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Obras de Arte dos Jogos Eletrônicos

Por Eric Fraga

A era dourada dos videogames já pode ter acontecido. Já ouvi em algum lugar (provavelmente na revista PC Gamer) que a golden age dos jogos de computadores teria sido no início dos anos 90, com os adventures da Lucas/Sierra, o surgimento do gênero FPS com Wolf 3D e Doom de MS-DOS e shooters cinemáticos como Wing Commander e X-Wing. Nos consoles, talvez a melhor época da história pode ter acontecido com os 16 bits durante a briga Nintendo x SEGA – na mesma época do auge do MS-DOS como plataforma de jogos.

Faz sentido: a era 16 bits dos consoles dispunha de bom hardware, mas ainda sem a inicialmente nociva (“FMV é o futuro dos games”) não-limitação dos CDs;  as músicas ganhavam variações de timbre, mas os compositores ainda não tinham total liberdade musical, pois ainda haviam limitações técnicas; e, graficamente, certamente tivemos os melhores pixel art já vistos – novamente, pelo equilíbrio naturalmente oferecido pelos hardwares nem tão fracos (8 bit) nem tão poderosos (era PlayStation) que os estimulassem a “ir 3D”. E os computadores eram bem mais potentes que os consoles, mas seus jogos em geral não tinham a mesma abordagem. Por fim, é importante ressaltar que estamos falando da era pré-3D onde os computadores só tinham poder para “ensaiar” jogos com X, Y e Z e os videogames menos, bem menos ainda.

Estes fatores estimulavam os desenvolvedores de jogos a ultrapassarem os (ainda) muito impositivos limites de hardware – e da criatividade. E parece mesmo que a dificuldade estimula o ser humano a dar verdadeiramente o melhor, o máximo de si. Por isso, gostaria de celebrar alguns exemplos de jogos que transmitem este sentimento de obra de arte, em um videogame. Não estou me referindo a um aspecto isolado, como visual, músicas ou até mesmo gameplay. O todo é que define esta qualidade; o indescritível. Ao jogar ou até mesmo observar um destes games, você deverá sentir um prazer similar ao do entusiasta por pinturas: admiração, encantamento e imaginação nas nuvens – ou onde quer que o criador da obra deseje. Também, não estaremos citando somente retrogames – ainda que estes serão a vasta maioria, talvez por terem envelhecido o suficiente. Atualmente, já se discute a inclusão dos jogos eletrônicos como uma oitava forma de arte. Nada mais justo.

Quando pensamos desta maneira com relação aos jogos de videogame, os nomes a seguir são os primeiros que surgem nas mentes de Eric, Danilo e Euler – os blogueiros do Cosmic Effect. Sintam-se em uma galeria de arte, por favor.

Eric encara como obra prima:

Out Of This World

Shadow Of The Colossus

The Dig

Bioforge

Danilo considera estes jogos verdadeiras pinturas:

Braid

The Elders Scrolls IV: Oblivion

Baldur’s Gate

E Euler quando pensa em “obra de arte jogável”, lembra de:

Grim Fandango

Okami

Menções Honrosas
NiGHTS Into Dreams (Saturn, SEGA)
X-Wing Vs. Tie Fighter (PC, Lucas Arts)
God Of War 3 (PS3, SCEA)
King’s Quest VI (PC, Sierra)
Terranigma (SNES, Enix)
Phantasmagoria (PC, Sierra)
Ico (PS2, Team ICO)
Portal (Multi, Valve)
Fallout 1 (PC, Interplay)
Darkseed (PC, Cyberdreams)
E.V.O. Search For Eden (SNES, Enix)

Gostaríamos muito de ouvir os jogos que vocês também consideram obra de gênio, pois temos genuíno interesse em conhecê-los. Lembre-se que não deve necessariamente ser aquele jogo favorito; e sim o que consegue reunir qualidades que o deixa com um sabor diferente dos jogos típicos; um sabor de… obra de arte.

* * *

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20 Respostas

  1. Acho que jogos, assim como filmes, causam uma constante disputa. De um lado, mentes criativas tentam inovar e criar novas formas de entreter nós os jogadores, do outro corporações que vêem a indústria como nada mais que isso, uma forma de ganhar dinheiro.

    Nessa constante batalha vemos algumas derrotas como os jogos baseados em filmes e as sequências muito apressadas, mas felizmente vemos também muitas vitórias, onde os produtores não tiveram medo de ousar para criar uma experiência realmente nova.

    No fim das contas, não acredito ser exagero considerar jogos eletrônicos uma forma de arte, afinal eles requerem muita transpiração mas também uma boa pitada de inspiração.

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    • Na mosca Danilo. Só completando sua afirmação, agora que os videogames estão de fato caminhando para uma narrativa própria, não mais 100% baseada no cinema, veremos muitos acertos (como Braid e Out Of This World) e, certamente, devemos ter algumas obras trash nos próximos anos. B-Movies e B-Games.

      Vai ser legal ver o videogame se consolidar como forma de arte, principalmente nós que estamos acompanhando desde os tempos do preto e branco…

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  2. Se encararmos que obras de arte também são jogos que foram divisor de águas, gostaria de fazer 2 menções honrosas:

    1) Street Fighter II World Warrior (Arcade): primeiro de jogo de luta de jogabilidade profunda e apurada, que serviu de inspiração a dezenas de jogos que vieram depois: Mortal Kombat, Art of Fighting, World Heroes, King of Fighters, etc

    2) Half-Life (PC): Ach que foi um dos primeiros a permitir a criação de modficações (MODS) e, em virtude disso, deu origem ao lendário Counter-Strike

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    • Beleza Charles!

      Half-Life eu e o Danilo até discutimos sobre ele, mas acabou ficando de fora e esperaríamos que fosse citado, é fato.

      Mas legal o argumento de considerá-los obra de arte por terem sido divisor de águas, ambos citados por você definitivamente são…

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      • Concordo com ambos os jogos, foram divisores de águas com certeza.

        Apesar disso, quando penso em um jogo obra de arte, penso em um jogo que lá atrás, durante a concepção, todos diziam para o autor: “cara, é legal e tal, mas não vai dar jogo, não tem como por gameplay na sua idéia”, ou seja, jogos que por muito pouco poderiam ficar ruins justamente porque suas idéias fundamentais não são focadas no gameplay.

        Um bom exemplo do que digo é Shadow of the Colossus, um jogo só com chefões, sem inimigos, pouquíssima iteração com NPC’s, sem items para coletar, qualquer um diria que esse jogo vai ser uma merda – e ainda assim o Team ICO conseguiu pegar todos esses elementos dignos de um livro ou filme e por um gameplay gostoso de jogar.

        Já um exemplo de um experimento que não deu certo eu considero Just Cause 2. Um jogo grandioso, você pode ir literalmente onde quiser, a área de jogo é do tamanho de um continente, cenários belíssimos para admirar – e o jogo é chato. Talvez tenha gente que queira me matar depois disso mas esse jogo eu achei muito monótono, eles fizeram uma verdadeira obra de arte mas esqueceram de por a diversão, logo não dá pra considerar como um “jogo obra de arte”.

        Street Fighter foi divisor de águas mas o que ele inovou foi o gameplay que com certeza até hoje é imitado, Oblivion tem um gameplay batido, é um FPS com armas brancas, isso existe desde Hexen ou talvez antes, mas sua ambientação, imersão e abertura para roleplay não tem precedentes. Out of this World é um platformer com alguns poucos elementos de shoot-em-up, muito fraquinhos por sinal – os controles não são muito bons e o jogo deveria não ter muito valor de replay já que é memorização pura – e ainda assim se passa num universo tão rico que podemos contar a história daquele mundo baseando-se nas poucas horas que o jogo dura. Braid por pouco não é um platformer genérico, cópia sem vergonha de Super Mario, mas quem diria, é um platformer com uma história boa e bem contada, fazia anos que não via isso.

        Por fim, o que esse meu livro quis dizer é que os jogos que considero obras de arte o são não pelo gameplay em si, mas por ousarem em focar em outros elementos e ainda assim manter o gameplay interessante.

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        • “…que os jogos que considero obras de arte o são não pelo gameplay em si, mas por ousarem em focar em outros elementos e ainda assim manter o gameplay interessante.”

          Velho, você sintetizou da melhor maneira possível agora. Ainda posso editar o post original e adicionar isso? rs

          Sou obrigado a rasgar seda de outro momento do seu comment: quando diz que alguém por ventura crucifixa a idéia mirabolante de algum designer, e ele segue em frente no desenvolvimento e consegue o milagre de achar um gameplay razoavelmente interessante para aquilo. Fiquei imaginando o Eric Chahi, que é capaz de ter passado por isso em Out Of This World, hein? (viajei no tempo agora lembrando dos samplers deste jogo tocando no PC Speaker no meu 386 – emoção pura).

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  3. como é que vc não falou de zelda wind waker e final fantasy 6? herege! hehe

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    • Taí mais dois, valeu Maximus! :D

      Não joguei ambos ainda, mas o Danilo aí é fã incondicional do Final Fantasy 6…

      Eu ainda est

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    • Taí mais dois, valeu Maximus! :D

      Não joguei ambos ainda, mas o Danilo aí é fã incondicional do Final Fantasy 6…

      Eu ainda estou me recuperando de não ter tido um SNES até hoje. Atualmente, por exemplo, estou com 20 horas em Chrono Trigger, por exemplo. E – claro – está sendo um deleite.

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  4. Essa discussão sobre os jogos serem ou não arte rende pra caramba. Eu confesso que não ligo muito para isso. Desde que o Andy Warhol transformou uma lata de sopa em obra de arte eu acho que o conceito de arte ficou tão “elástico” que simplesmente (na minha humilde opinião) não tem mais importância alguma ser classificado como arte. Até um talão de cheque pode ser considerado arte hoje em dia.

    Eu gostei da seleção que vocês fizeram. Esses jogos aí têm uma clara preocupação estética, a gente nota fácil fácil em jogos como Out of this World ou Braid uma tentativa de se aproximar de outras formas de arte (como a pintura, no caso do Braid). Mas eu acho que a diferença desses jogos para outros mais convencionais é como a diferença entre o cinema europeu e o americano: o europeu tem uma preocupação estética maior e mais “profunda”, mas a verdade é que é tudo cinema, e o cinema americano é tão arte quanto o europeu, só que com uma cara e um foco diferentes. Eu diria que a lista de vocês é ótima para quem, como eu, curte um cineminha do velho continente…

    Seja como for, é só a minha opinião, e vocês expressarem muito bem a de vocês. Parabéns pelo post, ótimas sugestões!

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    • Legal mesmo Gagá, você colocou numa perspectiva muito interessante em sua comparação com as duas vertentes do cinema que citou.

      Talvez os jogos que a gente estava procurando seriam algo com um feeling meio cinema europeu mesmo… fiquei curioso em ouvir de você alguns nomes também (de jogos deste “tipo”) :-)

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  5. Aí, pessoal, ótima postagem! Essa discussão é antiga e vai durar muito ainda. Eu coincidentemente estou escrevendo uma matéria para o jornal de uma assessoria de imprensa onde eu trabalho sobre games e cultura, e acabei falando um pouco de games como arte… e usei isso de inspiração para uma postagem lá no meu blog (o Bitando).

    Belíssimos jogos citados. Tem outros jogos que eu mencionaria também, não só que se aproximam da arte pela estética, mas pelo caráter questionador e transcendental, como Final Fantasy, Xenosaga, etc. Esteticamente tem muitos, principalmente esses jogos de ação e hack ‘n slash de hoje em dia, que tem muito mesmo de cinemão americano e não deixa de ser arte por ter planos de câmera bem elaborados e ação planejada.

    Abraço!

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    • Legal Cloud.

      E não consigo concordar mais com sua lembrança dos hack’n slash atuais, estou jogando Bayonetta e o jeitão do jogo, com relação à estética geral, passa muito essa idéia abstrata de obra de arte em videogame (claro, DMCs, etc.). Só faltaria casar este aspecto com o gameplay “igualmente artístico”, por assim dizer :-)

      Anotado FF e Xenosaga :-)

      Quero saber da sua matéria pronta logo que sair, por gentileza!

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  6. A partir do momento que você classifica os Videogames como arte, todos os jogos serão obras de arte. Todos os livros são literatura, todos os filmes são cinema, mas alguns são “mais artísticos”, cultos, profundos, significativos e marcantes que outros. A discussão pode ser:

    Videogames são arte?
    ou
    Quais jogos vocês acham mais “artísticos”?

    Eu ainda não considero videogames como arte porque ainda não é ‘oficial’, mas defendo que se torne. Jogos tem todos os elementos das outras artes, como enredo (teatro e cinema), gráficos (artes plásticas) e música, mas junta essas características de uma forma diferente e acrescenta outros elementos como a jogabilidade e interatividade. Portanto jogos tem as características de uma arte, mas não pode ser encaixado em uma delas, formando uma nova (a 8°, no caso).

    Quanto aos jogos, existem vários que merecem destaque nesse aspecto. Os games indie normalmente tem mais esse apelo, como os do estúdio Amanita Design (Samorost, Samorost 2, Machinarium). Eu escrevo o blog O-scope, sobre jogos gratuitos, e não é incomum encontrar vários games desse tipo.

    Claro, as grandes empresas também produzem esse tipo de conteúdo.

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    • Legal, Ícaro!

      Pois é, acho que a idéia era mesmo celebrar os “mais artísticos”. Tudo que você falou está muito coerente. A inovação que os jogos eletrônicos em vídeo trouxe para o mundo é justamente o tal gameplay. Isso não existe em nenhum outro “lugar”, só nos nossos cultuados videogames. Quando um jogo como Out Of This World, por exemplo, consegue unir todos (ou muitos) elementos artísticos que os videogames tomaram emprestado das outras vertentes, porém adicionando um gameplay igualmente “artísitico”, temos a obra de arte num videogame. O momento específico em que portei nos frames do tal Another World ali, junta tudo isso: o belo visual minimalista do jogo + uma cena cinematográfica + gameplay empolgante.

      Ah, e visitei seu blog, muito legal e adorei o título, a menção à tennis for two e tal. Temos que virar parceiros :-)

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  7. Quando li o nome desse post, a primeira coisa que me veio a cabeça foi o game The Dig. E para minha satisfação, olha ele lá!!! Na minha singela opinião um espetáculo visual e sonoro da época…

    Destacaria também minha perplexidade diante do R-Type, do MS, quanto sua qualidade e diversidade se cenários, efeitos sonoros e uma trilha empolgante.

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  8. Ôpa Marcio, você é o cara! The Dig tinha mesmo este feeling de obra de arte, provavelmente muito de Steven Spielberg foi bem traduzido pela Lucas Games, imagino.

    E R-Type do Master… divido com você a admiração por ele pois, pessoalmente, é o schmup preferido dentre todos – a versão do MS especificamente, assim como você, é a que mais admiro.

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  9. O assunto realmente rende pano para manga.

    Eu considero que todos os jogos são em parte obra de arte, essa questão de ser “oficial” para mim não é necessária, já que os figurões que tomam essas decisões são geralmente muito conservadores e lentos para atualizar suas noções de arte.

    Mesmo assim o que tentamos passar foi que existem jogos com “arte em cima da arte”, acho que o Gagá foi quem melhor falou quando comparou a cinema de Hollywood e cinema europeu.

    Esses jogos praticamente tentam esconder o fato que são jogos, já que as veias artísticas inundam até mesmo o gameplay, é diferente de um jogo de ação, que pode ser muito bem comparado a um filme de ação. Em ambos o objetivo não é quebrar nenhuma barreira da inovação, mas apenas entreter o jogador/telespectador por algumas horas.

    Os jogos “artísticos” parecem não se importar se ficam famosos ou vendem 1 milhão de unidades, eles querem passar uma idéia diferente da “arte de jogar”.

    Considero ICO um excelente exemplo disso, um jogo que pouca gente jogou na época, mas todos que jogam afirmam que não há nada parecido com ele no mercado dos games.

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  10. pomba,o jogo precisa apenas de uma otima historia para
    ser um jogo artistio,por exemplo,os jogos que mais marcao as pessoas sao assim como earthbound,final fantasy 7,metal gear e outros,claro que pressisa de uma boa gameplay mas caprichando na historia voce comsegue um belo jogo com e uma gameplay mais ou menos

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  11. Só acho q ficou faltando o Flashback ai nessa mensão honrosa.
    Um jogo q bebe da msm fonte de Out Of This World som uma
    história mais densa e dialogos entres os vários personagens,
    interação com NPC, coisa q na época só era comum em RPGs,
    gráficos vetoriais melhorados, cenário mais ricos em detalhes e animações, movimentação mais fluida tbm usando a técnica de Rotoscopia, mais ação, mais puzles, maior interação com o cenário, missões (inclisive na segunda fase vc precisa fazer jobs, tbm coisa q só era comum em RPGs naquela época), história tbm sendo contada de forma cinematográfica com bastante animações, tbm lançado para as plataformas mais badaladas da época.
    Eu particularmente gostei mais da versão Genesis por chegar mais próxima da versão pra PC e ter a movimentação mais fluida e controles mais responsivos, a versão SNES sofre d slowdows constantes em lugares com bastante movimentação(um exemplo é na segunda fase ond vc pega os jobs, o jogo fica cheio d lag), na minha opnião a versão PC só peca na resposta dos controles, mas nada q atrapalhe na jogabilidade, mas pod irritar um pouco nos momentos ond o jogo exige maior precisão.

    Flashback é um jogaço q na minha opnião envelheceu tão bem quanto Out Of This World, mas q as vezes acaba nas sombras do seu irmão da Interplay.

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