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Dead Space (PS3)

Por Euler Vicente.

Introdução

Qual a receita para um bom Survivor Horror? Muitos sustos, certo? E se somarmos a isso belos gráficos, clima tenebroso, um roteiro de ficção científica de respeito, ótima jogabilidade e design de fases competente? Temos um dos melhores jogos estilo Survivor Horror do mercado: Dead Space.

Em DS, controlamos o Isaac Clark, um engenheiro do século 26, enviado numa missão para investigar um sinal de transmissão de socorro enviado pela nave USG Ishimura. Assim que a nave de resgate do Isaac, a USG Kellion, tentar aportar na Ishimura, uma falha no sistema automático ocorre e a Kellion fica severamente danificada, colidindo dentro da doca de aterissagem da Ishimura. A tripulação então é forçada a procurar outro meio de transporte. Assim que começam a explorar a nave aparentemente deserta, eles são atacados por monstros, mais tarde apresentados como Necromorphs, que tiram a vida de alguns membros da equipe. Clark acaba se separando dos outros e assim começa nossa saga para escapar vivo do inferno que se tornou a USG Ishimura.

Mais um third person shooter?

Definitivamente, DS não é apenas mais um shooter em terceira pessoa. Já começa pela ambientação do jogo, muito atraente, inspirada em filmes de terror com ficção-científica. Traz elementos de filmes como Alien, Pandorum e Event Horizon – e a mistura foi realizada de maneira muito competente.

Outra coisa que me chamou a atenção logo de cara é a interface do jogo. Não tem HUD! Todas as informações que precisamos estão no traje de Clark: uma barra de energia nas suas costas indica seu estado de saúde, a munição disponível aparece na própria arma e os logs coletados durante o jogo são visualizados pelo jogador através de projeções holográficas que exibidas pelo próprio traje. O acesso ao inventário, mapas e histórico de missões também são obtidos também por holografias 3D saindo do traje espacial. É muito bem bolado e bem feito.

As armas disponíveis para o nosso herói se defender dos Necromorphs são parecidas com instrumentos de mineração, o que se encaixa bem no contexto que a história provê, uma vez que a Ishimura é uma nave mineradora. Além das armas, o traje de Clark está equipado com o Stasis (desacelera os objetos atingidos temporariamente) e o Kinesis (faz levitar objetos), que o ajudam a resolver puzzles e a combater os inimigos. Achei o Stasis fora de contexto. Por que um engenheiro de mineração teria uma engenhoca que faz os objetos ficarem mais devagar? Tá certo que é muito útil em certos momentos, mas foi um pouco forçado.

Mas, o carro chefe do jogo é o tal do “sistema de desmembramento tático”. Os desenvolvedores criaram um esquema muito realista no qual conseguimos arrancar partes dos corpos dos Necromorphs a depender do local atingido. Se os tiros forem no braço, conseguimos arrancá-lo, num efeito realmente bastante violento. Inclusive o jogador é, a todo momento, incentivado a desmembrar os inimigos, pois assim eles morrem mais rápido. Desde quando um bom headshot mata mais devagar que um braço arrancado? Ficou parecendo que a EA forçou a barra para mostrar para todo mundo como tinha ficado legal o sistema de desmembramento deles…

De qualquer forma, há de se reconhecer que a EA soube fazer um bom uso do que o jogo tem de melhor: o sistema de desmembramento e as cenas de gravidade zero.

P = m.g

Peso é igual a massa vezes a aceleração da gravidade. Todos nós aprendemos isso nas aulas de física, não é? Mas, quando a força da gravidade é zero, o que acontece? As melhores cenas de Dead Space!

É incrível o que a EA conseguiu nos momentos do jogo em que estamos em setores da nave onde não há gravidade artificial. A sensação de desnorteamento transmitida ao jogador conseguiu me deixar enjoado às vezes. Sério! Fiquei de estômago embrulhado em certos momentos de gravidade zero. Deve ser algo que os astronautas devem sentir, quando não se tem noção se estamos de cabeça para baixo ou não.

Também são nestes momentos que a engine de física, a Havok, dá seu show. Os objetos flutuam no ar com muito realismo, sofrendo reação esperada a uma ação ocorrida sobre eles. Dispare em um pedaço de metal e ele flutuará na direção contrária ao local de impacto, com a velocidade proporcional à força atuando sobre ele. São obedecidas aparentemente com muita precisão as 3 leis fundamentais de Newton. Não tem como não lembrar imediatamente daquelas imagens da NASA, em que seus astronautas se divertem no espaço com a ausência da gravidade. É fantástico observar os braços e tentáculos dos Necromorphs voando pelo cenário!

E o jogo cria puzzles realmente interessantes para estas situações, mesclando momentos em que somos obrigados a nos orientar rapidamente por estarmos sob ataque inimigo pesado, recuperação de sistemas de comunicação defeituosos, ou até mesmo ficando sem oxigênio por estarmos no vácuo – num efeito que transmite a sensação de ser sugado para o espaço. Em algumas salas sem gravidade, podemos observar matéria em suspensão, num efeito de partículas sensacional. Ah…  e existe até mesmo uma partidinha de “Zero-G basketball”! Mas, descobri que sou melhor no nosso basquete terráqueo mesmo! :)

Ainda no quesito da física, desagradou um pouco os trechos de gravidade artificial na espaçonave. Quando matamos os inimigos, seus corpos (e os pedaços deles) não desaparecem como acontece na maioria dos games; acho isso ótimo; porém, os cadáveres se comportam de forma muito estranha. Parecem bonecos de borracha, completamente sem peso. Eu experimentava passar correndo por cima dos corpos e parecia que o Isaac estava chutando bonecos de isopor. Achei isso péssimo! De qualquer maneira, parece ser coisa muito complicada de se fazer no estágio atual de tecnologia – jogos como Uncharted isso também acontece, por exemplo.

Resident Evil 5 killer?

Digo com toda convicção do mundo: Dead Space é bem melhor que RE5!

Parece que os produtores jogaram RE5 antes e realizaram DS focados em consertar tudo que havia de errado no jogo CAPCOM. O esquema de troca de armas e recarregamento é muito mais prático, melhor balanceamento da dificuldade, upgrade e compras de itens, os inimigos não evaporam quando mortos… e, principalmente, Dead Space dá medo! Isso sim é um survivor horror, não RE5 que se tornou um mero jogo de ação.

Conclusão

Nunca na minha vida tinha passado mal numa sessão de videogame, até conhecer este survival. Acho que isso dá uma boa idéia de quão competente é Dead Space! Não sei se estou ficando mole para o gênero, mas não conseguia jogar mais de 2 horas seguidas – queria, mas não conseguia. O clima absurdamente tenebroso, os sustos a todo instante, o áudio extremamente imersivo, a dificuldade acentuada e, acima de tudo, aquela sensação de total desorientação que o jogo nos transmite nas cenas de gravidade zero… deixavam-me com dor de cabeça e enjoado depois de algum tempo jogando. Aliás, as tão faladas cenas em gravidade zero foram realmente as que mais me impressionaram.  Talvez ainda precise de alguns ajustes para se tornar um game perfeito – uma maior variedade de inimigos e a física boneco-de-borracha dos objetos inanimados ainda incomoda, mas isso não mancha em nada a experiência. Arrisco-me a dizer que é o melhor do gênero no mercado.

SCORE

GAMEPLAY: Perfeito para o que se propõe 5/5
GRÁFICOS: A ambientação da nave, os Necromorphs, é tudo muito bem feito 4/5
SOM: Responsável por 90% da atmosfera do jogo. Era obrigado a diminuir o volume de tão assustado que ficava… 5/5
TRILHA SONORA: Temas esparços, nada marcante 3/3
DIFICULDADE: Um jogo difícil, não absurdamente. Tem que ter uma boa estratégia de escolha das armas para enfrentar certas situações 4/5

DADOS

NOME: Dead Space
PLATAFORMA: Xbox 360, PlayStation 3 e PC
DISPONÍVEL EM: DVD, Blu-ray e Download (Steam)
DESENVOLVEDORA: EA Redwood Shores (hoje “Visceral Studios”)
DISTRIBUIDORA: Electronic Arts
ANO: 2008

* * *

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15 Respostas

  1. Excelente review, ta aí um jogo que estou me devendo.

    Achei interessante o comentário dos “corpos de isopor”, a comparação foi ótima. Acho que isso acontece porque a animação do personagem andando não é afetada pelo peso dos monstros, daí o jogo compensa reagindo como se sua passada fosse superforte. Imagina se você é tão forte que nada pode te deixar mais lento, o que acontece se você andar por cima de um corpo?

    Discordei um pouco do comentário sobre a Stasis e os desmembramentos serem forçados. Em uma mina seria muito útil tornar objetos mais lentos, seria o freio dos carros de mineração e evitaria acidentes tornando pedras caindo mais lentas.

    Já os desmembramentos eu casei com a história dos necromorphs. No jogo eles são um vírus alienígena que infecta os corpos animando-os. Daí eu imagino que o corpo não tenha um único “cérebro” que se mata mais rápido com um headshot, é como se o corpo todo fosse uma unidade consciente, daí desmembrar esse corpo para tornar sua locomoção mais lenta é a forma mais eficiente de matar o bixo.

    No mais ótimo review, só fez aumentar minha vontade de jogar DS.

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  2. Ótimo review para um dos melhores títulos dessa nova geração. Qualquer fã da franquia Alien fica babando por Dead Space o/

    Mas claro que não é só isso. O gameplay é muito honesto e adequado à proposta: a maneira como a interface não-HUD foi inserida, não dá pra cansar de elogiar isso. Pegar itens, por exemplo, uma projeção sai do item com o nome dele, quando você se aproxima, nem precisa estar colado – estes detalhes pequenos da mecânica são sensacionais. A sensação de controle seguro do personagem, a AI bem razoável dos necros (não lembro de ninguém se esfregando na parede ou qualquer coisa assim, rs)… tudo contribuiu muito pra ele ser o sucesso que foi no assim chamado público hardcore. A campanha tem o tamanho certo também, não é curto nem longo.

    Realmente sobre o lance do stasis, não me lembro de nenhuma explicação muito plausível não, mesmo o lance de precisar para operar máquinas como Danilo falou achei que não colou muito não, mas tudo bem aí tinha que ver o backstory todo haha :) você pega no início, equipa e pimba. Mas como o gameplay foi pensado e tão bem adequado em alguns momentos pro stasis, no final das contas ficou ótimo :)

    Não tem grandes puzzles, mas o suficiente pra constrastar com a ação que é tensa na medida certa (ou seja, muito tensa!). Tem alguns variantes de necros bem legais, como aquele que explode (chatinho…) mas poderiam ter mais – parece que isso foi sanado no segundo que chega a poucos dias…

    E o desmembramento eu achei o melhor do jogo: não é o clichê de ir na cabeça (no torso também não adianta muito, é bom lembrar isso :). Alguns inimigos morrem se você atingir um membro certo, outros nunca morrem, na verdade você desmembra e ele fica useless – isso ficou muito legal.

    Euler tá bem exigente com os efeitos de ragdoll, eu achei foi muito bom pro que tenho visto por aí viu? eheheheheh.

    Como você muito bem disse, os efeitos sonoros são responsáveis pela atmosfera extrema de Dead Space. Junte a isso os gráficos não-engine-de-unreal (essa engine já cansou…), e você tem um exemplar com muita originalidade também nos quesitos técnicos. É como jogar um jogo que não poderia estar na geração anterior, realmente. Valoriza mesmo a existência da agora velha “next-gen”.

    Valeu de novo pelo ótimo review Euler! E Danilo que é fã de survival, tá na hora desse viu… só você do Cosmic Effect ainda não jogou ele ahahahahah (se não me engano, Andrey está terminando ele no PS3 também :D)

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    • Esse é o típico exemplo da importância dos efeitos sonoros num jogo. Acho que DS é o melhor que eu já vi!

      Rapaz…. eu ficava besta com isso! Tinha hora que agente tava num lugar da nave, aparentemente a salvo dos monstros, naquele silêncio todo, os batimentos cardíacos desaceleram e agente respira aliviado, quando de repente, ouvimos lá no fundo, distante, um som de algum objeto de metal caindo, como se algo tivesse esbarrado e derrubado o objeto.

      É como se o jogo quisesse passar para agente a mensagem: “você não está sozinho meu amigo! Se prepare!!””

      Dava calafrios isso, sério! hehe

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  3. Considero Dead Space um dos melhores jogos dessa geração por um simples fato: ele conseguiu ser o que Resident Evil 5 deveria ser.

    O clima de horro do game é perfeito, tem horas que você até sabe o caminho a seguir, mas fica com um pé atrás de abrir uma porta, de passar por um corredor, de ativar algum botão, o jogo é mestre em te deixar aflito.

    To no aguardo da sequencia, mas esse primeiro é digno de ser rejogado pelo menos umas três vezes.

    Pra finalizar, que bela resenha, meus parabéns!

    (apenas rumorando por aqui, mas a terceira versão parece que já foi confirmada pela EA ontem \o/)

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    • UAU! Que ótima noícia ainda que na fase de rumor (isso que é fanboysmo da minha parte, mas tá valendo :p) – Dead Space 3 já confirmado, beleza mesmo.

      E parece que a comparação com RE5 é recorrente, são da mesma época e tal. Só joguei DS, mas pretendo ir de RE5 logo que puder pela curiosidade.

      Valeu Cosmão!

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  4. Rapaz, eu ainda quero jogar esse troço. Só joguei Dead Space Extraction de Wii, e apesar de ser um jogo de trilho, deus do céu, PASSEI MAL em certas partes, vários sustos, coração a mil, impecável o jogo!

    Estou cobrindo notícias next-gen para um site, e assim acabei assistindo ao trailler de Dead Space 2… MEU DEUS, é espetacular. Espero conseguir ambos os games para PC.

    RE5, bem, comecei a jogar, fiz umas fazes, e assim como Devil May Cry 4, deixei de lado: apenas deslumbre visual não é mais suficiente a muito tempo para que eu me sinta insitado a terminar um game, e estes 2 títulos são apenas isso.

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    • Rapaz, você empolgou com seu comentário sobre o Extraction: comprei o Wii por causa deste jogo, mas abandonei (não porque não gostei e sim porque algum outro jogo na época tirou minha atenção e não voltei pro save dele ainda).

      Extraction é muito longo Sabat?

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      • Até que não, só da primeira vez que se joga é que não da pra fazer tudo muito rápido ou de primeira, mas mesmo assim não é um game longo não, diria que o tamanho dele é ótimo!

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  5. Por que esse review não saiu antes, na época das promoções do Steam? rs

    Dead Space foi um jogo recomendadíssimo por um colega meu, e agora o review me fez perder a vontade completa de jogar o RE5 e dar predileção à esse game. A atmosfera sci-fi espacial nunca me agradou muito (prefiro espaços urbanos ou mais próximos da nossa realidade) mas acho que Dead Space vai sanar minha ânsia por fortes emoções em Survival Horror! Só espero que esse negócio rode bem no Note aqui….

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    • Pensei que o fã de 007 aí também curtisse um sci-fizinho rapá! ;-)

      E Dead Space é até leve, 90% é indoor mesmo… bem claustrofóbico….. muuuito claustrofóbico….. seu note deve rodar bem…… eheheheheh

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  6. Sou fã do gênero Survival Horror. Mesma coisa com temas espaciais, mundos futuristas e longe da nossa realidade e de ficção científica em geral.

    Já estava a algum tempo de olho nesse jogo e, depois desse (ótimo) review, ele está no topo da minha lista de “must play games”. :)

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  7. De Bioshock que é conhecido como sucessor espiritual do System Shock, um fantástico jogo FPS, para DOOM, que para mim representa, ainda, o pai todo poderoso dos jogos FPS, Dead Space e, espero eu, Dead Space 2 são os verdadeiros representantes Survival Horror desde Resident Evil – Code Veronica X Complete Edition with everything you’ll need and you won’t ask again e Silent Hill 3.

    Este jogo representa uma evolução no que tange a produção de jogos para a EA a tal ponto que se fez necessário alguns anos para que o mesmo tivesse continuação e, assim espero, um possível Dead Space³ só venha a ser lançado daqui a alguns anos também.

    Este é o jogo que um provável RE6 tem de se basear e, se você jogou o game no PS3, experimente-o no PC, a experiência teclado e mouse melhora a jogabilidade consideravelmente.

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    • Legal Daniel, uma coisa: acabei jogando no PC mas usando o controle do Xbox 360 (em third person shooter tenho uma predileção pelo joystick, com exceção de Mass Effect que teve uma interface divinamente redesenhada para o PC), pra poder “me soltar no sofá” – meu PC de jogos é na TV da sala).

      Mas Dead Space 2 vou iniciar experimentando pelo nosso querido combo mouse/teclado depois do que você falou.

      E sim, Quake é o todo-poderoso dos FPS, ahahahah! (mas calma: com Doom coladinho, coladinho mesmo… ;-)

      Abração!

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  8. […] [Review] Dead Space Ps3 […]

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