Gamesfera 005 – Seu Cérebro Joga Videogame

Conheçam Arhnoud Gahmer, diretamente do Oriente Médio para o Cosmic Effect.

Este episódio é um “ripoff” do episódio 004, O Sol Que Ilumina Os Pixels. Qualquer semelhança não é mera coincidência…

Gamesfera 004 – O Sol Que Ilumina Os Pixels

Quanto de CPU nosso cérebro consome para enxergar o gameplay?

Cosmic Cast #38 – Astal

Em 1995, um jogo de plataforma clichê. Em pleno videogame que inauguraria pra valer a “era 3D” nos consoles domésticos, mas que acabou mesmo deixando um legado bidimensional.

Hoje, uma obra-prima visual; uma trilha sonora recheada de estilos diferentes e inexplicavelmente bela. Nove fases, sete chefes, cinco vidas e um continue.

Mas números não explicam Astal, esta experiência retrogamer, single player, das mais gratificantes que você pode ter. Seja quando for.

Cosmic Cast

Episódio #38: Astal

Cliquem em Gostei no YouTube!

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Trine (PC)

Side-scroller com PhysX.

Por Eric Fraga

Se você possuir um PC que suporte jogos modernos e for um retrogamer, só resta acreditar em mim: jogar um side-scroller no esquema WASD (teclado) e mouse será inesperadamente gratificante e, misteriosamente, você não desejará ter aquele gamepad nas mãos quando experimentar Trine em seu computador.

Por outro lado, talvez não consiga prestar atenção nos controles pois estará ainda atônito ao ver os gráficos mais belos de um side-scroller. No primeiro puzzle de cenário, sentirá satisfação ao perceber que aquela garrafinha de life numa plataforma inalcançável, pode ser sua de várias maneiras, sem dar um pulinho, só usando a física do jogo — ou no caso da versão para PC (também está disponível em PS3), PhisX da nVidia.

Trine é assim: bem moderninho, mas o gameplay é basicamente o bom e velho side-scroller com uma pitada de beat’em up.

Depois da incrível primeira impressão, o jogador que experimentar a campanha single-player descobre que possui o controle de três personagens (até lembrou Psycho Fox…): uma ladra, um mago e um cavaleiro. Cada um com suas habilidades distintas, como era de se esperar. A troca entre eles é imediata: as teclas típicas de seleção de armas em FPSes — os números — trocam de personagem.

A ladra, talvez o personagem mais versátil, tem como arma um arco-e-flecha,  possui um gancho “ninja” que a transporta pelo cenário, além dela ser a mais rápida e melhor nos saltos. O mago é lerdo, mas sua mágica pode conjurar algumas formas geométricas que funcionam como pontes e elevações, além de poder movimentar objetos do cenário. Por fim, o cavaleiro é gordo mas sua arma melee (ataque de perto) é a melhor.  Junte a este caldo algumas evoluções de armas, nas magias do mago e no gancho da ladra e temos o formato do gameplay de Trine.

O gameplay com o teclado e mouse ficaram ótimos: o “super-analógico” mouse permite rapidez e precisão nos controles do gancho e da mira do arco da ladra. O jogo fica com uma fluidez sem precedentes, em se tratando de um side scroller. Foi uma surpresa: logo que pensei em jogar Trine, seria o típico jogo em que o joystick do Xbox entraria em ação no PC.

Ele até funciona bem, mas que nada — pensei: se o jogo não for tão bom, pelo menos a maneira de experimentar um side-scroller AAA será diferente (há muitos side-scrollers independentes por aí no PC, como sabemos; mas Trine está longe de ser indie, por conta do valor de produção).

A desenvolvedora finlandesa Frozenbyte criou bons puzzles, mas com um grau de dificuldade apenas mediano: você os resolve sempre em poucos minutos, por conta da diversidade de soluções possíveis. Seus 3 personagens são muito poderosos juntos, essa é a verdade.

Por exemplo, os pulos mais difíceis, em plataformas “fininhas”, são resolvidos por uma ponte que pode ser criada pelo mago. Trine não é desafiador, mas tem seus momentos intrigantes. A música do jogo é apenas… de acordo com a ambiência. Mas não é marcante. Quero gostar dela, mas não consigo. Pelo menos cumpre seu papel deixando o jogador preocupado mesmo com os puzzles.

As lutas com os esqueletos (é o único inimigo do jogo, além um ou dois chefes) são pouco inspiradas, nada perto de um Prince Of Persia 2D. E, de novo, o poder dos personagens as tornam fáceis. O jogo não é curto — são 15 capítulos — mas passa rápido justamente por conta de não ser tão difícil. Curiosamente, Trine conta com um belo desafio no final que compensa um pouco o grau de dificuldade mais ameno.

Não joguei-o cooperativamente, mas tem tudo pra ser uma ótima experiência. Imagino que, se for no mesmo cenário, ficará até fácil demais… porque, em single player, você nunca pode ter as habilidades de mais de um personagem ao mesmo tempo.

Os completistas irão se divertir com os diversos troféus escondidos. Se for  fã do gênero “básico” dos videogames, não há como não gostar de Trine. Não é o melhor side-scroller que você já experimentou, mas é o mais bonito; não tem o desafio de um Castlevania, porém o jogo te dá autonomia de resolver os puzzles por mais de uma maneira.

O melhor dele é justamente a presença de muitos enigmas espalhados pelo cenário: o combate está presente porque “tinha de estar”, mas claramente não foi dada muita atenção a este aspecto. Se você for um retrogamer, é uma experiência curiosa jogar um título tão avançado tecnicamente e com a jogabilidade 2D de outrora. Dá pra imaginar como seria, não um remake, mas um jogo clássico da era 8 bits se fosse concebido na época atual, com o hardware de hoje.

SCORE

GAMEPLAY: Surpreendemente ótimo no teclado e mouse, puzzles de cenário o tempo todo 4/5
GRÁFICOS: Ainda quero ver um side-scroller mais bonito e detalhado 5/5
SOM: Suficientes, nada especial 3/5
TRILHA SONORA: O jogo dá espaço para uma trilha marcante, é inspirador mas pelo jeito não funcionou para o compositor 2/5
DIFICULDADE: Mediana, sobe bastante no final 3/5

DADOS

NOME: Trine
PLATAFORMA: PC e PlayStation 3 (PSN)
DISPONÍVEL EM: DVD, Steam e PSN
ANO: 2009
DESENVOLVEDORA: Frozenbyte
DISTRIBUIDORA: Nobilis

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