O supra-sumo do equilíbrio.
Por Eric Fraga
A franquia God of War está em alta. O capítulo final da trilogia foi lançado a poucas semanas e alavancou as vendas do PlayStation 3. Eu nunca tinha jogado nenhum da série (só aquelas pegadas de joystick rápidas na casa de um amigo). Com o lançamento do 3, o hype me empurrou a jogar os dois primeiros capítulos. Após jogá-los até o final, fico me perguntando por que demorei tanto…

God of War 1 é realmente fora de série. Logo no início do gameplay, ainda com quase nenhum combo disponível, você já sente que o controle do carismático Kratos é fenomenal. Você desfere um, dois golpes numa direção, decide mudar para outro inimigo e o controle responde; a jogabilidade perdoa um pouquinho o jogador caso ele não seja muito preciso nas direções dos ataques. As batalhas não são difíceis quando os inimigos são dois ou três, mas existem diversos momentos em que se luta com até 10 ou mais oponentes – aí a coisa chega a ser cansativa. Estas batalhas você só vencerá quando combinar alguns combos – esmagar botões não resolverá e você receberá um “You are dead” bem grande e vermelho diversas vezes… As grandes batalhas com os chefes sempre requerem uma estratégia que terá de ser descoberta. Os QTEs (Quick Time Events) acontecem sempre: nas batalhas corriqueiras e nos grandes chefes. Desde Dragon’s Lair eu não via sequências deste tipo que fossem tão divertidas. Mas o melhor do jogo começa depois da primeira grande batalha (a famosa luta contra a Hidra): resolver os puzzles dos cenários, principalmente os que são apresentados ao jogador no fantástico Templo de Pandora (que é carregado nas costas, literalmente, pelo titan Cronos – imaginem). Aqui você não encontrará só caixas para empurrar ou alavancas para puxar: uma sala circular enorme esconde diversos enigmas hiper-criativos que você terá de resolver. Alguns podem lhe tirar uma hora de jogo só olhando e andando pelo cenário… ou melhor: beneficiar-lhe com uma hora de jogo.
A história é acima da média para um jogo e dá vontade de ser seguida, de prestar atenção aos diálogos. Resumidamente: Kratos é um capitão do exército espartano que ganha destaque por ganhar inúmeras batalhas; porém, numa batalha com os Bárbaros, percebendo que seria certa a derrota, Kratos clama por Ares, o deus da guerra; este, desce das nuvens e acaba com todos os Bárbaros e entrega um presentinho para o mortal espartano: as “Blades of Chaos” – que será sua arma principal durante quase todo o jogo. Com esta arma, ele corta a cabeça do rei bárbaro e vira servente de Ares, em troca. O deus da guerra providencia que o próprio Kratos mate sua mulher e filha – após este acontecimento, Kratos fica de pele branquinha: as cinzas de seus entes queridos são agregadas à sua pele. Agora sim: Kratos quer vingança – só que para isso, terá de aprender umas coisinhas até ser capaz de lutar e vencer um deus grego.
Graficamente insuperável, o jogo quando visto numa LCD com a conexão vídeo componente do PS2, apresenta sequências de animações com nível de detalhes que supera muitos jogos da geração atual. Os closes de Kratos são frequentes e os detalhes faciais são perfeitos. God of War, que é de 2005, oferece até um modo widescreen – e mesmo neste modo, continua com o framerate impecável – ao contrário de, por exemplo, Shadow of the Colossus (que tem seus motivos). A música tema é excelente e está salpicada durante todo o jogo, nos momentos certos. O tom sombrio e épico do tema é intercalado com músicas mais incidentais para os momentos de resolver enigmas. As atuações também são acima da média e a voz de Kratos é no mínimo empolgante. Os efeitos sonoros mantém o nível de produção de primazia do título – me peguei algumas vezes repetindo um determinado combo com a Blades of Chaos só para curtir o som explosivo do final… É um jogo de 10 horas, mas que pode se estender caso você “trave” em um ou outro enigma. Perto, bem perto mesmo da batalha final, a dificuldade aumenta consideravelmente culminando com a belíssima batalha com o próprio deus da guerra, Ares. Levei duas horas para conseguir perceber como vencê-lo e senti aquela empolgação única de vencer um jogo – todo bom single player tem por obrigação nos dar esta sensação inigualável ao ver os créditos finais.

Depois de terminar God of War, você só pensa uma coisa: onde deixei minha cópia de God of War 2 mesmo?
SCORE
GAMEPLAY: O equilíbro perfeito justificando o estereótipo “ação-aventura” 5/5
GRÁFICOS: Se fosse lançado para PS3 você não iria perceber 5/5
SOM: Sons convicentes e em perfeita harmonia com as animações 5/5
TRILHA SONORA: Clima sombrio garantido pela música tema e pelas incidentais nos momentos certos 4/5
DIFICULDADE: Ação tem dificuldade na medida certa, mas alguns puzzles são realmente desafiadores 3/5
DADOS
NOME: God of War
PLATAFORMA: PlayStation 2
DISPONÍVEL EM: DVD (PS2) e Blu-Ray (PS3, “God of War: Collection”)
ANO: 2005
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