos, próximo rack (fase). Até o sexto rack, cada célula (quadradinho) é única; a partir da sétima fase, as células são duplas, obrigando o jogador a passar duas vezes (similar a Q-Bert nos estágios mais avançados, onde os cubos precisam ser “pisados” mais de uma vez). Aqui entra uma novidade interessante: o “Skip-A-Rack™” (Sim, trademark: há um “Featuring the Skip-A-Rack Timer” gravado na caixa original do cartucho, hehe).

Se o jogador consegue comer todas as células antes do timer exibido no canto inferior-esquerdo da tela terminar, a próxima fase é pulada completamente — e o  melhor: todos os pontos referentes à mesma são somados ao score. Sacada genial: estimula a velocidade do jogador e, ao mesmo tempo, pode virar sua própria ruína: uma morte e o timer desaparece naquela fase, sem chance para tentar de novo. Mas você não deixa de correr no próximo rack: afinal, quem nunca desejou pular completamente uma fase? Mais gratificante, impossível! :) Algo similar acontece nas fases de bônus, porém o benefício neste caso é, no mínimo, curioso: se o jogador completar o Challenge Rack antes do medidor “challenge” desaparecer, é exibida uma letra na tela. E só.

Estes mistérios eram uma delícia, cortesia da época do Atari. Uma letra e nada mais. Como naquele tempo nem sempre (ou quase nunca) tínhamos acesso aos manuais dos jogos, estes acontecimentos tinham um sabor diferente. “H”, é a primeira letra exibida ao completar o primeiro Challenge Rack com sucesso; 5 fases depois, mais uma de bônus… e, caso consiga novamente comer todos os quadradinhos antes do CHALLENGE! desaparecer por completo, mais uma letra: “E”. Um código? O que devo fazer, anotar? Sim… havia algum tipo de prêmio oferecido pela CBS, possivelmente um emblema de pano similar ao que a Activision costumava enviar aos jogadores que “destravavam certos achievements” em seus jogos.

A partir do sétimo rack, com as células duplas, o desafio dá um verdadeiro salto. Há momentos emocionantes com você no controle, concentrado, desviando-se das bolas de fogo e, ao mesmo tempo, buscando o trajeto mais otimizado. É um daqueles jogos nos quais seu cérebro, após algumas partidas, consegue responder tão rapidamente que nem você mesmo acredita. Tanto que a última jogadinha do dia é a que costuma deixar o high-score. Claro que as aleatoriedades dos tiros dos sentinelas podem sabotar seu bom desempenho numa jogada aquecida… bom, é a vida no Atari 2600.

Também, Solar Fox apresenta o tipo de mecânica onde o desempenho costuma ser maior para aqueles que fazem questão de utilizar a excelente alavanca original do Atari 2600, ainda que jogando no teclado (por emulação) há a sensação imediata de estar jogando o bom e velho Nibbles que acompanhava os antigos MS-DOS e, mais tarde, os celulares.

Com incríveis 8 KB, Solar Fox é um ilustre desconhecido que até obteve melhor êxito comercial no console em comparação com o desempenho do original de arcade onde, por sinal, é possível atirar, o grid é visível e há presença de inimigos no campo de jogo — justificando o poder de fogo de sua nave. Sábia decisão do programador que fez o port ao remover o tiro da versão do Atari 2600 pois, ao jogá-lo no MAME, tive a impressão de estar lidando com um jogo típico de nave: atirando, sua estratégia muda naturalmente para algo mais ofensivo, digamos assim. De qualquer maneira, provavelmente o tiro foi removido do Atari por limitação do hardware ou mesmo pela falta de um botão adicional no controle… nunca saberemos.

Para exibir até uma dezena de bolas de fogo em movimento na tela, foi usado a famosa técnica de flicker, aquela do Pac-Man, onde os sprites são desenhados rapidamente em locais diferentes e a fosforecência das TVs da época garantiam a persistência do objeto na tela. Tanto que capturas de tela por emulação nunca captam mais do que duas bolas de fogo… mas não se engane: são até uma dezena delas na tela em alguns momentos na versão do Atari!

Claro. Solar Fox é “mais um jogo de Atari”, console de acervo díspare e pouco confiável por conta da liberdade de desenvolvimento, próprio de um tempo anterior ao conceito “[insira nome de uma empresa de console aqui] Seal Of Quality”. Mas não encare o Atari 2600 apenas pela nostalgia: há, sim, títulos desconhecidos que merecem atenção especial do velho retrogamer que há em todos nós.

Para ilustrar: pequeno vídeo com a “sexy” propaganda americana
do Solar Fox e uma partidinha aquecida (risos) do Cosmonal,
capturada diretamente do Atari da Polyvox do SuperConsole :)

Pelo jeito, a nova geração de jogadores de telefones celulares já esqueceu Nibbles e, volta a pergunta — desta vez, para eles: “Have you played Atari today”? Os atuais desenvolvedores de jogos casuais que o digam…

SCORE

GAMEPLAY: Mais direto e interessante do que a versão original de arcade 5/5
GRÁFICOS: Deixa a desejar, para onde foram os 8 KB? :) 2/5
SOM: Efeitos sonoros demasiadamente tradicionais, ruído branco “basicão”  2/5
TRILHA SONORA: “Arpejo de programador” no start, F- neste quesito! (risos) 1/5
DIFICULDADE: Suas partidas costumam durar menos de 5 minutos… 4/5

DADOS

NOME: Solar Fox
PLATAFORMA: Atari 2600, Commodore 64 e Arcade
DISPONÍVEL EM: Cartucho/ROM
ANO: 1983
DESENVOLVEDORA: Midway
DISTRIBUIDORA: CBS Electronics

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Cosmic Fast #12 – Telejogo II – Uma Nova Esperança

Amigos do Cosmic Effect, apresento-lhes a conclusão da saga de tentar trazer de volta à vida um console fabricado na década de 70, que introduziu muitos jogadores brasileiros ao mundo dos jogos eletrônicos: o Telejogo II. Acompanhe a finalização do processo de manutenção em um dos primeiríssimos videogames fabricados no Brasil e, quem sabe, curta uma boa partida de Telejogo conosco.

O Cosmic Effect apresenta…

Cosmic Fast

Edição #12: Telejogo II – Uma Nova Esperança

Quem não assistiu a primeira parte da saga Telejogo II:
Cosmic Fast #8 – Telejogo II

Canais somente com vídeos produzidos pelo Cosmic Effect

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Lançamento Oficial Do Livro “1983: O Ano Dos Videogames No Brasil”

Amigos do Cosmic Effect: o Marcus Garret estará lançando o seu ótimo livro sobre os acontecimentos que envolvem o ano de 1983 do ponto de vista da nossa indústria, do nosso mercado brazuca de videogames. O livro é fabuloso, eu comprei minha cópia pelo email do Marcus e posso assegurar: é uma viagem no tempo, cada página. Preços dos videogames em cruzeiros nas propagandas da época, os clones brasileiros dos cartuchos/videogames cheios de criatividade e até mesmo jogos que só foram lançados aqui no Brasil, em cartucho. Ah, e muito mais :) Para os felizardos que moram na capital de São Paulo, ele estará lançando oficialmente no dia 5 de agosto de 2011, na UZ Games do Shopping Ibirapuera.

O release completo com o anúncio do lançamento:

A ACIGAMES em conjunto com a rede de lojas UZ Games irá realizar na unidade UZ Games Ibirapuera, no dia 05 de Agosto (sexta-feira) a partir das 19:00h o lançamento do livro 1983 – O ano dos videogames no Brasil, de autoria do especialista Marcus Vinicius Garrett Chiado, que estará pessoalmente presente no dia distribuindo autógrafos.


O livro, que é fruto de anos de pesquisa do autor, conta a história da entrada dos videojogos em nosso país (com ênfase no console Atari 2600), e é leitura obrigatória para todos que quiserem entender nosso fascinante mercado.

Serviço

O que:

Lançamento livro 1983: O Ano dos Videogames no Brasil

Quando:

sexta, 5 de agosto · 19:00 – 22:00

Onde:

Loja UZ Games – Shopping Ibirapuera

Av. Ibirapuera, 3.103, Loja 64, Piso Moema

São Paulo – SP

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1983: O Ano Dos Videogames No Brasil

***ATUALIZAÇÃO (28/jun/2011)***

Um recado do Marcus Garrett, para os interessados em adquirir o livro:

Já estou de posse do valor final do livro “1983: O Ano dos Videogames no Brasil”: R$ 45,00 com o envio incluso para qualquer parte do país. Porém, ele está em promoção de lançamento: quem efetuar o depósito até sexta-feira, dia 01 de julho, pagará R$ 39,99 e ganhará ainda o FRETE GRÁTIS para qualquer lugar do Brasil.

O email para aquisição do livro diretamente com o Marcus é o euquero1983@gmail.com.

Amigos do Cosmic Effect, tive um breve bate-papo com o paulistano Marcus Vinicius Garrett Chiado, autor do livro “1983: O Ano Dos Videogames No Brasil”. O Marcos é um colecionador de videogames antigos (e também de Transformers,  He-Man, Thundercats…) e faz parte de uma das maiores comunidades de colecionadores de videogames/computadores do Brasil, a Canal 3. Através do mailing list, soube que o Marcus está prestes a lançar um livro que retrata um ano muito especial para os videogames no nosso país – o ano de 1983, período que simbolizaria a “chegada dos videogames ao Brasil”. Através de extensa pesquisa em fontes saudosas como a revista SomTrês, Vídeo News, Micro & Vídeo e também publicações maiores como Veja e Exame, ele deseja mostrar como as empresas nacionais desenvolveram suas idéias, como foi a aceitação por parte dos consumidores daquela época e diversos outros detalhes. Puxa, prato cheio pra qualquer trintão brasileiro que começou no Telejogo, Odyssey ou Atari. A idéia do cara foi super-original, fiquei imediatamente curioso em saber o que há de tão especial no ano de 1983. Eu tinha 5 anos de idade e o Marcus 10 anos – ele certamente lembra de muito mais coisa do que eu :)

Sempre buscando embasar-se nas publicações citadas e também através de informações de amigos que também vivenciaram o período, o livro tem aproximadamente 120 páginas que exploram com profundidade os sistemas Atari, Odyssey, Intellivision, Colecovision e outros – tudo no contexto brasileiro. Possui muitas ilustrações e fotos que adornam o conteúdo, e até inclui algumas entrevistas inéditas. A diagramação ficou pronta exatamente hoje (na data deste post) e algumas páginas estarão aqui no bate-papo para nos deixarem com (mais) água na boca. Vamos conhecer um pouco mais do Marcus e do seu livro tão esperado pelos retrogamers brazucas.

Eric: Com a imensa popularidade que os videogames alcançaram nos últimos anos, parece ter surgido com ela um crescente interesse em retratar a história dos jogos eletrônicos. Em 2008, saiu a primeira publicação oficial do Guinness, que tem se mantido anual desde então – um exemplo de canais reconhecidos da mídia agora também passearem pelos videogames, tratando-os com seriedade. Como começou seu interesse pela história dos videogames?

Marcus: Apesar de não colecionar mais, fui colecionador de games por uns 15 anos. O interesse surgiu ao constatar quão rico é o cultivo da história dos aparelhos no exterior e quão pobre é isso no Brasil. À exceção da revista de banca OLD!Gamer e de algumas publicações hobbysticas, o interesse do brasileiro parece estar mais no ato de colecionar, não tanto em documentar. Nossa história gamística é tão rica por causa de particularidades que aconteceram no Brasil, tais como a política de Reserva de Mercado. É muito triste ver isso se perder.

E: Você era editor da Jogos 80, revista online publicada exatamente no mesmo período em que passei a colecionar videogames e jogos antigos, por volta de 2005 – lembro deste detalhe particular porque achava o máximo a revista, até imprimi algumas edições e certamente me estimularam ainda mais a comprar “velharias”. O que aconteceu com o projeto, ele está parado? Há interesse de voltar?

M: Era não, ainda sou. A revista ainda existe. Ocorre que de uns tempos para cá passamos a publicá-la com espaços de tempo bem maiores. A mais recente saiu em dezembro de 2010, mas já estamos preparando a próxima, que sairá em julho agora. Aguardem por matérias, reviews e entrevistas muito legais!

E: O Brasil passou por todos aqueles conhecidos problemas nos anos 80, e um dos principais teria sido a famigerada “reserva de mercado”. Ao mesmo tempo, tal fato criou a cultura dos clones que, no final das contas, marcaram nossa história. Conte-nos porque 1983 foi o ano dos videogames no Brasil.

M: 1983 foi o ano em que, efetivamente, as empresas nacionais resolveram arregaçar as mangas para colocar à venda, “oficialmente”, os primeiros consoles no Brasil. Claro que, por meio de contrabando e de vendas na Zona Franca de Manaus, os videogames já chegavam ao país desde fins dos anos 70. Só que em 1983 os primeiros consoles foram realmente produzidos por aqui e chegaram às lojas, tornando-se acessíveis à população. Foi quando a febre do videogame acometeu o Brasil!

E: Qual conteúdo encontraremos no seu livro?

M: Eu procurei contar, sem “encher linguiça”, em que termos os primeiros videogames foram lançados, como as empresas nacionais se envolveram e desenvolveram suas idéias e estratégias, de que modo foi a aceitação por parte dos consumidores e outros detalhes. Tentei também – e sempre que possível – embasar as informações com dados reais retirados de publicações da época (jornal Folha de São Paulo, revista Veja, revista Exame, revista Vídeo News etc.). Faz muito tempo, faz quase 30 anos!

Importante ressaltar que o livro somente contém informações acerca dos primeiros aparelhos vendidos no país: Atari e similares, Odyssey, Intellivision e Colecovision. Não há material algum, por exemplo, sobre NES, Master System, Mega Drive etc.

E: Quais foram suas principais fontes de informação? Imagino que possua coleções de Micro Sistemas, CPU-MSX, Ação Games… elas fizeram parte do seu material de pesquisa?

M: Bem, além da memória de quem viveu o período, utilizei os acervos digitais do jornal Folha de São Paulo e da revista Veja, bem como outras publicações da época, tais como as revistas Exame, Micro & Video, Vídeo News e Video Magia, além de alguns sites muito bons. Pesquisei muito mesmo!

E: Qual seu console e micro-computador antigo favoritos?

M: Meu console do coração é o Atari 2600 mesmo. Ganhei o meu no Natal de 1983. Foi muito bacana, tenho inúmeras boas recordações do “inimigo”. Meu micro clássico favorito é o Atari 800, que não chegou a ser fabricado no Brasil. Estes são os únicos dois itens que ainda mantenho.

E: Fala pra gente seus 5 jogos favoritos, em qualquer plataforma.

M: Não necessariamente em ordem de preferência:

River Raid (Atari)
Demon Attack (Atari)
Desafio Estelar (Intellivision)
Zaxxon (Colecovision)
Renegade (ZX Spectrum)
Castle Wolfenstein (Atari 800)

E: O que acha da geração atual de jogos eletrônicos? Você joga nos consoles atuais?

M: Eu acho bacana. Há jogos verdadeiramente fascinantes. Só que, para mim, os consoles modernos não têm o mesmo impacto, o mesmo “frescor” de antigamente. É questão, de fato, de nostalgia, tenho de concordar. Eu possuo um Xbox 360 com o Kinect, mas quem jogam mesmo são minha esposa e minha filha. Elas adoram jogos como Dance Central e Kinect Sports.

E: Ainda falando em geração atual, a durabilidade dos consoles foi posta em xeque por conta de aparelhos falhando sob condições normais de uso, alguns até mesmo em menos de 1 ano – e sendo condenados. O videogame atual é um produto descartável ou estas falhas têm motivos técnicos e serão corrigidos com o avanço tecnológico?

M: Creio que esses problemas decorram da pressa de se lançar consoles cada vez mais complexos antes da concorrência. Acredito que os projetos não sejam testados à exaustão, ou seja, a pressa para bater a concorrência é tanta que os produtos vão parar nas prateleiras um tanto prematuramente. Esta é a impressão que tenho. “O importante é chegar na frente!”

E: O que acha do “movimento retrogaming” ganhando força e popularidade, através de publicações periódicas impressas como a britânica Retro Gamer ou mesmo a OLD!Gamer brasileira, fora a infinidade de sites e blogs sobre o assunto?

M: Eu acho bacana. É importante cultuar o passado, reviver coisas que foram muito importantes para nós. Só não pode virar obsessão, deixar de ficar com a família para ficar com os games ou viver exclusivamente do passado.

Um dos grandes problemas da vida adulta é que, com frequência, esquecemos das coisas que um dia foram importantes. Um dos grandes males do Homem é esquecer-se.

E: Para terminar, como e quando poderemos adquirir o seu livro?

M: O livro teve sua diagramação finalizada exatamente hoje. Estou montando uma lista de interessados para poder dimensionar a impressão. Peço a todos que tenham interesse que, por favor, enviem e-mail para euquero1983@gmail.com.

Quando a coisa estiver bem engatilhada mesmo (em até uma semana, creio), as instruções para compra serão enviadas. O livro tem preço máximo de R$ 50,00, mas este valor pode cair se houver bastante procura.

Obrigado!

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