SEGA is BACK! – Not!

Update: dois dias após este boato a SEGA se pronunciou acerca do mesmo, na E3 de 2010: “Somos uma empresa de software. Certamente não voltaremos ao ramo de hardware”.  Como era de se esperar, mas valeu a pena a discussão :-)

Será mesmo? Será que a SEGA está pretendendo voltar ao mercado de consoles de videogame? Será que, depois de falhar frente aos fãs com fracas continuações de suas franquias de sucesso, ela teria peito para enfrentar Nintendo novamente? E Sony e Microsoft? E o mais importante: há espaço para um quarta console? (ou quinto, se você conta com o Zeebo :p) Antes de mais nada: não estou falando do SEGA Zone. E esse não é o primeiro nem será o último, caso seja mais um “rumor” sobre a volta da SEGA aos consoles.

A incrível notícia (ou boato) que tenho para dar (ou espalhar…) é que parece que sim, pode ser verdade. “Calma lá!” – grita você, cardíaco e fanboy de carteirinha da SEGA. Bom, o que se tem de concreto: um site russo, o Kaldata.com, anunciou no dia 14 de junho, às 23:50 que a “SEGA assinou um contrato com a Imagination Technologies, uma empresa de tecnologia britânica, para que ela desenvolvesse um chipset para seu console de videogame graficamente intensivo de próxima geração”. Continue lendo.

“Ainda não há muita informação, pois o projeto está em estágios iniciais. A SEGA compartilhou que seus planos são para um novo console como competidor direto da próxima geração de Sony e Microsoft. A empresa acredita que, com mais desenvolvimento ao longo do tempo, serão capazes de derrotar as duas gigantes, conseguindo assim uma boa fatia do mercado” – que, outrora, lhe pertencia. A Imagination Technologies fez uma nota à imprensa, no dia 10 de junho, que fornece alguns detalhes sobre o produto que desenvolveram: suporte para gráficos 3D estereoscópicos (S3D) em Full HD 1080p, “trazendo um novo realismo à conteúdos tridimensionais, novas possibilidades de interfaces e diversas aplicações”. O final desta nota contém a seguinte frase: “Neste momento, a Imagination está estabelecendo parcerias com outros líderes em tecnologia”.

Não há nada oficial da SEGA ainda sobre o assunto e isso já aconteceu algumas vezes, mundo online afora. Pessoalmente, gosto de acreditar que isso pode ser verdade. E, ignorando o lado fã da empresa, passei realmente a achar o retorno da SEGA aos consoles uma possibilidade. Veja: o momento dos videogames é de experimentação. O Wii foi o pioneiro quando, em 2006, trouxe o seu novo conceito de joystick para o jogador. E foi o sucesso comercial que todos sabemos. Mas não foi um sucesso com o chamado “gamer de carteirinha”, o tal jogador hardcore que a indústria assim gosta de chamar: ao que parece, a Nintendo trouxe realmente novos gamers para a jogatina. Talvez nem tanto aqui no Brasil, mas nos países onde a cultura gamer já era muito forte, não-gamers realmente parecem ter sido seduzidos pela jogatina cheia de movimento e imprecisão do outrora Revolution da Big N.

Três, quatro anos mais tarde, Sony e Microsoft decidem “inovar” neste ramo exibindo para o mercado o Move e o Kinect (antes “Project Natal”). Ainda não foram lançados, mas a E3 deste mesmo ano de 2010 é a prova irrefutável de que as duas gigantes estão investindo tudo nesta nova maneira de jogar. É neste momento que entra a SEGA.

O Wii foi o pioneiro em atrair e criar os tais jogadores casuais, mas o jogo está indefinido – as duas novas abordagens da concorrência já têm data para desembarcar nas lojas e serão, certamente, acompanhadas de muito, muito marketing. Não saberemos quem “vencerá”, ou se haverá espaço para as três abordagens (não acredito nesta última, pois os custos de desenvolvimento em plataformas tão distintas certamente aumentará). Todas as três empresas querem os não-gamers. Nós, que lemos e/ou escrevemos sobre o assunto, vamos comprar até versão de Golden Axe ruim, desde que tenha o nome “videogame” – não precisamos de joysticks de movimento, não mesmo. Mas “nós” somos a minoria no planeta, é um fato: dá pra dizer que eles não esqueceram da gente, mas o público que ganha mais atenção atualmente é o de não-jogadores. A Sony e a Microsoft estão experimentando um pouco, não estão exatamente copiando o Wiimote da Nintendo. E todo mundo sabe que todas elas querem mesmo é dominar o mundo.

A SEGA sempre foi uma craque em hardware. Vamos lembrar juntos: o óculos 3D do Master System, o suporte a cartão e cartucho no mesmo console, o Mega Drive com suas duas expansões – SEGA CD e 32X (o Mega 32X trazia duas CPUs de 23 MHz, em 1994). Mais um pouquinho: o Saturn com suporte à expansão de memória RAM feita pelo usuário, o Dreamcast com seu modem embutido. Nos arcades, foi uma das líderes durante duas décadas a fio – só deixou esse posto porque os fliperamas entraram em decadência. Agora é um momento novo para os videogames: trazer novos jogadores, se reinventar de verdade. A SEGA pode ajudar neste processo. Ou qual seria a quarta empresa que você acredita que teria chances neste mercado, hoje? Só penso no nome da japonesa e nenhum outro.

Vamos aguardar por algum anúncio oficial da SEGA – que poderá nunca acontecer, ou não ser nada breve. Esperemos um pouco, torcendo para que não seja só mais um boato. O site Xboxic  lembra que “esta notícia será tratada como boato até ouvirmos alguma confirmação da SEGA”.

Claro: aqui está o link direto para o notícia do site russo: http://www.kaldata.com/comments.php?catid=4&id=55129. O tradutor da Google será essencial :-) E do site Xboxic, com uma interpretação da notícia, em inglês.

E você, compartilha desta esperança? Acho que é mais um boato? Caso seja verdade, acha melhor não ter um quarto console na contenda? Quero ouvir sua opinião.

SEGAAA!

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Battlefield 1943 (X360)

FPS só no PC? Think again.

Por Danilo Viana

Muitos gamers, principalmente aqueles que adotam o PC como plataforma, conhecem a série Battlefield. Publicado pela EA Games e desenvolvido pela DICE, a série nasceu no fantástico Battlefield 1942, lançado em setembro de 2002 e foi um marco na época por ser exclusivamente online, algo feito antes apenas por Unreal Tournament. Como em Unreal Tournament, o jogo apresentava um modo offline contra bots que continha algumas “missões” que tinham como objetivo treinar o jogador para o certame online, mas que em nada se assemelhavam ao verdadeiro treinamento em campo de batalha contra jogadores de todo o mundo.

Alguns anos se passaram, uma sequência e uma versão moderna foram lançados e a série até ganhou um modo campanha em Battlefield Bad Company, mas a DICE resolveu voltar as raizes e fazer um jogo estritamente online situado na segunda guerra: nasce Battlefield 1943. Bom, vários anos se passaram desde Battlefield 1942, os jogadores ficaram mais exigentes e é bastante arriscado você tentar arrancar US$ 60,00 (ou R$ 259,99, ai meu bolso) do jogador usando como desculpa uma “volta às origens” – então a DICE pensou: “como faço para lançar este jogo, ganhar aceitação e não ter ninguém chorando na porta acusando-me de lançar um jogo velho como novo?” Simples, use os serviços online dos consoles.

É isso mesmo, Battlefield 1943 saiu para a Xbox Live Arcade e PSN, numa manobra arriscada que  deixou de fora os PCs – pelo menos por enquanto – pois a versão PC está ainda agendada para o segundo trimestre de 2010. Esses serviços online dos consoles parecem perfeitos para isso, os jogos são pequenos (Battlefield usa mais ou menos 600MB do HD do console, uma pechincha hoje em dia) e os preços baixos, em média US$20,00 no caso de Battlefield.

E o jogo é bom? É o que veremos, mas basta dizer que, quando foi lançado, a imprensa se viu  atônita em como um jogo para os serviços online, normalmente destinados a jogos casuais, pôde se parecer tanto com um jogo completo prontinho para ser vendido numa prateleira por US$60,00. Não fosse a simplicidade do jogo ele poderia fácil ser lançado como retail.

História

Não tem muita, o jogo visa recriar combates em ilhas do Japão que ocorreram durante a segunda guerra – e é isso. Você vai lutar ao lado dos aliados ou das forças japonesas e vai tentar f**** com a vida dos seus adversários. O jogo também tem uma visão bem cômica da “coisa toda”, o que você notará no primeiro momento em que sair de sua base em um barco, pegar um jipe, atropelar alguns inimigos parando ao lado de um tanque, usando o tanque para destruir um aeroporto e roubar um monomotor – tudo em questão de 5 minutos.

Gráficos

Muito bons, principalmente considerando que se trata de um jogo para serviço online de console. Uma versão simplificada da engine Frostbite é usada aqui, o que significa cenários destrutíveis mas não no nível visto em Bad Company.

Os efeitos de água, apesar de não serem os melhores já vistos, impressionam, permitindo que se observe a luz do sol fazer um lindo reflexo na areia embaixo d’água. Os terrenos são vastos e as construções são bem realistas, inclusive na forma como elas são destruídas conforme a batalha segue.

Uma crítica que faço é relacionada às animações: elas não são ruins, mas “genéricas”. Quando você acerta um soldado, ele se inclina para trás com o impacto, mas a inclinação é igual independente do local do tiro (portanto a animação é sempre a mesma, apesar dos tiros nos diversos locais do corpo afetem o dano causado). Uma mega garfe que presenciei: um avião decolando e o trem de pouso subindo antes do avião começar a andar, fazendo-o “flutuar” por alguns segundos. Se era pra fazer isso era melhor nem pôr trem de pouso.


Um ponto muito positivo: os veículos transmitem ótima sensação de realismo. O tanque em especial ficou lindo, com uma perfeita animação da corrente. Nos terrenos, algumas divergências  mas – felizmente – mais acertos. As texturas das áreas de terra são ótimas, mas a grama e os arbustos são as velhas “texturas chapadas em cima de um quadrado transparente”. As texturas das pedras também podiam ser mais caprichadas – quase não usam bump map, o que dá um ar de jogo de PlayStation 2 a elas. Visto que outras partes do cenário usam bump map, não entendi por que as pedras ficaram de fora. As árvores são excelentes, principalmente porque são destrutíveis, criando belas estratégias onde se derruba todas elas para atravessar com o tanque. Não chegam ao nível de Crysis – mas não ficam devendo.

Em geral, o visual agradou muito. Visto que este Battlefield consome somente 600 MB e, tipicamente, jogos crescem muito por causa dos gráficos – é impressionante ver o que eles fizeram com o espaço.

Som

O jogo não tem música, exceto durante a navegação dos menus; mas, em compensação, o clima de imersão em uma zona de combate supera esta deficiência. A todo momento você ouve tiros, explosões de granadas e mísseis, seus companheiros comemorando um “headshot” ou pedindo ajuda e muito mais.

Novamente, o destaque fica nos veículos: ouvir um avião passar por cima de você é fantástico e o tanque novamente dá o ar da graça fazendo sua sala tremer se você tiver um kit de som com subwoofer. Quando leva um tiro, o jogador fica surdo por uns momentos – como se fosse “surdo de dor”. A tela avermelha-se e a movimentação fica difícil. Caso uma granada exploda por perto, ouve-se um apito e surdez total em seguida, recuperando lentamente a audição. Enfim, nota dez para a parte sonora deste jogo.

Jogabilidade

Aqui vem o divisor de águas: alguns gamers irão amar este jogo e outros podem vir a odiar. Se eu pudesse definir a jogabilidade de Battlefield 1943 em uma palavra, seria “simplicidade”.

A mecânica do jogo é das mais simples. A cada rodada uma ilha é escolhida automaticamente: sem votação, nem escolha de líder da sala – nada disso. O jogo escolhe a ilha para você. A propósito, são apenas três ilhas, quatro se você contar com Coral Sea que é uma exclusiva para jogar de avião. Seu time também é aleatório – nada de escolher a sala ou o time em que você quer ficar. O jogo já te joga do lado dos aliados ou do Japão.

O gamer, então, escolhe sua classe. Daí, você pensa: “finalmente escolho alguma coisa nesse jogo”. Bom, escolhe, mas não é um mar de opções: apenas três, sendo que, no Battlefield 1942 original, haviam cinco. O Infantry é sua classe de combate próximo, contando com uma submetralhadora de bom dano mas pouca precisão à distância, um lança-mísseis anti-tanque e granadas. Ele também é o único capaz de reparar veículos, usando a chave de boca. O Rifleman é uma classe “pau pra toda obra”: tem um rifle de assalto com dano e alcance moderados, um “lança granadas” muito divertido, que consiste em uma granada presa a um pedaço de metal e encaixado no rifle para ser atirado, e granadas do mesmo tipo do Infantry. Por fim, o Scout é sua classe de longa distância. Conta com um rifle sniper, uma pistolinha para momentos de desespero e dinamites que ele pode pôr em veículos ou no chão e detonar remotamente. Como deu para perceber, as classes têm seu papel bem definido e nenhuma é absolutamente melhor que a outra. Você vai se ver constantemente trocando entre elas numa partida.

Agora é só jogar, o jogo te deixa em uma das “bases” e você pode sair matando seus inimigos da maneira que te convir. As regras: cada campo de batalha é dividido em bases com uma bandeira; inicialmente, cada time começa em sua base inicial e as outras bandeiras estarão neutras. Os times, então, precisam avançar e tomar estas bases, bastando aproximar-se da bandeira até a mesma levantar e ser substituída pela bandeira de seu país.

Enquanto isso, a matança rola solta – mas para vencer, não basta sair matando todo mundo. Esta é uma parte bem interessante da estratégia de Battlefield. Cada base que seu time controla, aumenta seu reinforcement tickets – que é representado por uma barra no topo da tela. Cada vez que alguém do seu time morre, esta barra diminui – mas o quanto ela diminui é controlado pelo número de bases controladas. Assim, se você morrer mas seu time controlar todas as bases, quase não afetará o reinforcement tickets. Porém, se você morrer enquanto seu time não controla nenhuma base, o  reinforcement tickets vai diminuir bastante. Nas partidas em que joguei muito raramente um time ganhou enquanto controlava poucas bases.


Se o jogo peca na variedade de classes pra escolher, ele dá aula na variedade de maneiras de matar seu inimigo. Existe o básico – atirar com sua arma até ele morrer – mas existe também no cenário uma diversidade de “apetrechos” para te ajudar. Primeiro os veículos: você pode encontrar tanques, aviões monomotores, jipes com metralhadoras montadas e barcos para se locomover e trazer terror ao inimigo. Depois, existem metralhadoras montadas, bunkers e canhões flak anti-aéreos que você pode usar contra inimigos e veículos. Por último, há um único prédio no cenário com um rádio que chama o air raid – três aviões que sobrevoam o cenário e disparam uma saraivada de bombas em uma grande área matando qualquer um que esteja até mesmo protegido em casas e abrigos. Obviamente controlar este prédio se torna um dos grandes objetivos do jogo.

Para não dizer que são tudo mil maravilhas, algumas coisas atrapalham a experiência. A primeira e mais significativa é o lag. Aqui ele não chega a arrancar cabelos e normalmente fica num nível aceitável, mas você vai constantemente “compensar” a latência atirando adiantado prevendo aquele quase 1 segundo de movimento futuro do inimigo. Felizmente, o lag só afeta a velocidade em que os tiros são disparados e um eventual pulo que o inimigo executa, mas sua movimentação é sempre fluida. Outro ponto meio frustrante é que o cenário tem algumas armadilhas – lugares onde você acha que deveria passar reto mas alguma pedrinha no chão ou pedaço de arbusto param seu personagem no meio da corrida. Não acontece muito, mas, num jogo frenético como este, parar até mesmo um segundo pode fazer pedaços de seu cérebro irem ao chão.

Resumindo, a jogabilidade é boa o suficiente para te deixar viciado, mas poderia oferecer mais. Claro, se considerarmos que é um jogo de serviço online… então esta falha está perdoada. Meu amigo Cézar vive dizendo: por que não tem arma tal, porquê não tem tal classe, e eu sempre respondo pra ele que é um jogo baratinho, feito pra serviço online, quer mais vá jogar Bad Company 2 por US$60,00.

Conclusão

Battlefield é um excelente jogo, cujas qualidades superam em muito os seus defeitos. Mais impressionante ainda ver que é um jogo lançado para serviços online de consoles, custando menos de US$20,00. Um jogo como este sinaliza o mercado de que o gamer quer também jogos casuais de qualidade – e com a mesmo acabamento visto em jogos retail.

SCORE

GAMEPLAY: Ótimas opções para entrar em combate e bom equilíbrio entre as classes, porém estas poderiam ser mais variadas 4/5
GRÁFICOS: Ótimos para um jogo de serviço online; animações poderiam ser melhores 3/5
SOM: Nada menos que excelente, imersão total 5/5
TRILHA SONORA: N/A
DIFICULDADE: Num jogo online depende da partida, e isso faz a dificuldade ser bem equilibrada. O jogo é simplesmente viciante por isso mesmo 3/5

DADOS

NOME: Battlefield 1943
PLATAFORMA: Xbox 360 e PlayStation 3
DISPONÍVEL EM: Xbox Live Arcade e PlayStation Network
ANO: 2009
DESENVOLVEDORA: Dice
DISTRIBUIDORA: EA Games

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