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Trine (PC)

Side-scroller com PhysX.

Por Eric Fraga

Se você possuir um PC que suporte jogos modernos e for um retrogamer, só resta acreditar em mim: jogar um side-scroller no esquema WASD (teclado) e mouse será inesperadamente gratificante e, misteriosamente, você não desejará ter aquele gamepad nas mãos quando experimentar Trine em seu computador.

Por outro lado, talvez não consiga prestar atenção nos controles pois estará ainda atônito ao ver os gráficos mais belos de um side-scroller. No primeiro puzzle de cenário, sentirá satisfação ao perceber que aquela garrafinha de life numa plataforma inalcançável, pode ser sua de várias maneiras, sem dar um pulinho, só usando a física do jogo — ou no caso da versão para PC (também está disponível em PS3), PhisX da nVidia.

Trine é assim: bem moderninho, mas o gameplay é basicamente o bom e velho side-scroller com uma pitada de beat’em up.

Depois da incrível primeira impressão, o jogador que experimentar a campanha single-player descobre que possui o controle de três personagens (até lembrou Psycho Fox…): uma ladra, um mago e um cavaleiro. Cada um com suas habilidades distintas, como era de se esperar. A troca entre eles é imediata: as teclas típicas de seleção de armas em FPSes — os números — trocam de personagem.

A ladra, talvez o personagem mais versátil, tem como arma um arco-e-flecha,  possui um gancho “ninja” que a transporta pelo cenário, além dela ser a mais rápida e melhor nos saltos. O mago é lerdo, mas sua mágica pode conjurar algumas formas geométricas que funcionam como pontes e elevações, além de poder movimentar objetos do cenário. Por fim, o cavaleiro é gordo mas sua arma melee (ataque de perto) é a melhor.  Junte a este caldo algumas evoluções de armas, nas magias do mago e no gancho da ladra e temos o formato do gameplay de Trine.

O gameplay com o teclado e mouse ficaram ótimos: o “super-analógico” mouse permite rapidez e precisão nos controles do gancho e da mira do arco da ladra. O jogo fica com uma fluidez sem precedentes, em se tratando de um side scroller. Foi uma surpresa: logo que pensei em jogar Trine, seria o típico jogo em que o joystick do Xbox entraria em ação no PC.

Ele até funciona bem, mas que nada — pensei: se o jogo não for tão bom, pelo menos a maneira de experimentar um side-scroller AAA será diferente (há muitos side-scrollers independentes por aí no PC, como sabemos; mas Trine está longe de ser indie, por conta do valor de produção).

A desenvolvedora finlandesa Frozenbyte criou bons puzzles, mas com um grau de dificuldade apenas mediano: você os resolve sempre em poucos minutos, por conta da diversidade de soluções possíveis. Seus 3 personagens são muito poderosos juntos, essa é a verdade.

Por exemplo, os pulos mais difíceis, em plataformas “fininhas”, são resolvidos por uma ponte que pode ser criada pelo mago. Trine não é desafiador, mas tem seus momentos intrigantes. A música do jogo é apenas… de acordo com a ambiência. Mas não é marcante. Quero gostar dela, mas não consigo. Pelo menos cumpre seu papel deixando o jogador preocupado mesmo com os puzzles.

As lutas com os esqueletos (é o único inimigo do jogo, além um ou dois chefes) são pouco inspiradas, nada perto de um Prince Of Persia 2D. E, de novo, o poder dos personagens as tornam fáceis. O jogo não é curto — são 15 capítulos — mas passa rápido justamente por conta de não ser tão difícil. Curiosamente, Trine conta com um belo desafio no final que compensa um pouco o grau de dificuldade mais ameno.

Não joguei-o cooperativamente, mas tem tudo pra ser uma ótima experiência. Imagino que, se for no mesmo cenário, ficará até fácil demais… porque, em single player, você nunca pode ter as habilidades de mais de um personagem ao mesmo tempo.

Os completistas irão se divertir com os diversos troféus escondidos. Se for  fã do gênero “básico” dos videogames, não há como não gostar de Trine. Não é o melhor side-scroller que você já experimentou, mas é o mais bonito; não tem o desafio de um Castlevania, porém o jogo te dá autonomia de resolver os puzzles por mais de uma maneira.

O melhor dele é justamente a presença de muitos enigmas espalhados pelo cenário: o combate está presente porque “tinha de estar”, mas claramente não foi dada muita atenção a este aspecto. Se você for um retrogamer, é uma experiência curiosa jogar um título tão avançado tecnicamente e com a jogabilidade 2D de outrora. Dá pra imaginar como seria, não um remake, mas um jogo clássico da era 8 bits se fosse concebido na época atual, com o hardware de hoje.

SCORE

GAMEPLAY: Surpreendemente ótimo no teclado e mouse, puzzles de cenário o tempo todo 4/5
GRÁFICOS: Ainda quero ver um side-scroller mais bonito e detalhado 5/5
SOM: Suficientes, nada especial 3/5
TRILHA SONORA: O jogo dá espaço para uma trilha marcante, é inspirador mas pelo jeito não funcionou para o compositor 2/5
DIFICULDADE: Mediana, sobe bastante no final 3/5

DADOS

NOME: Trine
PLATAFORMA: PC e PlayStation 3 (PSN)
DISPONÍVEL EM: DVD, Steam e PSN
ANO: 2009
DESENVOLVEDORA: Frozenbyte
DISTRIBUIDORA: Nobilis

* * *

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16 Respostas

  1. Esse jogo é lindo mesmo Eric!

    Achei muito boa a física do jogo tb. Super realista!

    Bem que eles poderiam usar a mesma engine do jogo para realizar remakes de classicos, como vc disse.

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    • Putz, não é o quê rapaz? Quando rolar em promoção na PSN, quero que você compre porque é garantia de diversão pra você, é só puzzle e gráficos acima da média, como você gosta.

      Pelo que vi até hoje, esse ao lado daquele Shadow Complex da Live são os dois jogos atuais só que em estilo retrô mais bonitos que existem – e são bons em gameplay também

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  2. Infelizmente a Frozenbyte deve ter recebido uma graninha da NVidia e esse jogo no PC só funciona com Physx, o que significa GeFORCE 8xxx pra cima. Porque não usaram um Havok da vida? Half Life 2 e similares tem ótima física sem apelar pra uma API só existente em placas de vídeo de uma empresa, acho que esse jogo foi criado sobre a sanção da NVidia pra ser um showcase mesmo.

    Pronto, agora que desabafei a raiva por minha Geforce ser 7600 posso falar que quando vi o jogo na casa de Eric fiquei bem empolgado. Os gráficos são lindos e o jogo tem um desafio mediano que é viciante. Ele é fácil o suficiente pra você quase nunca se frustrar (e consequentemente nunca largar o jogo) e difícil o suficiente pra te manter interessado. Espero que saia pra XBOX Live um dia, é compra garantida.

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    • Teria usado essa definição do seu comment no review “fácil o suficiente pra não se frustrar e difícil o suficiente pra manter interessado”.

      E, Danilo, suas preces foram atendidas: vai sair pra Live! Vi algo sobre enquanto lia sobre o jogo, acho até que já tem data. Vão ter de fazer uma engine pra física ou dá pra emular o Physx no Xbox, o que acha? Lembra que lhe falei quando você tentou jogar na sua 7600 “puxa, não rola um fallback pra ele jogar em uma placa sem physx não né?” e você me lembrou com razão que isso seria loucura na produção de um jogo. Caso eles não tenham usado algum recurso de hardware específico do PS3 para este fim, certamente vão portar o código da física do console da Sony, o que acha q deve ser?

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  3. Cara, joguei o demo no PS3 e adorei… Agora peguei pra jogar no PC! Muito bom mesmo!

    É o Lost Vikings dos tempos modernos! \o/

    Mas cara, eu fico puto com as gangorras… Eu sempre apanho demais delas! =/
    eUHAEUEHAEUHAEUHEUHAEUHAEUhe

    Abraços!

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    • uhauhauha, as gangorras são danadinhas mesmo, também apanhava nelas, principalmente quando só sobrava o cavaleiro e não rolava uma ‘madeirinha’ em cima pra ladra mandar o gancho, rs

      Ah, visitei seu blog agora, bem organizado e gostei muito do post sobre a evolução dos jogos de futebol – meus favoritos ali eram pele’s soccer e fifa do mega :-)

      Vou adicionar o Museum dos Games aqui, valeu!

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  4. Parece um ótimo jogo. Adoro sidescrolles! Pena que não tenho um PC fodão e nem um Playstation 3.

    Valeu por dar uma passada lá no Bitando, se quiser a gente pode firmar uma parceria. Posso pôr um banner de vocês lá, ou só um link, que tal? Só responder lá nos comentários ou mandar um e-mail pra bitandogames@gmail.com

    Tá bem legal o blog, abraço!

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    • Valeu Cloud! Já te mandei email e adicionei o Bitando aqui.

      Pois é, depois de sua jornada de Castlevania tu ia jogar Trine com um pé nas costas e no hard… outro dia até brinquei no twitter: “Está tendo dificuldades com um jogo next-gen? Pare um pouquinho, jogue um retrô; volte para seu next-gen. Viu como era fácil?” :D

      Abração!

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  5. Opa, fico feliz que participe do nosso café!! Já está quase pronto hehe!!!
    E vou linkar o teu blog no meu lá!!

    Grande abraço

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  6. O post tem quase um ano e só agora estou jogando. Benditas sejam as promoções! =P

    Os gráficos realmente me surpreenderam muito! São de encher os olhos! Ainda não joguei muito, mas a jogabilidade também me agradou bastante.

    Agora só me decepcionei antecipadamente com a trilha sonora. Se você acha que não é digna de nota, então tá achado! Que pena.

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    • Legal Patty, você indo Trine agora pelo Humble Bundle e eu devendo Braid (também de lá), o ícone fica me chamando todo dia, ainda não cliquei :)

      Não é bem gostoso o Trine no mouse/teclado? Surpreendeu, ficou bem fluido mesmo.

      ahahaha, vou aguardar sua opinião depois que a música “envelhecer” mais nos seus ouvidos durante a jogatina, o joguinho tem uma atmosfera tão fantástica… mas a impressão que ficou da trilha foi que o compositor não estava nada inspirado… as músicas ficaram “incidentais demais” :) justamente num jogo tão, mas tão bonito e inspirador.

      Valeu Patty!

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  7. […] ele também é compositor de Trine, outro jogaço finlandês que possue uma trilha sonora apagada, revisitado anteriormente neste blog que vos fala (e a OST recebeu comentários similares, juro que não é […]

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  8. Fala aí Eric,

    Seguindo sua indicação, li o post aqui. Gostei muito. Porém, discordo sobre a trilha sonora, gostei bastante dela. Achei bem tranquila e relaxante, mas admito que talvez não varie muito. Sei lá, ela me passa a sensação exata do início das fases: alguém com um livro aberto e contando histórias.

    Sobre jogar cooperativamente, é muito divertido! Uma pena que em Trine 1 só seja possível coop local (no 2, rola pela internet também). Uns amigos vieram em casa, deixei eles jogando nos 2 controles do Xbox 360 e olhando para TV e eu fiquei no teclado+mouse de frente para monitor :-)

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    • Opa Frank! Pô, muito legal deve ter sido essa sessão co-op aí, 3 ao mesmo tempo no Trine — deve ser divertido demais pra resolver os puzzles hein? Rapaz, e tem razão sobre a trilha, ela é super relaxante mesmo. O lance é que o jogo é tão, mas tão visualmente arrebatador, inspirador… o jogo todo é inesquecível, exceto…

      …que não conseguia sequer lembrar das músicas depois de jogar, lembro bem deste detalhe quando joguei Trine. E você sabe que vivo intensamente o lance das trilhas dos jogos (como você e todo apreciador dos videogames, claro), mas a do Trine foi marcante… ao contrário: não tinha motivação de escutá-las. Talvez seja como falou, elas sirvam muito bem para transmitir a sensação do jogo, a idéia do “livro aberto” que você mencionou e tal. Mas infelizmente fiquei decepcionado mesmo com as composições, todas elas… uma raridade isso acontecer nos jogos!

      E o segundo Trine, você também jogou, Frank? Ainda não experimentei. Abração!

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      • Entendo perfeitamente seu ponto Eric! O legal foi você dizer que lembra exatamente de não lembrar das músicas, hahaha :-)

        Já joguei muitos games com trilhas marcantes, só para citar um exemplo aleatório Castlevania Dracula X de SNES (mas que contem composições já “consagradas” de outros jogos da franquia). Agora um outro exemplo aleatório, mas de um jogo que gosto muito (tenho o cartucho) e que talvez você não conheça é o Spriggan Powered. Lembro claramente de um amigo trazer um fita K7 e pedir para gravar as músicas a partir do Sound Test (eu ligava o SNES nas entradas no meu mini system), mesmo que você não goste deste, deverá curtir a trilha e quem sabe soltar um “É disso que estou falando, Frank” :-)

        Sobre Trine 2 joguei bem pouco e muito aletoriamente, queria terminar o primeiro (o jogo bem esporadicamente, mas gosto muito)

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