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Os Shoot’em Up Estão Acabando?

Por Euler Vicente

Outro dia conversando com o Eric sobre opções de compra na PSN, nos deparamos com uma realidade decepcionante: Onde estão os nossos amados Shoot’em Up?

Os “jogos de nave” ou simplesmente Shmups formam um subgênero dos shooters, onde naquele o jogador geralmente controla uma nave solitária que combate centenas de inimigos. Este gênero teve seu auge nos anos 80/90 com sucessos  memoráveis como: Space Invaders, Galaga (Fantastic! por aqui), Xevious (o nosso Columbia), Tokyo, Gradius, Zanac, R-Type e muitos outros.

Pessoalmente, é meu gênero favorito. Joguei muito Zanac no MSX. Quando ia ao fliperama, alternava entre Xevious ou Tokyo; cresci com eles e tenho acompanhado com tristeza o declínio do gênero. Talvez o último suspiro dos shmups nos consoles foi no Dreamcast. No PS2, alguns poucos bons jogos foram lançados como: Gradius V e R-Type Final, mas isso é muito pouco. Thunder Force VI não conta, de tão ruim que ficou.

O que teria provocado o declínio de um gênero que fazia tanto sucesso há alguns anos atrás? Pretendo levantar um debate sobre o assunto, pois creio que muitos de nós andam se perguntando sobre isso.

Vamos aos motivos que, primariamente, podem ter causado a queda do gênero nos dias atuais:

1 – Shmups não têm roteiro.

Sempre tentei imaginar um roteiro que se encaixasse num contexto de um típico Shoot’em Up. Uma nave sozinha lutando contra um milhão de inimigos? Isso não faz sentido algum, realmente. Alguns jogos  ainda tentavam colocar uma historinha antes do jogo começar, mas nunca vi uma que me convencesse. Como se fosse uma tentativa de dar uma maior qualidade à produção e tal, mas sinceramente isso não faz a menor diferença. Shump não é um gênero onde deve-se preocupar com o roteiro. O aspecto que devem observar é puramente o da jogabilidade. Para quê roteiro quando se tem o gameplay perfeito de um Ikaruga?

Atualmente,  games estão cada vez mais se aproximando do cinema. Roteiros cada vez mais complexos são criado para os jogos e a exigência nesse aspecto tem sido grande. Não bastam gráficos bem feitos e boa jogabilidade, a rapaziada de hoje em dia quer uma história convincente e, de preferência, bem complexa. Culpa do Mr. Kojima! Acostumou mal os gamers da nova geração e agora ninguém mais quer saber de jogo sem roteiro.

2 – Estagnaram tecnicamente.

Vi  um vídeo de um Shoot’em Up lançado recentemente para o PS3 na PSN: Soldner X-2: Final Prototype. Isso é para o todo-poderoso PlayStation 3 mesmo? Achei que tinha assistido uma sequência de PS2 ou Dreamcast por engano :-)

Parece-me que desde o surgimento dos primeiros Shmups 3D no PS1, muito pouca coisa mudou. Não vejo um salto gráfico nesses jogos que acompanhasse o gigantesco salto de hardware que os consoles deram. Esse jogo do PS3 que eu citei há pouco poderia ser feito tranqüilamente para um console da geração anterior.

Quando se está acostumado com God of War e Uncharted, os gráficos desses jogos chegam a doer nos olhos. É muito simples e naturalmente as pessoas foram perdendo o interesse. Porém, olhando pelo lado das desenvolvedoras, parece-me que esse gênero de jogo não dá muita margem para grandes inovações no aspecto gráfico. Será Gradius V o limite para um Shoot’em Up?

3 – Falta de investimento das desenvolvedoras

É uma conseqüência direta dos dois primeiros. Se não há gente interessada, não há o porquê de se investir, certo? Mas,  pergunto se aqui não cabe a teoria Tostines: vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais? Ou no contexto desse post: vende pouco porque não tem qualidade ou não tem qualidade porque vende pouco? Sinceramente não sei responder :-) Minha insônia vai voltar com tudo agora que estou com essa dúvida na cabeça…

Será que se alguma desenvolvedora decidisse apostar suas fichas no reerguimento do gênero, investindo uma grana alta num projeto de grandes proporções, venderia tanto quanto Call of Duty? Acredito que ninguém ainda teve essa coragem, afinal de contas com dinheiro não se brinca, né? Com o pensamente capitalista que as grandes produtoras têm, só vamos ver Shmups de produtoras pequenas. Projetos típicos de PSN, Live e jogos free para PC.

Conclusão

Amantes dos shooters “de verdade”: nós viveremos de emuladores daqui em diante. Com investimentos cada vez maiores para se produzir um jogo, ninguém vai querer correr risco de lançar algo que possa não vender. E o que vende hoje é Halo e Metal Gear.

* * *

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28 Respostas

  1. Acho que todo mundo que jogou na década de 80 curtiu e muito este tipo de jogo. Galaxian, Galaga, Tokio, Xevious, Hell Fire nos arcades, R-Type, Axelay, Gaiares, Gradius, Thunder Force nos consoles e por aí vai. É algo meio complicado de explicar o abandono deste estilo de jogo, quem sabe um dia não ganha um fôlego extra, quem nem os jogos de luta estão voltando.

    Talvez esteja faltando que alguma empresa dê um pontapé de incentivo e lance um bom jogo pra que as coisas melhorem. Tipo o que a Capcom conseguiu com o Street Fighter IV e vem se consolidando mais ainda com SSF IV e agora o novo Mortal Kombat, que parece ser muito bom.

    Um Gradius VI seria muito bem vindo :) Mas, falando em jogo de nave, é incrível como nunca lançaram um novo Gaiares né? Isso foi sempre muito frustrante pra mim… rsrsrs

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    • Pior que estou desanimado, e olha que poucos minutos atrás vi a conferência da Konami da E3 e eles anunciaram outro Otomedius para o X360. Mas, mesmo estando na E3 e sendo um shmup da Konami, não há destaque – nem mesmo pela própria Konami. Ela própria se dedica mesmo aos dance dance qualquer coisa… apresentou um de Karaokê lá que nem parecia que estávamos falando de game…

      Gradius VI é o sonho de Euler quando comprou o PS3 (nosso sonho, por assim dizer). Se não estou enganado, tem uma pré-venda muita louca em algum site em japonês do Gradius VI faz um tempão, só Euler pra lembrar agora se estou louco. Provavelmente era algum rumor do site ou até mesmo erro. Agora, uma continuação ou mesmo remake de Gaiares… seria o sonho… compartilho com você a adoração por este clássico do Mega.

      Acho que o gênero não morre porque videogame está muito, muito em voga. Então nada morre. Mas os gamers não o encaram como main game mais não, só nóis, do tempo de shooter sem scroll é que os idolatramos. Esses garotos de hoje: não sabem o que é bom! eheheheheh

      Como você viu na “foto”, Master Chief era do Império Bydo! :D

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      • Essa pré-venda louca era no shopto.net Eric.

        Tudo indica ser apenas um rumor, se não eu teria ouvido falar algo

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  2. Poxa, lembrei agora que boquiaberto quando ouvi a música do Boss no Super R-Type (SNes), ainda melhor que a original. :)

    A música da fase 1 de Gaiares também é marcante.

    Eu também achava bacana no Axelay , as fases do jogo se alternarem na vertical e horizontal… outro jogo que merecia um remake.

    Ah, esqueci de mencionar Aleste, Truxton, Astro Warrior, Exerion, Time Pilot, Battle Squadron… :)

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    • A lista não acaba, shooter ruim só no Atari Jaguar (tente jogar Trevor McFur in the Crescent Galaxy).

      Ah, valeu mencionar Verytex: um ilustre desconhecido do Mega Drive que tem como música da primeira fase uma das melhores, e por um tempo eu a rankeava como A melhor, game music que já escutei. Dá uma emulada nele, não vai se arrepender pelo menos com a música.

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      • Esse Verytex, se não me engano, foi o jogo que Marcelo conseguiu comprar original pagando uma grana por ele no e-bay.

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        • Ele mesmo Euler!

          Um cartucho completo custa uns 50 dólares e é um pouco raro, mas se encontra. Os que saíram só no japão (caso de Verytex, se não me engano) ficam nessa faixa de preço no eBay.

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  3. Eu acho que o principal motivo para os shoot ‘em ups terem meio que sumido do mainstream é o fato de que hoje os games estão mais focados na diversão do que no desafio, e a gente sabe que shoot ‘em up só é bom quando é insanamente difícil :)

    Tem a ver com esse lance de hoje a turma preferir jogos mais cinematográficos, como você disse. Acho que quando a tecnologia não permitia que os jogos parecessem filmes, a cadeira da imersão era ocupada pela dificuldade, aquela tensão que te mantinha grudado na tela.

    O nascimento e a popularização (entre fãs do gênero) dos bullet hells só vem comprovar isso. Parece que as desenvolvedoras de shoot ‘em ups se tocaram que realmente só quem ainda joga esse gênero é a turma da antiga, fissurada num alto desafio, então criaram logo o bullet hell que, como diz o nome, é um inferno :)

    Na verdade, tem até bastante shoot ‘em up saindo, especialmente bullet hell. Só que é tudo bem underground. Os tempos de glória na mídia se foram, mas até que o gênero vive. Aliás, tem um artigo bacana sobre shoot ‘em ups “amadores” aqui:
    http://blog.hardcoregaming101.net/2010/06/hydorah-and-other-free-shmups.html

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    • Esse Hydorah (que é citado no link do Gagá), se não me falhe a memória, é um indie que fornece até a capa da mídia para que você imprima, coloque num case de DVD, e jogue na sua prateleira de retails. De vez em quando alguém faz isso, a última vez que vi foi com um fan film no universo de Star Wars chamado de “Revelations”: Duas ISOs de DVD no site oficial e as capinhas em alta qualidade pra você imprimir e fazer o seu próprio retail, autorizado.

      Vou fazer o mesmo com o Hydorah. Daqui a uns 20 anos, quando alguém olhar para a prateleira do colecionismo e vê-lo e capa de jato de tinta já branquela: “êpa, você disse que só tinha originais!” O que devo responder? :p

      Bom, ainda bem que existem gamers vivos que suportam o gênero. Acho que na próxima geração (não estou me referindo à de consoles…) só vai ter bullet hell invadindo a favela da rocinha em Call Of Duty :p

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    • Inclusive tem um shoot’em up amador muito bom que Eric conhece bem hehehe

      Eric, tem como colocar o link aqui para o pessoal experimentar o Torion2?

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  4. Cara eu tb fiquei frustrado quando procurei por jogos shmups para Wiiware e só encontrei um ou outro gato pingado e com reviews negativos, apenas Gradius Rebirth em destaque e o curto mas divertido Star Soldier R. Eu tb sou muito fã do gênero, cheguei a comprar o Castelo de Shikigami 3 para o Wii (um ótimo bullet hell por sinal) e tenho jogado bastante um game da série Touhou (outro bullet hell) no PC, mas realmente não há mais investimento nesse tipo de game como antigamente.

    Acho que tá faltando alguém inovar esse gênero, sei lá…os bullet hells ajudaram um pouco nisso, mas é preciso criar algo novo para trazer os gamers mais novos ao gênero.

    Agora, parece que a moda mesmo hj em dia são os arena shooters amadores, como geometry wars, mas é uma pena que sidesscrollers como Star Soldier, R-Type, Salamander, entre outros estejam esquecidos nos dias atuais. O jeito é viver de emulação e de indie games mesmo…

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    • Pô, vou ohar esse Star Soldier R no Wii aê, valeu pela dica

      Os shooters “conceituais” que você citou parece ser uma tendência, mas que os amantes de shooters como nós não gostamos muito deles não, não é mesmo?. Tipo, Asteroids mesmo, no Atari 2600: lembro que era visto como um jogo “feio”, ultrapassado mesmo na época. O negócio era mesmo Defender, ou Vanguard. E esses shooters amadores que você pertinentemente citou não tem jeito – sempre me lembram de Asteroids, eheheheh. Não empolgam, nada perto de um scroller, como você disse.

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  5. Acho que pra haver um novo shmup só inovando toda a fórmula para permitir bom enredo, gráficos animais e (infelizmente) dificuldade ajustada a realidade.

    Por exemplo, alguém lembra de Descent? Se não lembra tá aqui ó http://en.wikipedia.org/wiki/Descent_(video_game)

    Provavelmente os novos shmups seriam uma evolução disso, e não sei exatamente se quero isso pra mim. Talvez seja melhor que o gênero se torne cult, com seguidores fieis e bons jogos indie que não ganham a mídia mas não se deturpam.

    Bom, pro gagá que tá viciado em WiiWare e Virtual Console, há boatos que Descent vai sair pra WiiWare.

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  6. Tem alguns jogos de shotting no DS, e no wii tem uns 3 pra download que tenha visto, gradius rebirth, phalanx e um outro que esqueci o nome ;p

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  7. Mostrei pra Eric um shmup indie lançado pra XBOX na seção Indie Games. O nome é Shoot1UP (apropriado) e é bem interessante, você controla várias naves ao invés de uma.

    É como eu disse, os shmups podem ter virado um nincho mas nunca vão realmente morrer.

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    • Não sei se eu que fiquei bobo demais com esse Shoot1UP que Danilo vendeu o peixe, pois o considero inovador: achei um bullet hell que é jogável desde o princípio, sem “medo”. Não, não quero dizer que ele é um bullet hell fácil, não mesmo. Não entrarei em detalhes aqui, só recomendo que quem tiver Live, compre-o.

      Um simples shmup como esse aí prova que videogame é arte mesmo – sempre será possível agradar o jogador quando o artista achar as “cores” certas para o gameplay.

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  8. Parece que ninguem mais se interessa em produzir , mas aposto que se desenvolvesse um Shoot’em up multiplayer online, com todos os recursos disponíveis atualmente e com utilização de roteiro interativo, seria um sucesso! Imagina usar imagens de satélite nos gráficos?!

    obs: Xevious tem uma artwork de gabinete belíssima!! Mesmo os gráficos, na época era de babar.

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    • Xevious…ops, Columbia (rs), até hj é bonito Ritalinando! E note que os shumps de hoje em dia não mudaram tanto assim.

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  9. Realmente os jogos de naves foram a febre dos 80’s. Eu joguei muito galagam galaxian, xeviuos (embora achasse muito difícil)…

    Hoje graças as várias coletâneas anos 80, eu posso jogá-los no meu PS2…

    Aliás, jogo dezenas de arcades anos 80 e pinballs no meu PS2….
    Mato saudades de um tempo maravilhos, mágico. Um tempo em que o video game era uma coisa mágica que se perdeu no meio de tanta tecnologia…

    Abrçs Eric e a todos do cosmic effect….

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  10. Aliás, hoje é dia de plugar meu atari…..

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    • “…dia de plugar meu atari” Opa, grande dia então hein! :) Valeu Anderson, putz, também era um “prego” no Xevious no arcade, mas a gente tentava né :D Abração!

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  11. Os shumps são meu gênero favorito. São jogos com regras e controles simples porém extremamente desafiadores e com um alto grau de satisfação (para mim pelo menos). É como se fosse um gigantesco jogo de memória combinado com reflexos rápidos. Muito difícil de ficar entediado, coisa que a vasta maioria dos jogos modernos (FPS principalmente) deixam a desejar. Claro que entendo que o tempo passa e tudo muda, porém acho que tem espaço ainda para o gênero ser explorado com mais carinho e atenção. Ainda tem uma meia duzia de produtoras investindo, mas é muito pouco. Eu pelo menos compro todos que saem :)

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  12. Darius Gaiden – Silver Hawk (Esse é o jogo)

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  13. Não acho! penso que falta visão, conhecimento amor pelo genero pois ,não precisaria de tanto recurso para bolar um jogo alucinante, talvez misturando alguns tipos e desafios, e enquanto ao roteiro: Guerra mundial, resgate invasão extraterrestre entre outros.

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  14. Uma vantagem que havia antigamente para esse tipo de jogo é que, por conta da dinâmica dos jogos de nave, não se exigia muito da capacidade dos consoles. O que gerava jogos com gráficos muito bons comparados a capacidade da plataforma (Ex. Gradius II para Nintendinho e Gayares para o Mega). É lógico que se deve também levar em conta a qualidade de determinadas desenvolvedoras como a Konami, por exemplo, que conseguia extrair do video-game até o último fiapinho de pixels e cores da placa de vídeo e criar sinfonias com placas de som baseadas em sintetizador quase sem canais de som. O que poderia ser criado hoje em dia em matéria de gráficos num play3 da vida, ficaria limitado somente à imaginação do desenvolvedor. Quando vejo um documentário sobre o universo num Discovery ou History HD da vida, logo imagino as cenas como gráficos de fundo, uma navinha na frente e penso como ia ficar foda. :)

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