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The Wolf Among Us (PC)

TheWolfAmongUsLogoOs primeiros 10 minutos de The Wolf Among Us é a melhor propaganda possível para o jogo. De preferência sem comentários. Só aproveitando o clima e o estilo, vendo as possibilidades… Por enquanto, peço-lhe que deixe a belíssima música-tema tomar conta de sua audição enquanto realiza a leitura deste artigo.

Quando se fala de histórias em quadrinho a maioria das pessoas pensa logo em super-heróis ou quadrinhos infantis, como os da Disney e Turma da Mônica. O que não é muito diferente de videogames serem vistos como algo para crianças. E isso gerou um preconceito que atinge ambas as mídias: a ideia de que tudo produzido tem que obrigatoriamente ser apropriado para os pequenos.

É o que faz pais e mães comprarem jogos como GTA para seus pimpolhos e pimpolhas sem nem se preocupar em olhar a indicação etária; Ou que histórias em quadrinhos com personagens famosos fazendo sexo serem tão polêmicas, como Lost Girls do Alan Moore. A culpa sempre cai sobre a mídia, e não sobre quem deveria ser responsável pelo que as crianças consomem.

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O mercado de quadrinhos americano é dominado por duas editoras gigantescas: a Marvel (X-Men, Homem-Aranha, Vingadores…) e a DC (Superman, Batman, Mulher Maravilha…). Acontece que no final dos anos 80 e começo dos anos 90 a DC vinha experimentando com quadrinhos voltados para adultos.

E eu digo adultos mesmo. Não para mostrar peitos, armas gigantes e sangue jorrando. Nada para dar ereções a pré-adolescentes, como foi a década de 90 com a editora Image, mas sim para lidar com temas polêmicos. Que gerem reflexões e não tenham respostas fáceis ou lições de moral.

Foi nesta época que surgiram obras como V de Vingança e seu forte teor político. Ou o mundo decadente e satânico mundo de Hellblazer. Homem-Animal abordava a história de um super-herói que se tornou um pai de família. Monstro-do-Pântano vinha com uma bandeira ambiental que hoje permeia todas as áreas mas que era bem inovadora na época. E Sandman trazia uma qualidade literária que se tornou um marco no mercado.

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Porém a DC tinha problemas com este material. Afinal o mesmo selo da editora que estampava uma edição em que o Superman salvava o mundo dando socos em um alienígena gigante estampava também uma revista que falava de espancamento de homossexuais e aids. A saída encontrada foi criar um selo específico para estas obras adultas, que ficariam a parte do universo tradicional da editora. E assim o selo Vertigo nasceu.

O selo Vertigo teve muita coisa boa. E embora tenha perdido muito de seu brilho ele ainda tem um material bem legal. Em 2002 começou uma série chamada Fables, ou Fábulas na edição nacional. Ela vai terminar no começo do ano que vem, na edição 150, mas já gerou vários spin offs. Quem quiser acompanhar tudo vai gastar um bom tempo. Eu mesmo só li até a 100 e algumas graphic novels.

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Criado por Bill Willingham a temática inicial é a seguinte: personagens de contos de fadas, fábulas, folclore e literatura existem em mundos paralelos. Quando um inimigo poderoso conhecido como O Adversário começou a conquistar reino por reino estes personagens se viram obrigados a fugir para o nosso mundo.

A maioria deles foi morar em Nova York. Se alguém aqui já jogou RPGs de livros é uma temática parecia com a de Vampiro – A Máscara. Os que conseguem se passar por humanos vivem na cidade. Os que não conseguem se passar por humanos tem duas escolhas: pagar por Glamour, uma cara magia que permite que eles pareçam humanos, ou viver na Fazenda – uma extensa área rural onde os mundanos não conseguem ir graças a magias de proteção.

Todas as fábulas vivem em uma sociedade a parte. A todas elas foram dadas Anestia Geral, que significa que os eles não podem ser punidos pelos crimes que cometeram em seus reinos de origem. Eles têm seus representantes legais, eleitos por votação. O prefeito é o Rei Cole, mas ele é apenas um representante político. A parte prática mesmo fica por conta do vice-prefeito. E quem garante que as leis são cumpridas é o detetive Bigby, ou o Lobo Mal.

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Bigby consegue se transformar em humano caso queira. Ele também tem forma de lobo e uma mista de ambas, algo parecido com um lobisomem. Embora não seja muito querido por boa parte dos habitantes ele é visto como um mal necessário. É um dos personagens mais importantes dos quadrinhos, e o protagonista de The Wolf Among Us.

Não joguei The Walking Dead, o jogo mais famoso da Telltale. Nem vi a série de TV. Lembro de ter lido bastantes edições dos quadrinhos, e até gostei, mas parei porque não sou muito fã de histórias de zumbis. O sucesso monstruoso do jogo atrasou a produção The Wolf Among Us, que aproveitou vários elementos da outra série. Infelizmente não posso comparar ambos, exceto em alguns pontos. Mas é interessante que ambos sejam baseados em histórias em quadrinhos.

Quadrinhos se tornaram uma mina de ouro pro cinema. São décadas e décadas de histórias e personagens prontos para serem utilizados, que já são conhecidos do grande público. O universo cinematográfico da Marvel já é a franquia mais lucrativa da história do cinema, e com tantos filmes vindo aí provavelmente vai ganhar muita distância do segundo colocado. E são adaptações muitas vezes prezando pela fidelidade.

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Enquanto isso as adaptações de quadrinhos para jogos, embora sejam comuns, vão muito mais pelo fanservice do que pelas histórias. Jogos mais antigos costumam se resumir a um herói conhecido que combate capangas e mais capangas genéricos até chegar a um boss (um vilão famoso) que ele derrota. Repita até que o herói salve o mundo. Ou a um jogo de luta onde é todo mundo contra todo mundo e tem um vilão mega poderoso no final.

Muito disso é consequência das limitações técnicas da época. Mas é fantástico poder controlar um personagem que nós conhecemos e aproveitar uma boa história enquanto isso. Adventures point & click se encaixam como uma luva aí.

The Wolf Among Us é uma história noir. Nada de salvar o mundo de um mega vilão e um plano megalomaníaco. Você é um detetive investigando um problema sério, se metendo cada vez mais fundo em um submundo podre e encarando as consequências dos seus atos. A violência tem muito mais impacto aqui; E pelo próprio estilo deve ser encarada com mais responsabilidade.

Quando eu jogava God of War, mesmo que estivesse mutilando monstros, eu me sentia poderoso. O clima do jogo fazia isto. Música, ambiente, história, temas…  Eu era uma criatura de guerras, afinal de contas. Havia glória no combate. Havia uma sensação de adrenalina que me fazia ver os inimigos apenas como algo a ser exterminado simplesmente porque eu podia.

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Por outro lado, em Shadow of the Colossus eu me sentia melancólico. Cada Colossus caído me deixava com pena. Sentia que o personagem estava fazendo algo não apenas proibido, mas errado. Que aquelas criaturas não sentiam ódio. Eram tão cruéis quanto um animal consegue ser cruel – seguiam apenas a sua natureza. Os Colossi estavam em seu habitat, era eu quem estava lá invadindo a área deles em minha loucura.

Já quando eu jogo algum RPG normalmente sou um pária. Um forasteiro numa cidade cheia de problemas, ameaçada por algum monstro ou exército. E eu e meu grupo, por mais que sejamos recebidos com preconceitos e desprezo, partimos rumo a masmorra onde reside o monstro ou vilão. O derrotamos. E voltamos para ser recebidos como heróis, trazendo esperança para os cidadãos.

Em todos os casos que eu citei, e que se aplicam a vários jogos, a violência é uma decisão pessoal e sem consequências além de mim. Se eu falhar quem vai morrer é apenas eu. Somente eu responderei pelos meus atos. Em The Wolf Among Us o protagonista é responsável por toda uma comunidade.

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Não importa que você seja um monstro poderoso e capaz de derrotar praticamente qualquer inimigo. Você não é onipresente. E se ao matar um criminoso você atraia vingança não para ti, mas para sua família ou amigos? Você não pode estar lá vigiando o tempo todo. As pessoas precisam trabalhar. Precisam viver.

Como julgar alguém que, se não deixasse um traficante usar seu local de trabalho para esconder drogas, poderia ver seus filhos mortos no dia seguinte? Diante da ameaça de ser espancado por alguém muito mais forte que você (ou pior) você denunciaria um crime que viu por acidente? Se você precisa de uma informação urgentemente, é certo ameaçar ou até mesmo torturar uma pessoa? Como você vai lidar com ela depois disso?

É isto que traz bastante emoção ao jogo. Os combates cinematográficos têm um visual e ritmo sensacionais, mas se sentir tendo que brigar com alguém mesmo quando se concorda com esta pessoa é o que traz mais impacto. The Wolf Among Us me fez agir contra a minha vontade várias vezes. Escolher o que achei ser o menor mal. E isto foi como eu joguei.

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O jogo te dá opções de interpretar com um personagem mais frio ou mas empático, mais violento ou mais racional. Quem nunca leu os quadrinhos possivelmente vai tentar fazer o que imagina que o personagem faria. Quem nunca leu provavelmente se guiará pelo que acha que é certo.

Os NPCs têm uma profundidade considerável, talvez por boa parte deles terem dezenas de participações nos quadrinhos. Nem todos vão agradar ou gerar empatia, mas até isto faz parte da graça do jogo. Eu cheguei até a me surpreender sobre como tinha tomado partido em alguns casos, e como os dramas de alguns personagens me afetavam bem mais que outros.

São personagens bem variados. Crianças e idosos, ricos e pobres. É o que se espera encontrar em qualquer bairro, em qualquer cidade… No final de cada episódio é possível ver as escolhas de outras pessoas em gráficos. É genial isso. Um single player onde você compara seu jeito de pensar com o do mundo todo, e pode ver quais são as escolhas mais polêmicas.

Do ponto de vista técnico é um jogo competente. A movimentação talvez seja meio travada. Lembra jogos do primeiro PlayStation, onde parecia que haviam blocos onde você não poderia ir. Mas o visual é muito bom, com um efeito que lembra a arte do Mark Buckingham e ainda assim consegue ser fluido. Não parece um desenho animado. Parece realmente uma história em quadrinhos em movimento. Algo bem característico e facilmente notável.

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O mundo do jogo tem o tom certo – com todos os pubs violentos, prostíbulos e tudo mais que o gênero precisa. E há alguns easter eggs interessantes pra quem gosta de reparar nos cenários.

A dublagem é um ponto importante e muito bem feito. Gostei tanto que nunca mais conseguirei ler a história em quadrinhos original sem ouvir as vozes dos personagens do jogo na minha cabeça. Ninguém teve uma voz que me parecesse estranha ou deslocada. Os diálogos são abundantes e soam naturais escritos e falados. Foi realmente um trabalho cuidadoso.

Infelizmente para apreciar o jogo a pessoa tem que saber falar inglês. Embora a Telltale tenha dito que historicamente sempre lançou traduções perto do final da temporada por enquanto só quem entende inglês (mesmo que com legendas) vai realmente poder apreciar The Wolf Among Us ao máximo.

Disponível nas principais plataformas, ele foi lançado no formato de episódios – cinco deles, cada um durando em média 2 horas. Eu recomendaria a versões para Windows pois os episódios saíam antes, mas agora que todos já foram lançados não faz mais diferença. E em particular não acho muito legal jogar algo mais denso em telas pequenas, mas isso pode ser muito pessoal.

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Uma curiosidade: quando foi lançado o título dos episódios muita gente tinha um bom palpite de quem seria o vilão. Os episódios se chamavam Faith (Fé), Smoke and Mirrors (Fumaça e Espelhos), A Crooked Mile (Andar de Bêbado, algo assim, é uma expressão difícil de traduzir), In Sheep’s Clothing (Em Pele de Ovelha) e Cry Wolf (vou traduzir como Gritar Lobo pra explicar a teoria).

Graças ao título do segundo, quarto e último episódio muita gente fez a ligação com uma fábula bem famosa: O Menino que Gritava Lobo. A história de Pedro, uma criança que cuidava de um rebanho de ovelhas e sempre gritava que havia um lobo por perto para chamar a atenção dos fazendeiros. Eles vinham e encontravam a criança rindo. Quando realmente apareceu um lobo Pedro ele gritou mas os fazendeiros não acreditaram nele e não vieram, então o lobo aproveitou e comeu todo o rebanho.

Parecia perfeito. Um personagem que poderia ter uma rixa antiga do Bigby. Uma história que combinava bastante com os títulos. E mentiras e subterfúgios são praticamente a base do gênero noir. Eu adoraria ver como os roteiristas dariam uma visão mais cínica ao personagem. Mas acabou que não teve nada disso.

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Alguns títulos de episódios eu achei até meio deslocados, na verdade. Tenho suspeitas de que, como foi feito de forma gradual, eles tinham planejado uma história com Pedro como vilão mas desistiram ao ver que todo mundo havia sacado. Mas é só uma teoria conspiratória maluca minha.

Falando em investigação, estas partes são simples e não exigem muito raciocínio ou atenção. Nada ao nível dos jogos de Phoenix Wright, por exemplo. Na verdade chega a ser difícil ficar travado em alguma parte. É um adventure point & click  voltado para a história, não para os puzzles. A interação entre os personagens é o ponto principal, e garanto que escolher o que dizer ou pra onde ir antes que o tempo acabe pode se mostrar um desafio tão grande quanto derrotar um boss em um beat ‘em up.

Espero que seja feita uma segunda temporada deste jogo. No meu mundo ideal, a Telltale teria pessoal e recursos infinitos, e poderia fazer várias adaptações de quadrinhos. Imaginem os puzzles de um jogo baseado em Hellblazer? Explorar o Verde como o Monstro do Pântano? Talvez até interagir (ou ser) um Perpétuo em Sandman.

Há um prazer em explorar o mundo e as pessoas nos adventures point & click que me parece mais limitado em outros gêneros de jogos. Talvez os quadrinhos invadam com força o gênero que tem aproveitado um bom renascimento. E a julgar pelo exemplo da Telltale eu não teria nada a reclamar.

The Wolf Among Us screenshot

SCORE

GAMEPLAY: Embora a movimentação seja meio travada as lutas usam jogos de câmera muito bons, e a interface é limpa e amigável 4/5
GRÁFICOS: Uma história em quadrinhos em movimento, combinando perfeitamente com a fonte de origem 5/5
SOM: Os efeitos sonoros mesclam muito bem com o jogo, e as dublagens são muito competentes 5/5
TRILHA SONORA: Não se destaca nem atrapalha nem destoa 3/5
DIFICULDADE: Não é um jogo feito pra ser difícil. Os combates exigem um mínimo de destreza manual e velocidade, mas não há combos nem nada complexo a ser dominado NA

DADOS

NOME: The Wolf Among Us
PLATAFORMAS: Windows, OS X, Xbox 360, PlayStation 3, PlayStation 4, iOS, PS Vita (em breve)
DISPONÍVEL EM: Download
DESENVOLVEDORA: Telltale Games
DISTRIBUIDORA: Telltale Games
ANO: 2013/2014

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Game Music Classics 008 - Phantasy Star II - Rise or Fall - YouTube Thumb

“Rise or Fall”, versão do tema da batalha de Phantasy Star II do Mega Drive, produzida por Eric Fraga “Cosmonal”.

Game Music Classics 007 – Sword of Vermilion (Mega Drive) – Statts 2010

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O simpático RPG “Traysia” do Mega Drive, o divertido e ousado “Ghost Sweeper Mikami” do Super NES e o clone de Ys “Lagoon” também no Super NES.

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TheBoss Review 031 - YouTube Thumb

Um RPG de ação que lhe faz sentir em um plataforma de Mario. Viaje conosco neste episódio e que se dane a física porque… videogame

O adeus ao Xbox 360 do Gagá

No final do ano passado, eu vinha devorando todo tipo de informação sobre o Wii U, visto que as franquias da Nintendo são minhas favoritas. Mas o lançamento do Wii U acabou se revelando uma grande decepção, com preço alto e jogos escassos. Achei que seria melhor esperar as coisas esquentarem e dar um ano para o console antes de comprá-lo.

Como eu estava naquela fome de comprar um console novo, parti para o Xbox 360. O preço estava bom, e como eu vinha de longos anos de retrogaming, havia muitas franquias modernas que eu queria conhecer. Comprei o bichinho (sob veementes protestos da minha esposa, que achou o console enorme, horroroso, um desastre para a estética da nossa sala etc) já pensando em vendê-lo um ano depois para comprar o Wii U. Conforme o planejado, anunciei o bichinho no Mercado Livre e comprei o Wii U na semana passada (o Xbox ainda está à venda, caso alguém esteja interessado).

Vou fazer um post falando sobre o Wii U para vocês, mas desta vez eu quero mesmo é contar como foi o ano que eu passei com o Xbox 360. Afinal, valeu a pena comprar o console da M$ ou foi uma grande roubada?

Valeu a pena comprar o Xbox 360?

Já respondendo à pergunta: valeu sim, com certeza. Tirei o meu atraso com várias franquias icônicas que até então eu nunca tinha jogado: comprei o remake do primeiro Halo (Halo Anniversary) e curti o jogo apaixonadamente até o final. Acho que até desenvolvi um certo apego retrô ao jogo, porque há algumas semanas peguei Halo 3 e achei o primeiro muito melhor ^_^ Joguei um pouco de Assassins Creed II, e embora não o tenha terminado, consegui entender por que o jogo é tão popular. De posse da coletânea Metal Gear Solid HD Collection, finalmente joguei Metal Gear Solid 2 e 3, que eram enormes rombos no meu currículo (visto que sou fã de carteirinha do Metal Gear Solid de PSX e curto a franquia desde os tempos do MSX).

O feroz confronto com uma imensa horda de alienígenas na selva de Halo Anniversary foi um momento inesquecível do ano que passei com o Xbox 360

Após anos de abstinência, voltei a me deliciar com Final Fantasy. O último que eu havia jogado tinha sido FFIX, no primeiro Playstation, e para minha surpresa adorei o tão odiado Final Fantasy XIII. Apostei no Dark Messiah of Might and Magic, mesmo em meio às críticas extremamente negativas que li, e fui premiado com uma das experiências gamers mais gratificantes do ano. Fiquei surpreso com o pouco apreciado Divinity II, um RPG que mistura habilmente características de RPGs de computador e de console (como não gostar de um RPG onde a gente pode virar dragão e cruzar os céus PanzerDragoon-style?). Depois disso tudo, quase pirei com os enlouquecedores puzzles e seios fartos dilemas morais do esquisitão Catherine.

Não sucumbi aos tão adorados shooters do console. Minha breve experiência com Call of Duty foi desastrosa e não me animou muito. Achei Gears of War interessante, mas não o suficiente para que eu fosse além do que uma demo me ofereceu. Comprei Borderlands 2 e o primeiro Crysis, mas se joguei meia hora de cada foi muito. Nesse sentido, acho que a experiência de jogatina moderna deste retrogamer que vos escreve não foi tão herética quanto imaginei que seria a princípio.

Esqueçam as críticas mocorongas: Divinity II é um RPG maravilhoso!

Aliás, a jogatina retrô também marcou fortemente meu ano com o Xbox. Curti muitos remakes e “remixes”. Sempre dou risada quando lembro dos meus intensos esforços para desbancar o recorde do Eric no Pac-Man Championship Edition DX (foram muitas semanas tensas de “vou bater o recorde, vou bater o recorde… não bati” até que finalmente eu conseguisse). Também lembro de uma divertida tarde em que “esbarrei” no Rafa e no ANTIDEUS online, e acabamos todos disputando uns rachas no Daytona USA.

Na arena naturalmente retrô dos indies, delirei jogando Mark of the Ninja, o primeiro jogo de ninja que realmente fez com que eu me sentisse como um. Sem muita pretensão, Hell! Yeah! Wrath of the Dead Rabbit me conquistou e proporcionou horas e horas de diversão com jogabilidade retrô de alta qualidade e um humor negro genuinamente divertido (há tempos não ria tanto com um jogo). Por fim, o excelentíssimo Dust: An Elysian Tail me tacou na parede e me chamou de lagartixa: o jogo é uma delícia, com gráficos lindos e jogabilidade divertida. Se você não tem Xbox, aproveite que saiu no Steam outro dia.

Gente, QUE MARAVILHA o Dust: An Elysian Tail. Pela madrugada!

E por favor, nem me falem em Minecraft. Senão, vou ter que contar do corredor suspenso que eu construí, do observatório que ergui no alto de uma montanha, da minha aconchegante casinha de dois andares e do medo infernal que eu sinto quanto escuto os esqueletos e as aranhas em volta dela durante a noite. Fiz até uma cerca para manter os bichos longe da minha janela, mas ainda assim eu sinto medo. Muito medo.

Skyrim… ah, Skyrim…

Mas o grande barato do meu Xbox foi mesmo Skyrim. Já devo ter quase 200 horas de jogo e não me canso. Acredito que não seja exagero dizer que Skyrim é a realização do sonho de todos os amantes de RPGs que cresceram jogando os Phantasy Star e Final Fantasy clássicos — e se isso que estou dizendo lhe soa familiar, é porque o Danilo roubou descaradamente a minha fala outro dia num episódio do Games com Café :P  Tudo o que a gente sonhava em ver num jogo quando moleque, seja em termos gráficos ou em termos de liberdade, Skyrim torna real.

Bati essa foto da minha TV. Observem o dragão pousado lá no alto, sobre a rocha, no meio da tela. É ou não é lindo esse jogo?

Eu realmente endoidei com Skyrim. O mundo é vasto, lindo e cheio de coisas acontecendo. Há sim uma quest principal e vários eventos roteirizados, mas quem mergulha mesmo nessa aventura logo para de JOGAR Skyrim e passa a VIVER em Skyrim. Mais cedo ou mais tarde, na estrada que o leva à “conclusão” da missão principal, alguma coisa vai cruzar seu caminho, te seduzir e te arrastar para cada vez mais longe daquele caminho. Há sim muitas missões a serem cumpridas, mas as melhores histórias em Skyrim são aquelas que não estão no script; felizes combinações de situações aleatórias que criam uma história só sua.

Certa vez, vi um dragão voando e decidi enfrentá-lo. “Estacionei” meu cavalo numa área protegida por árvores, fui enfrentar o dragão e voltei. Quando cheguei, o cavalo estava morto. Fiquei olhando para o corpo dele no chão pensando no que poderia ter acontecido, quando subitamente uma flecha disparada logo atrás de mim passou zunindo pela minha orelha direita. Ouvi um barulho; levantei os olhos e um esqueleto armado com uma espada se desmontou todo na minha frente. Enquanto eu estava distraído olhando para o cavalo, o esqueleto saiu do meio das árvores e ia me acertar um golpe certeiro, mas minha parceira de viagens, que estava mais recuada, me salvou em cima da hora com seu arco.

Cavalos podem parecer desperdício de dinheiro em Skyrim, mas as boas histórias que eles geram fazem a grana valer a pena

Claro, comprei outro cavalo depois disso. Um dia, explorando as planícies geladas de Skyrim, encontrei um esconderijo de bruxas. Saltei do cavalo, matei as bruxas todas e quando saí… cadê o cavalo? Procurei, procurei e nada. A noite caía e começava a nevar furiosamente, eu já não estava enxergando nada direito. Decidi voltar para uma cidade ali perto e continuar as buscas no dia seguinte.

De manhã cedo, voltei ao esconderijo das bruxas. Fiquei rondando aquele pedaço, na esperança de topar com o cavalo, ou pelo menos com o corpo dele para virar logo essa página. A tarde chegou, e voltou a nevar com força. Eu estava prestes a desistir do bicho quando, bem ao longe, no meio da neve, vi umas luzes brilhando. Conforme fui me aproximando, identifiquei uma bruxa lançando feitiços contra alguma coisa… grande, que a atacava como se não houvesse amanhã. A visão foi se tornando mais clara aos poucos, até que eu entendesse o que estava acontecendo: era o meu cavalo, descendo a lenha numa bruxa que tinha sobrevivido na noite anterior! :)

Não sei se os cavalos de Skyrim são programados para ter personalidade ou não, mas eu juro que meu cavalo anterior era um verdadeiro covarde, fugindo ao primeiro sinal de perigo, mas que este aqui parte pra cima de todas as criaturas que se aproximam com uma violência extraordinária!

Elisif the Fair, a soberana de Solitude, momentos antes de ser atingida por minha súbita flechada

E aquela vez em que, sem receber qualquer ordem nesse sentido, só para entrar mais no meu personagem e apoiar o líder Ulfric, matei a rainha de uma cidade rival bem na sala do trono? Fui perseguido por toda a guarda local, cruzei os portões da cidade e mergulhei no mar para fugir. Enquanto nadava para longe, as flechas que os guardas disparavam lá do alto caíam ao meu redor como uma chuva letal.

Fui nadando para longe dali, sem saber para onde ia, até avistar uma faixa de terra. Saí do mar, e enquanto recuperava o fôlego naquela região isolada e sem árvores, achando que tinha escapado do pior, a enorme sombra de uma asa cobriu o som por uma fração de segundos. Mais um dragão para a minha coleção.

Mais um belo capítulo da minha história gamer

Pode parecer que estou fugindo do assunto com esse papo sobre Skyrim, mas não estou não. O que estou tentando fazer é ilustrar uma opinião. A gente pensa que compra um videogame para matar todo mundo num Halo, para acompanhar a história de um LA Noire ou para ser o campeão supremo de Street Fighter IV, mas a verdade é que os momentos que nós mais lembramos da nossa experiência com esses jogos são aqueles que nascem do acaso: aquela sequência brilhante de acrobacias que realizamos num golpe de sorte numa partida de Mark of the Ninja; aquele chefe que nós enfrentamos por quase uma hora no Final Fantasy e derrotamos quando só resta um mísero ponto do nosso HP; a flecha de um aliado que salva a nossa vida no último instante no Skyrim.

Adeus, querido Xbox! Não esqueça de escrever! *sniff*

Tendo vivido todas essas experiências com o meu Xbox, eu me declaro um cliente satisfeito. Agora, vendo o “preto velho” com a esperança de que seu novo dono viva tantas emoções quanto eu vivi com ele. Agradeço à Microsoft pelas muitas horas de diversão que me ofereceu, e parto agora para o mundo selvagem do Wii U… desejem-me sorte!

TheBoss 025 – Pokémon X & Y

O Nintendo 3DS finalmente recebe o esperadíssimo Pokémon nativo para este console portátil e Danilo disseca por inteiro o jogo dos simpáticos monstrinhos de bolso aqui no TheBoss.