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1983: O Ano Dos Videogames No Brasil

***ATUALIZAÇÃO (28/jun/2011)***

Um recado do Marcus Garrett, para os interessados em adquirir o livro:

Já estou de posse do valor final do livro “1983: O Ano dos Videogames no Brasil”: R$ 45,00 com o envio incluso para qualquer parte do país. Porém, ele está em promoção de lançamento: quem efetuar o depósito até sexta-feira, dia 01 de julho, pagará R$ 39,99 e ganhará ainda o FRETE GRÁTIS para qualquer lugar do Brasil.

O email para aquisição do livro diretamente com o Marcus é o euquero1983@gmail.com.

Amigos do Cosmic Effect, tive um breve bate-papo com o paulistano Marcus Vinicius Garrett Chiado, autor do livro “1983: O Ano Dos Videogames No Brasil”. O Marcos é um colecionador de videogames antigos (e também de Transformers,  He-Man, Thundercats…) e faz parte de uma das maiores comunidades de colecionadores de videogames/computadores do Brasil, a Canal 3. Através do mailing list, soube que o Marcus está prestes a lançar um livro que retrata um ano muito especial para os videogames no nosso país – o ano de 1983, período que simbolizaria a “chegada dos videogames ao Brasil”. Através de extensa pesquisa em fontes saudosas como a revista SomTrês, Vídeo News, Micro & Vídeo e também publicações maiores como Veja e Exame, ele deseja mostrar como as empresas nacionais desenvolveram suas idéias, como foi a aceitação por parte dos consumidores daquela época e diversos outros detalhes. Puxa, prato cheio pra qualquer trintão brasileiro que começou no Telejogo, Odyssey ou Atari. A idéia do cara foi super-original, fiquei imediatamente curioso em saber o que há de tão especial no ano de 1983. Eu tinha 5 anos de idade e o Marcus 10 anos – ele certamente lembra de muito mais coisa do que eu :)

Sempre buscando embasar-se nas publicações citadas e também através de informações de amigos que também vivenciaram o período, o livro tem aproximadamente 120 páginas que exploram com profundidade os sistemas Atari, Odyssey, Intellivision, Colecovision e outros – tudo no contexto brasileiro. Possui muitas ilustrações e fotos que adornam o conteúdo, e até inclui algumas entrevistas inéditas. A diagramação ficou pronta exatamente hoje (na data deste post) e algumas páginas estarão aqui no bate-papo para nos deixarem com (mais) água na boca. Vamos conhecer um pouco mais do Marcus e do seu livro tão esperado pelos retrogamers brazucas.

Eric: Com a imensa popularidade que os videogames alcançaram nos últimos anos, parece ter surgido com ela um crescente interesse em retratar a história dos jogos eletrônicos. Em 2008, saiu a primeira publicação oficial do Guinness, que tem se mantido anual desde então – um exemplo de canais reconhecidos da mídia agora também passearem pelos videogames, tratando-os com seriedade. Como começou seu interesse pela história dos videogames?

Marcus: Apesar de não colecionar mais, fui colecionador de games por uns 15 anos. O interesse surgiu ao constatar quão rico é o cultivo da história dos aparelhos no exterior e quão pobre é isso no Brasil. À exceção da revista de banca OLD!Gamer e de algumas publicações hobbysticas, o interesse do brasileiro parece estar mais no ato de colecionar, não tanto em documentar. Nossa história gamística é tão rica por causa de particularidades que aconteceram no Brasil, tais como a política de Reserva de Mercado. É muito triste ver isso se perder.

E: Você era editor da Jogos 80, revista online publicada exatamente no mesmo período em que passei a colecionar videogames e jogos antigos, por volta de 2005 – lembro deste detalhe particular porque achava o máximo a revista, até imprimi algumas edições e certamente me estimularam ainda mais a comprar “velharias”. O que aconteceu com o projeto, ele está parado? Há interesse de voltar?

M: Era não, ainda sou. A revista ainda existe. Ocorre que de uns tempos para cá passamos a publicá-la com espaços de tempo bem maiores. A mais recente saiu em dezembro de 2010, mas já estamos preparando a próxima, que sairá em julho agora. Aguardem por matérias, reviews e entrevistas muito legais!

E: O Brasil passou por todos aqueles conhecidos problemas nos anos 80, e um dos principais teria sido a famigerada “reserva de mercado”. Ao mesmo tempo, tal fato criou a cultura dos clones que, no final das contas, marcaram nossa história. Conte-nos porque 1983 foi o ano dos videogames no Brasil.

M: 1983 foi o ano em que, efetivamente, as empresas nacionais resolveram arregaçar as mangas para colocar à venda, “oficialmente”, os primeiros consoles no Brasil. Claro que, por meio de contrabando e de vendas na Zona Franca de Manaus, os videogames já chegavam ao país desde fins dos anos 70. Só que em 1983 os primeiros consoles foram realmente produzidos por aqui e chegaram às lojas, tornando-se acessíveis à população. Foi quando a febre do videogame acometeu o Brasil!

E: Qual conteúdo encontraremos no seu livro?

M: Eu procurei contar, sem “encher linguiça”, em que termos os primeiros videogames foram lançados, como as empresas nacionais se envolveram e desenvolveram suas idéias e estratégias, de que modo foi a aceitação por parte dos consumidores e outros detalhes. Tentei também – e sempre que possível – embasar as informações com dados reais retirados de publicações da época (jornal Folha de São Paulo, revista Veja, revista Exame, revista Vídeo News etc.). Faz muito tempo, faz quase 30 anos!

Importante ressaltar que o livro somente contém informações acerca dos primeiros aparelhos vendidos no país: Atari e similares, Odyssey, Intellivision e Colecovision. Não há material algum, por exemplo, sobre NES, Master System, Mega Drive etc.

E: Quais foram suas principais fontes de informação? Imagino que possua coleções de Micro Sistemas, CPU-MSX, Ação Games… elas fizeram parte do seu material de pesquisa?

M: Bem, além da memória de quem viveu o período, utilizei os acervos digitais do jornal Folha de São Paulo e da revista Veja, bem como outras publicações da época, tais como as revistas Exame, Micro & Video, Vídeo News e Video Magia, além de alguns sites muito bons. Pesquisei muito mesmo!

E: Qual seu console e micro-computador antigo favoritos?

M: Meu console do coração é o Atari 2600 mesmo. Ganhei o meu no Natal de 1983. Foi muito bacana, tenho inúmeras boas recordações do “inimigo”. Meu micro clássico favorito é o Atari 800, que não chegou a ser fabricado no Brasil. Estes são os únicos dois itens que ainda mantenho.

E: Fala pra gente seus 5 jogos favoritos, em qualquer plataforma.

M: Não necessariamente em ordem de preferência:

River Raid (Atari)
Demon Attack (Atari)
Desafio Estelar (Intellivision)
Zaxxon (Colecovision)
Renegade (ZX Spectrum)
Castle Wolfenstein (Atari 800)

E: O que acha da geração atual de jogos eletrônicos? Você joga nos consoles atuais?

M: Eu acho bacana. Há jogos verdadeiramente fascinantes. Só que, para mim, os consoles modernos não têm o mesmo impacto, o mesmo “frescor” de antigamente. É questão, de fato, de nostalgia, tenho de concordar. Eu possuo um Xbox 360 com o Kinect, mas quem jogam mesmo são minha esposa e minha filha. Elas adoram jogos como Dance Central e Kinect Sports.

E: Ainda falando em geração atual, a durabilidade dos consoles foi posta em xeque por conta de aparelhos falhando sob condições normais de uso, alguns até mesmo em menos de 1 ano – e sendo condenados. O videogame atual é um produto descartável ou estas falhas têm motivos técnicos e serão corrigidos com o avanço tecnológico?

M: Creio que esses problemas decorram da pressa de se lançar consoles cada vez mais complexos antes da concorrência. Acredito que os projetos não sejam testados à exaustão, ou seja, a pressa para bater a concorrência é tanta que os produtos vão parar nas prateleiras um tanto prematuramente. Esta é a impressão que tenho. “O importante é chegar na frente!”

E: O que acha do “movimento retrogaming” ganhando força e popularidade, através de publicações periódicas impressas como a britânica Retro Gamer ou mesmo a OLD!Gamer brasileira, fora a infinidade de sites e blogs sobre o assunto?

M: Eu acho bacana. É importante cultuar o passado, reviver coisas que foram muito importantes para nós. Só não pode virar obsessão, deixar de ficar com a família para ficar com os games ou viver exclusivamente do passado.

Um dos grandes problemas da vida adulta é que, com frequência, esquecemos das coisas que um dia foram importantes. Um dos grandes males do Homem é esquecer-se.

E: Para terminar, como e quando poderemos adquirir o seu livro?

M: O livro teve sua diagramação finalizada exatamente hoje. Estou montando uma lista de interessados para poder dimensionar a impressão. Peço a todos que tenham interesse que, por favor, enviem e-mail para euquero1983@gmail.com.

Quando a coisa estiver bem engatilhada mesmo (em até uma semana, creio), as instruções para compra serão enviadas. O livro tem preço máximo de R$ 50,00, mas este valor pode cair se houver bastante procura.

Obrigado!

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Mercúrio Diversões Eletrônicas

Por Andrey Santos

“Mercúrio Diversões Eletrônicas”. Esse foi um lugar onde pude conhecer vários dos jogos onde gráficos e músicas sempre me fascinaram. Hoje, onde se localiza este hotel, havia o pequeno fliperama, como era chamado por todos. Depois a gente chamou de “mercúrio cromo”.

Era um lugar sem muita ventilação. Putz, quando aquilo enchia de gente… De longe já se escutava Rally-X, New Rally-X, Vortex, Pole Position II, dentre outros. Havia também uma outra casa de jogos eletrônicos situada na Praça Rui Barbosa, ali onde hoje é uma lotérica. Lá, tinham raridades como Zaxxon! Sim, Zaxxon, era o único motivo que me fazia visitar aquele flipper. Abrindo um parêntese, gostaria de mencionar que na principal festa de largo, a Trezena de Santo Antônio, sempre haviam as barracas de atrações como tiro ao alvo e aquela do cachorro quente onde, quem comprasse lá, sempre contava uma história de desarranjos intestinais e corria avisando aos amigos no ano seguinte :) E a mais interessante, para mim: a barraca dos jogos de fliperama.

Nessa barraquinha de uma festa de interior,  conheci o original Moon Patrol e um arcade que tinha um volante, um pedal de acelerador e primeira e segunda marchas. Tinha uma vista superior, uns gráficos como Enduro do Atari e caía aquela chuva de carros pra você só desviar. Era o Super Speed Race (Valeu Eric!) – eram só a pista, os carros descendo e, claro, tinha a ambulância.

Enquanto isso no Mercúrio Cromo, chegaram: Karate Champ, Gladiator, Kikikakai, Vulgus, Venus (música fantástica), Elevator Action (tinha em todo flipper), RoadFighter, Phoenix, Tokio – este jogava e não parava mais; zerava tantas vezes até que o jogo apresentava erros como cenários sem inimigos e música do chefão tocando em todos os estágios – claro, uma música daquelas é sempre bom ouvir o jogo todo.

E finalmente Double Dragon 2, que não era um jogo de pancadaria e sim um “jogo de parceria” –  já sabia os amigos que realmente faziam dupla naquela jornada. Vamos ali zerar Double Dragon 2? Era assim o convite pra um final de tarde no planeta Mercúrio Cromo.

Saindo de lá, vamos todos pra casa…

…de alguns amigos que tinham as versões dos arcades em seus Atari, MSX e TK. É  isso aí pessoal. Bom lembrar daquele tempo. Valeu.

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Zaxxon (Atari 2600)

Antes do óculos 3D do Master…

Por Eric Fraga

Continuo colecionando jogos antigos, mas não costumo postar cada nova compra realizada. Mas uma coisa curiosa com a chegada de alguns cartuchinhos agora a pouco  aqui na caixa de correio motivaram a escrever um pequeno texto sobre um deles. Os jogos recém-chegados foram: E-Swat (SMS), Marksman Shooting / Trap Shooting (SMS), Moon Patrol (Atari 2600) e Zaxxon. Para quem não sabe, o Zaxxon é da SEGA. Pelo menos, o original: o port para o Atari 2600 é da Coleco e é um daqueles considerados “crappy ports”.

Zaxxon é originalmente um shoot’em up com vista isométrica, de 1982. No Atari 2600, por conta da limitação de hardware do console, a Coleco decidiu criar uma perspectiva no mínimo estranha: o jogo é meio visto de cima, talvez um pouco atrás… não dá pra saber ao certo. Em outros ports melhores, a vista é isométrica mesmo e o jogo foi disponibilizado em diversas plataformas da época pois era mais um dos sucessos da SEGA nos arcades. A sombra da nave que você controla, no original, dava um charme; no Atari, vira elemento de gameplay – ela é o melhor indicativo da altura da sua nave com relação aos inimigos voadores, que também têm sombra. Alinhadas as duas, seu tiro as atinge – e vice-versa. Na época, gostava desse elemento; hoje, se revela meio frustrante. Mas, ainda assim, gosto de Zaxxon. Locava bastante na época primariamente porque apreciava o boss: um robô bem colorido para os padrões do Atari pois tem duas cores e uma sombra.

E não é que quando eu abro a caixa do Zaxxon, que não é original, como a da foto do início deste texto (é um dos inúmeros compatíveis brasileiros), me surpreendi com o cheiro: no exato instante, veio a minha mente a locadora em que eu costumava locar jogos de Atari (para os moradores de Salvador, ficava no Shopping Itaigara, na alameda de serviços próximo à saída). Desde que coleciono videogames e jogos, não sentia algo tão forte nesse sentido. Provavelmente, esta caixa estava fechada por um bom tempo e, não, nada de cheiro de mofo. Apenas senti o odor “original” do plástico desta embalagem.

“Digivision”. Curiosamente, o jogo que mais associo com esta caixa chama-se Entobed, um desconhecido do Atari que você controla seu personagem num labirinto enorme, com scroll, desviando dos inimigos, e que tinha um valor de replay muito alto para mim, só não lembro o porquê (!). Estes fabricantes de clones usavam a mesma arte nas embalagens para todos os jogos, tanto na caixa quanto no rótulo do cartucho, como a “Digitel” logo acima na mesma foto (o jogo é o ótimo Moon Patrol, por sinal). Só olhando o nome no cartucho, sabíamos o que nos esperava.

Zaxxon do Atari 2600 é um daqueles jogos difíceis e um pouco injustos com o jogador, por conta da inabilidade visual de se perceber direito a altura da sua nave com relação às inimigas. O áudio do jogo não tem nada de especial, exceto pelo ruído branco  emitido pela sua nave ser constante – isso é especialmente ruim, devo dizer. Mesmo com poucos predicados, vale a pena experimentá-lo pelo menos num emulador, apenas pelo valor histórico. O 3D está prestes a ser, mais uma vez, moda nos jogos, e curiosamente, este é o exemplo do pior tipo de efeito de perspectiva que já se fez em um videogame. Err… como eu disse, vale a pena.

SCORE

GAMEPLAY: O pior efeito 3D que você já viu, num jogo que É em perspectiva 2/5
GRÁFICOS: De novo, o pior efeito 3D que você já viu, mas os inimigos são passáveis 2/5
SOM: Salvando-se apenas o som do tiro da nave, o resto… só serve para nostalgia 1/5
TRILHA SONORA: N/A
DIFICULDADE: Alta mas injusta, por conta dos problemas de ponto de vista 4/5

DADOS

NOME: Zaxxon
PLATAFORMA: Atari 2600
DISPONÍVEL EM: Cartucho e PC via emuladores
ANO: 1982
DESENVOLVEDORA: Coleco Industries, Inc.
DISTRIBUIDORA: CBS Electronics

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